Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


Deixe um comentário

Daqui a alguns anos…

A inteligência artificial já está presente em nosso dia-a-dia. Exemplo: ao digitar uma palavra quando se usa o celular para mandar mensagens, o corretor ou corrige ou faz sugestões. Inclusive antecipa o nosso pensamento. Isso é inteligência artificial.

Queira-se ou não, ela está avançando. Na Medicina, a facilitar diagnósticos e a cotejar resultados de exames periódicos, para chegar a uma constatação que antes dependeria de análise do médico. Para controlar a fila dos que vão se submeter a uma cirurgia.

Diz-se que isso torna a Medicina mais desumana. Mas os que defendem o uso da tecnologia afirmam que o médico terá mais tempo para conversar com o paciente, pois o trabalho de campo já foi feito pela máquina.

Os setores de Recursos Humanos e a administração de pessoal nunca mais serão os mesmos. Pode-se acompanhar a vida de uma pessoa a partir dos dados acumulados, que são os “vestígios informáticos” deixados por ela, quando começou a trabalhar, quais os seus cursos e as notas e avaliações para orientar quem vai contratar. Até mesmo o tempo de permanência nos empregos.

Mas é muito mais que isso. Dentro de poucos anos, a incorporação das máquinas em nossa vida será irreversível. Três fases são antevistas: na primeira, haverá adições externas e não invasivas. É o exemplo de HoloLens, as lentes holísticas que são óculos de realidade aumentada, já em uso após trabalho da Microsoft. Eles conseguem integrar objetos sintéticos e imagens reais.

Na segunda fase, haverá dispositivos que se conectarão com áreas específicas do cérebro, estimulando-as, intensificando-as e extraindo delas todas as suas potencialidades ainda não utilizadas. Na terceira fase, partes inteiras do corpo serão substituídas pelas máquinas e serão ainda mais alavancadas. Já existem laboratórios e empresas que conseguem criar visão artificial para quem não enxerga.

A China está bem à frente de todos os demais países nesse trajeto rumo ao futuro que já chegou. Por isso a urgência em formar gerações plugadas, antenadas com o que acontece no mundo virtual, aptas a desenvolver habilidades que a minha geração desconhecia, mas que serão vitais para sobreviver nas próximas décadas.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 29/10/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

pexels-photo-123335


2 Comentários

Um desafio real

O professor é insubstituível. Aquele que ensina a criança e a estimula a ter curiosidade intelectual precisa ser profissional bem formado e que conserve, durante toda a sua carreira, o entusiasmo que o levou a escolher o Magistério. O advento da Base Nacional Comum Curricular impõe adoção de estratégias para repensar o projeto de formação continuada dos professores. O êxito na implementação das novas Bases está intimamente condicionado ao preparo docente. Os próprios professores gostariam de intensificar atividades de desenvolvimento profissional, conforme indica o resultado do questionário da Prova Brasil de 2015, elaborado pelo MEC/Inep.

A par de inúmeros diagnósticos, o Consed – Conselho de Secretários de Estado da Educação formou um grupo de trabalho com o propósito de refletir sobre a formação continuada dos professores. Além de representantes dos 27 Estados-membros, cinco indicados pela Undime – União Nacional de Dirigentes Municipais de Ensino fizeram parte desse GT.

Grupo heterogêneo, a refletir a própria heterogeneidade do Brasil, não teve em mente sugerir um roteiro de ações a serem rigorosamente seguidas por todos os Estados. Nem elaborar uma “base nacional comum” para as políticas de formação continuada. Sequer se pensou em exprimir unanimidade, ou representar agenda exaustiva de considerações sobre o tema. Levou-se em consideração a relevância da participação de outros profissionais da educação e também as políticas de formação continuada já em curso pelos Estados.

O resultado das reuniões presenciais e das consultas on-line foi a produção de uma relação de considerações organizadas em 9 eixos: Estrutura interna do órgão central, diagnóstico, metodologia, regime de colaboração, provisão das ações, financiamento das ações, relação com o Plano de Carreira, Comunicação das ações e monitoramento e avaliação.

Cada eixo foi objeto de consistente análise, tudo constante do documento final do GT. Apenas para exemplificar, o eixo metodologia propõe considerar a escola como locus principal da formação continuada, a necessidade de se avançar no sentido de assegurar a jornada do professor em uma única escola, a promoção da formação continuada em serviço por meio da utilização mais efetiva de 1/3 da hora-atividade já previsto em lei, a promoção e estímulo ao trabalho colaborativo entre os professores, por meio da coordenação pedagógica, por exemplo.

Ao término da elaboração do relatório, o GT formulou um conjunto de reflexões complementares, quais sejam: 1 – A necessidade de redesenho dos cursos de formação inicial de professores; 2 – A necessidade de se ampliar o conjunto de pesquisas nacionais sobre evidências de impacto de políticas e programas de formação continuada no Brasil, de modo a confirmar ou complementar as principais conclusões da literatura internacional e, principalmente, focar as experiências brasileiras que evidenciem efetividade e eficácia; 3. A urgência de se ampliar espaços de troca e aprendizagem entre os técnicos das Secretarias de Educação, de maneira a compartilhar estratégias bem sucedidas e acelerar o processo de aperfeiçoamento das políticas de maneira sistêmica e 4 – A conveniência de se ampliar as oportunidades de formação técnica para os quadros das Secretarias, vez que muitos dos responsáveis pela formulação e implementação de políticas de formação continuada de professores, não têm capacitação específica ou ampla experiência no tema.

O potencial de incidência do relatório está no desencadeamento de futuras ações e medidas que poderão ser ancoradas e referenciadas no conjunto de ideias e caminhos apresentados no trabalho. Afinal, nada é estático, mas é um processo dinâmico, gerador de novas reflexões, e que precisa ter continuidade, mediante chamamento de profissionais e de doutrinadores que possam alavancar um projeto de extremo interesse para o futuro do Brasil. Qual seja: qualificar e requalificar os professores, para que o fruto de seu trabalho atenda às necessidades de um amanhã que bate às portas e que a todos surpreende pela profunda mutação do convívio e pelo surgimento do inesperado, o convidado permanente deste mundo de incertezas gerado pela 4ª Revolução Industrial.

Fonte: Correio Popular| Data: 27/10/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Milton Michida/A2IMG

7638944352_9a5a50faf3_h

Professores passam por curso de formação na Diretoria de Ensino de São Bernardo do Campo


Deixe um comentário

Antígona Beltrão

Assisti a um último ensaio de “Antígona” no Teatro Raul Cortez, direção de Amir Haddad e uma única atriz, que é um show de interpretação: Andréa Beltrão. Aquela estrela global de “Tapas e Beijos”, da “Grande Família” e de tantas outras cenas televisivas, mostra-se versátil e talentosa ao extremo.

Sófocles legou ao mundo um teatro que faz pensar. E o mundo precisa mesmo exercer um raciocínio que vá além das fofocas e das “fake news”. A peça é uma aula de pós-graduação em humanismo. Serve principalmente para a grande comunidade das Ciências Jurídicas. Pois nos faz pensar se o Direito Natural se sobrepõe à lei positiva.

O mero fato de alguém pertencer à espécie humana, a única a se autoconsiderar racional, torna essa pessoa merecedora de respeito e de reconhecimento de sua dignidade. Impõe o inalienável direito de ter uma sepultura condigna à sua condição.

A luta de Antígona é para enterrar seu irmão que, por haver perdido a guerra, havia sido condenado por Creonte a permanecer insepulto, entregue aos cães e abutres.

Antígona faz pensar no direito de resistência. O ser humano pode resistir à ordem legal, mas considerada injusta? Qual o critério de justiça que prevalecerá? Justiça é algo mensurável?

A direção encontrou na atriz uma personalidade esplêndida, capaz de se transformar em segundos, de assumir todos os papéis, de se impregnar da emoção da personagem e de uma agilidade invejável. Aptidão física, aptidão verbal, magia que transporta o auditório à borrasca emotiva que envolve a trama de ciúmes, vingança, amor, adultério, incesto, violência, orgulho, todas essas interferências ínsitas ao ser humano. E muito mais próximas da realidade brasileira do que poderiam estar no período instigante da mitologia grega.

O espetáculo é didático porque recapitula o encadeamento de fatos conducentes à tragédia que ainda hoje ocupa as cogitações psicológicas deste animal estranho chamado homem! Por alguns considerada a maior das maravilhas, para outros a causa da extinção gradual e acelerada de toda forma de vida neste sofrido planeta. Um projeto frustrado, que chegaria a decepcionar o autor do design inteligente.

Assistam “Antígona”! Fará bem a quem estiver perplexo com o atual momento tupiniquim.

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 26/10/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

pexels-photo-165173


Deixe um comentário

A nova psicologia do sucesso

A 1ª conclusão do relatório McKinsey sobre o desempenho dos estudantes latino- -americanos que se submeteram à Prova PISA de 2015 é a de que a mentalidade dos alunos afeta os resultados escolares duas vezes mais que o contexto socioeconômico.

Ainda não se dispõe de material denso suficiente para permitir leitura definitiva sobre o papel das mentalidades no aproveitamento escolar. Em Mindset: a nova psicologia do sucesso, Carol Dweck sustenta que indivíduos com “mentalidade de crescimento” são mais motivados ao sucesso do que os de “mentalidade fixa”.

A mentalidade de crescimento apoia-se na crença de que o sucesso deriva de trabalho duro e aprendizado consciente. A mentalidade fixa é a certeza de que as habilidades inatas são estáticas.

A boa notícia é a de que a mentalidade de crescimento pode ser ensinada. Alunos de baixa renda com mentalidade de crescimento conseguem atingir o mesmo alto nível dos alunos de alta renda com mentalidade fixa. Isso significa a independência de fatores condicionantes em relação ao êxito que vier a ser obtido em razão de estudo sério e muito esforço.

No livro Garra: o poder da paixão e da perseverança, Angela Duckworth insiste na relevância dessa vontade indomável como previsora do desempenho. Perseverança, curiosidade intelectual, consciência e autocontrole são fatores de sucesso.

Tal conclusão implica em adoção de estratégias de calibração da motivação. O professor é o eixo de transformação do aluno, detentor de mentalidade fixa, para torná-lo exemplo de mentalidade de crescimento. Para isso, é mister desenvolver o senso de pertencimento e a vontade de atingir metas, sem vinculação necessária com a avaliação, mas por acreditar que isso represente o crescimento como pessoa.

Não é impossível adotar estratégias de metacognição para ajudar o aluno a planejar e avaliar seu aprendizado. O convite aos professores é que tenham a coragem de implementar e avaliar intervenções para empoderar os alunos. O resultado poderá surpreender os mais céticos.

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 26/10/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

 

801003_Ampliada


Deixe um comentário

Por que fazer o Saresp?

O sistema de avaliação de rendimento escolar do Estado de São Paulo, conhecido como SARESP, será realizado este ano nos dias 8 e 9 de novembro, em todas as escolas estaduais. É destinado aos alunos dos 3º, 5º, 7º e 9º anos do Ensino Fundamental e aos da 3ª série do Ensino Médio.

As provas avaliarão o domínio e habilidades básicas nas duas disciplinas mais importantes e, paradoxalmente, aquelas em que maior fragilidade ostenta o ensino público paulista: Português e Matemática.

Os estudantes do Ensino Fundamental farão uma prova em que as respostas serão livremente manuscritas e os do Ensino Médio responderão questões em múltipla escolha. É a fórmula de familiarizar o aluno com os vestibulares, pois acredita-se que a imensa maioria de quem se dispuser a terminar o ensino médio enfrentará o ingresso à Universidade, em que os exames de seleção ainda vigoram.

Por que é que o SARESP há de ser feito, e com todo o empenho, por parte do estudante paulista?

Por várias razões. A primeira é que o SARESP é a principal ferramenta de avaliação externa adotada pela Secretaria da Educação. Dele resultará um diagnóstico da real situação da escolaridade básica paulista, hábil a orientar os gestores, monitorar as políticas direcionadas à melhoria da qualidade do ensino.

As informações do SARESP subsidiam as metas das escolas na elaboração do Idesp – Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo. Nesse ponto, é confortador constatar que sua última edição, em 2016, revelou que a rede estadual continua a avançar. Ainda é preciso muito, porque a situação brasileira confrontada com a de outros emergentes não é de nos orgulhar. Mas para o aluno é de extremo significado e relevo lembrar que o SARESP conferirá a nota à escola e constará do histórico escolar do aluno que saiu dali. É preciso ter motivos de orgulho por integrar um estabelecimento de ensino exitoso, respeitado por haver alcançado suas metas, por se tornar uma referência na educação pública, de maneira a propiciar ao egresso um bom reconhecimento quando vier a disputar funções ou postos de trabalho.

Os pais são peças fundamentais no estímulo a seus filhos, para que não faltem e levem com grande seriedade a realização dessas provas, das quais dependerá o futuro da escola e o reconhecimento da comunidade pelo trabalho que ali se realizou, se realiza e continuará a ser realizado.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: A2IMG

8228125870_83a8a475f5_z


Deixe um comentário

Pronto para a internet das coisas?

A internet das coisas promete conectar todos os objetos de que nos servimos com o nosso corpo e com a nossa vontade. Ela já existe, possui condições de implementação gradual e, segundo as expectativas, gerará entre 50 e 200 bilhões de dólares por ano para o Brasil, no ano 2025.

A notícia é do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -, que encomendou um estudo para alicerçar o Plano Nacional de Internet das Coisas. Esse anúncio teve lugar no Futurecom, hoje considerado o principal evento de telecomunicações da América Latina.

Foram dez meses de estudo realizado por um consórcio de empresas e o resultado foi a definição de 76 ações, entre iniciativas de incremento à inovação e mudanças regulatórias. Apenas se lamenta que entre as quatro áreas prioritárias para o Brasil não se tenha incluído a educação. Não que as escolhidas deixem de ser importantes: saúde, cidades inteligentes, indústria e agronegócio. Mas tudo converge para a educação.

Sem uma educação de qualidade, não haverá condições de bom atendimento à saúde, formação de cidades inteligentes, desenvolvimento sustentável da indústria e fortalecimento do agronegócio.

Saudável a intenção de criar polos de inovação, a partir de apoio de institutos de pesquisa de referência na área, como o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (CPqD) e o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), da Universidade de São Paulo.

Mas a educação não pode ficar ausente desse megaprojeto. O ensino continua a transmitir à infância e juventude um arsenal de conhecimentos já superado. Não se cuidou de adequar o conteúdo pedagógico às exigências da 4ª revolução industrial. Os programas são antiquados e desconectados com a realidade. As profissões hoje oferecidas no cardápio tradicional deixarão de existir em algumas décadas. O que os jovens vão fazer ainda nem sequer é uma atividade batizada. Nem nome tem!

A esperança é que a FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo -, ora confiada ao tirocínio e excepcional capacidade do professor José Goldemberg, possa alavancar as necessidades da educação pública. Eis que um acordo de cooperação técnica foi assinado com o BNDES, detentor dos fundos para que a internet das coisas seja uma realidade tangível dentro em breve.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 22/10/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: A2IMG

internet


Deixe um comentário

Atualizemo-nos na era digital

Queiramos ou não, estamos imersos no turbilhão digital. A 4ª Revolução Industrial é irreversível e nos apanhou a todos, os preparados – muito poucos – e os despreparados – uma legião.

Agora é hora de se pensar em inteligência artificial, em todos os setores da nossa vida. Ela já está na dinâmica de diversas atividades. A elaboração de projetos, o cálculo mais exato do valor do serviço, adequada análise dos custos, a margem de lucro, tudo é possível de se fazer com facilidade maior e em tempo menor. Com a inteligência artificial, o próprio software fornece todas as respostas.

Na medicina ela não só elabora diagnósticos, mas a utilização de smartphones, prontuários eletrônicos e as tecnologias vestíveis, chamadas “wearables”, tais como pulseiras de monitoramento cardíaco, traz exatidão e redução de despesas. Engana-se quem pensa que a automatização debilita o caráter humano da medicina. Ao se obter diagnóstico mais preciso, detalhado e propício à adoção da mais adequada terapêutica, permitirá ao médico dedicar mais atenção ao paciente.

No mundo das finanças, não é apenas a possibilidade de fazer negócios pela internet. Nem de fazer compras sem ter de ir ao supermercado, como o “home refill”. A obtenção de empréstimos e financiamentos pode ser mais rápida após imediata análise do passado do tomador, que deixa seu DNA no mundo dos negócios, se honrar seus compromissos. O avanço é tamanho que os bancos já dispõem de chatbots, programas que simulam conversa entre duas pessoas, mas das quais apenas uma é humana. É o cliente, que se satisfaz com um dos milhares de respostas possíveis após formular uma indagação, a ponto de nunca desconfiar que o seu interlocutor é a máquina.

Não se pretenda fugir da realidade. Ela está aí e só nos resta aderir a ela. Para isso, é bom se acostumar com verbetes que aumentam o neologismo, fenômeno com o qual já nos acostumamos e que, a cada dia, acrescenta espécies aos nossos dicionários. Fintech, por exemplo. Palavra que resulta da junção de “financial”, financeiro e “technology”, tecnologia. São startups especializadas em inovações tecnológicas destinadas ao mercado dos cartões de crédito, concessão de empréstimos, financiamentos e investimentos. E há mais exemplos de termos que se tornarão corriqueiros nos próximos anos.

“Machine learning” é uma forma de inteligência artificial que se serve de máquinas que utilizam técnicas avançadas, capazes de substituir funções cognitivas, associadas à aprendizagem intuitiva. A Tecnologia Watson, da IBM, se tornou famosa ao derrotar adversários humanos no programa de TV americana Jeopardy, em 2011, ao acertar mais respostas do que os concorrentes de nossa espécie. Dialog Service é ferramenta que permite aos desenvolvedores projetarem formas para que as aplicações interajam com usuários finais por meio de uma interface de conversação. Natural Language Classifier é instrumento que aplica técnicas de computação cognitiva para ajudar os usuários na criação de frases ou parágrafos mais elaborados. Faz-se uma consulta e o serviço devolve com termos-chave que são os mais adequados à formulação da resposta.

Retrive and Rank é o serviço que ajuda usuários a encontrar informações mais relevantes para as buscas, mediante utilização de uma combinação de pesquisa com algoritmos de aprendizado de máquinas que detectam sinais nos dados fornecidos.

Tudo isso resulta dos investimentos humanos em inteligência artificial, capítulo da ciência da computação que se propõe a elaborar dispositivos que simulem a capacidade humana de raciocinar, perceber, tomar decisões e resolver problemas. Tudo aquilo que nós costumamos chamar de “inteligência”.

A espécie não se tornará obsoleta, salvo se escolher esse caminho. Mas tudo é melhor do que a alternativa do suicídio coletivo, ainda que em doses homeopáticas, assim como ocorre com o reiterado, insistente e cruel maltrato da natureza. A Terra já cansou de emitir sinais. Ela sabe que continuará a existir, embora prescinda da espécie humana para isso.

Fonte: Correio Popular| Data: 20/10/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

digital