Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


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Ela chegou e não vai mais embora

Alguém ainda pensa que inteligência artificial é ficção científica? Ela chegou e veio para ficar. Não vai mais embora. Quem não se acostumar com ela, tende a se tornar descartável.

Na verdade, ela veio para nos ajudar. Faz com perfeição aquilo que é mecânico, automático, repetitivo. Exemplo: ao digitar mensagem no celular, a correção ortográfica ou a sugestão do que virá a seguir é resultado do uso da inteligência artificial.

Ela está nos diagnósticos, na seleção de candidatos a cargos, escolhe as melhores oportunidades para os bons pagadores, as taxas de juros mais sedutoras, além de conseguir responder a dúvidas jurídicas com acerto maior do que a resultante do uso da inteligência humana.

Tudo aquilo que depende de raciocínio lógico, rápido e previsível, pode ser delegado à inteligência artificial. Aquilo que demoraria para o ser humano detectar, ela consegue fazer em segundos. Cruza informações quais dados estatísticos e atitudes comportamentais, propiciando análises mais precisas e mais consistentes.

Quem não se lembra do Watson, a plataforma de inteligência artificial da IBM, que conseguiu vencer campeões humanos em xadrez? Pois esse gigante da inteligência artificial está disponível para empreendedores e pequenas empresas, mediante a plataforma de serviços na nuvem IBM Bluemix. Foi através dela que a Mecasei.com, startup brasileira que funciona como assistente pessoal de casamentos conseguiu entrar nesse mercado pioneiro.

É natural que o novo assuste. Quantos não estão convencidos de que a inteligência artificial os tornará descartáveis.

Isso ocorre com frequência na História. A primeira revolução industrial não acabou com a atividade humana. Assim como o desaparecimento de algumas profissões não impediu, ao contrário, incentivou o surgimento de outras.

O intuito da computação cognitiva não é tornar o homem obsoleto. É um auxiliar do ser humano que poderá inspirá-lo a ser ainda mais criativo e a utilizar o seu tempo disponível, que a sobra na eliminação de tarefas repetitivas e automáticas gerará, para ser mais receptivo ao relacionamento com outros seres humanos. É de compreensão que o mundo sente falta. E a inteligência artificial não é inimiga da sensibilidade.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 30/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Yes, nós matamos mais!

Estamos matando boa parte do nosso futuro. No Brasil, a taxa de homicídios de garotos entre 10 e 19 anos é a sétima do mundo. Em 2015, foram 59 mortos a cada 100 mil. Nesse macabro campeonato, estamos à frente do Afeganistão, que matou “só” 56 garotos na mesma proporção! Os dados constam de um relatório divulgado pelo Unicef em 31 de outubro.

O país líder é a Síria, com a taxa de 330 homicídios por 100 mil crianças/ jovens e em seguida vem o Iraque, com 134. Venezuela (97), Colômbia (71), El Salvador (66), Honduras (65) , Brasil ( 59 ) , Afeganistão (56), Guatemala (37) e Panamá (35).

Ocorre que o Afeganistão enfrenta conflito armado há dezesseis anos e o Iraque está na guerra contra a milícia do Estado Islâmico. No continente americano, o Brasil está em quinto lugar, atrás de Venezuela, Colômbia, El Salvador e Honduras. Nestes cinco países ocorre um terço dos assassinatos de garotos entre 10 e 19 anos. Incrivelmente, nessa área está abrigada apenas 5% da população.

O total de crianças mortas por assassinato – não foi morte natural – em 2015 chega a 82 mil! Ou seja: uma morte a cada sete minutos. É um número equivalente à população inteira de um município paulista como Bebedouro.

Estes números devem nos envergonhar e evidenciam a urgência de as políticas públicas contemplarem de maneira mais consistente o resgate de valores como família, escola, Igreja e vida comunitária. A legislação proíbe um menino de catorze ou quinze anos de iniciar-se num trabalho compatível com a sua faixa etária. Entretanto, o que existe de efetivo para poupar sua vida, que é muito mais importante?

São normas nem sempre inteligentes. Os antigos diziam: “Trabalho de criança é pouco; quem dispensa é louco”. E iniciativas como a do “Menor Colaborador”, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegaram a gerar vários desembargadores para o nosso Judiciário, foram aniquiladas por um zelo formalista, que não se traduz na construção de políticas comunitárias.

Sim, são políticas humanitárias, que precisam contar com todas as instituições, todos os níveis de governo, mas também as pessoas lúcidas, nem sempre incomodadas com a mutação corrosiva da família. Acomodadas a defender teorias, princípios e em aplicar estritamente as normas, abdicando da missão salvífica de tantas existências precocemente eliminadas.

A infância e a juventude precisam de carinho, de cuidado, de ternura, não de leis. É sempre bom lembrar a advertência de Jean Cruet, no fabuloso livro “A vida do direito e a inutilidade das leis”: “Sempre se viu a sociedade mudar a lei. Nunca se viu a lei mudar a sociedade”.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 30/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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A burocracia nos enterra

O Brasil não acordou para um problema que todos sentem, mas têm dificuldades para enxergar. É como a “roupa nova do rei”, que apenas a criança inocente conseguiu ver. A burocracia que impede a negociação, que atrapalha a vida individual e coletiva, que atrasa a administração pública e afugenta o capital externo.

Não é apenas a sensação que incomoda os espíritos racionais. É a constatação empírico-científica do Banco Mundial, que divulgou uma pesquisa realizada em 190 países com o objetivo de apurar a facilidade de fazer negócios.

O Brasil, na média, está em 125º lugar, o pior entre os BRICS e também o pior do Mercosul. Está entre os 10 piores para pagar impostos, colocado na 184ª posição. Entre os 15 piores para se começar um negócio: 176º lugar. O melhor país do mundo para fazer negócios é a Nova Zelândia e o pior é a Somália.

São 10 os indicadores avaliados e, em cinco deles, o Brasil teve pior nota do que no ano passado. Um exemplo: a dificuldade para obter uma licença de construção agora demora oito dias a mais do que na última aferição. Hoje são 434 dias. Além disso, o processo envolve mais procedimentos e tem custo relativo maior.

Cento e quarenta e seis países fizeram reformas em 2016 e subiram no ranking. O Brasil nada fez e faz feio. É o 170º país para obter licença de construção, o 131º para registrar propriedade, o 105º para conseguir crédito, o 139º em transações de comércio exterior, o 80º para resolver insolvências e o 47º para executar contratos.

Estamos muito longe, portanto, dos 10 primeiros classificados, nessa ordem: Nova Zelândia, Cingapura, Dinamarca, Coreia do Sul, Hong Kong, Estados Unidos, Reino Unido, Noruega, Geórgia e Suécia.

Não se avaliou o funcionamento do sistema de Justiça, nem o grau de satisfação em relação aos serviços prestados pela Administração Pública. Também não se questionou como é que a população encara a política partidária. Se isso fizesse parte da aferição, talvez a situação fosse ainda pior.

Seja como for, não é possível continuar com esta surrealista e kafkiana situação em que o direito parece existir para vedar qualquer atividade ou iniciativa, para inibir o protagonismo, para imprimir inércia à Administração Pública e para abortar os negócios.

Por quanto tempo ainda continuaremos assim?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 26/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Quem não muda, dança!

Os tempos exigem coragem. Tudo sofre mutação profunda. Quem se deixar levar será expelido da engrenagem. É preciso agarrar-se às oportunidades e fazer valer o protagonismo, tão urgente quanto imprescindível.

A educação é o terreno mais fértil à experimentação da ousadia. A eficácia das práticas pedagógicas está em questão. A juventude não se conforma com as aulas prelecionais, o ambiente escolar enfileirado, as disciplinas compartimentadas e sem vínculo concreto com a vida.

Muita coisa boa já acontece, por iniciativa desses heróis que são os professores. Eles se reinventam, debatem metodologias para facilitar o aprendizado, chegam a desenvolver materiais didáticos e a elaborar políticas de preservação do entusiasmo em período de adversidade.

Uma tendência irreversível é o ensino direcionado à inovação tecnológica. Muitos acordaram para a realidade de que é necessário preparar o aluno para o novo mundo global com suas necessidades também globais. Economias compartilhadas, responsabilidade ecológica, compartilhamento de informações, filtro para deixar de lado o que não agrega conhecimento útil.

Os desafios do amanhã são gigantescos. Há modelos pioneiros que merecem análise. A Natan Alterman Middle and High School de Tel Aviv, conhecida como Tichonet, foi a escola que em 2012 se tornou a primeira instituição de ensino a abolir livros, cadernos, lápis e canetas. Os mais de mil alunos anotam e leem nos mobiles e se comunicam entre si e com os mestres por via eletrônica. O conteúdo das lições fica armazenado nas redes e pode ser consultado a qualquer momento e de forma permanente. E é uma escola gratuita, mantida pela Prefeitura de Tel Aviv.

A sua grade de ensino incluí aulas teóricas e práticas de computação e robótica. Os alunos se entusiasmaram tanto que a escola ganhou em 2015 o Makers Anonymous – MA, uma equipe de robótica patrocinada pela IBM. Durante o aprendizado, os alunos são desafiados a criarem soluções inovadoras.

Outro bom exemplo é a Beta School, de Petah Tikva, também em Israel. Ali se mantém um centro de treinamento de professores mantido pela Prefeitura local, com o apoio do Ministério da Educação e da Microsoft. Desenvolve-se um trabalho de integração entre o enfoque pedagógico e as ferramentas da Microsoft, como os serviços na nuvem do Office 365. Isso também ocorre na União Europeia, em Bruxelas, onde funciona o Future Classroom Lab, iniciativa da European Schoolnet. Nessa iniciativa ocorrem propostas de reorganização de salas de aula e outras áreas de aprendizagem para otimizar mudanças pedagógicas e nos métodos de ensino. Propiciam-se espaços específicos para criação, interação, apresentação, investigação, partilha e desenvolvimento.

A tecnopedagogia não pode ser dispensada e o Brasil tem experiências exitosas de abnegados docentes que, por conta própria e por amor à sua vocação, intensificam o seu compromisso com o melhor ensino e aprendizado.

Compreender que o amanhã tão próximo reclama profissionais que dominem programação, elaboração de softwares, proficiência na tecnologia 3D, realidade aumentada, robótica, inteligência artificial, outras dimensões e a celeridade com que a ciência e a tecnologia nos atropelam, é essencial para não privar as novas gerações de um futuro digno e de uma sobrevivência compatível com os nossos sonhos. Já não há espaço para a inércia. A era digital é caracterizada pelo fantasma da obsolescência: é o monstro que morde nossos calcanhares se nos detivermos na caminhada que não admite titubeios.

Quem já acordou para isso recobra ânimo, fé e esperança para recobrar a marcha e para mostrar que o ser humano consegue superar dificuldades e aplainar agruras rumo à perfectibilidade que é a vocação natural da espécie.

Em síntese: os tempos são de mudança urgente. E, para nos servir do palavreado daqueles que são os destinatários de nossos esforços, mudança significa algo muito simples de se traduzir: quem não muda, … dança!

Fonte: Correio Popular | Data: 24/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Diogo Moreira/A2IMG

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Alunos da escola estadual Santos Dias, em São Paulo, durante aula de robótica


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A reinvenção do ensino

Um dos raros consensos nesta era do absoluto dissenso em relação a tudo é o de que a educação precisa ser reinventada. Ela não está cumprindo com os seus objetivos de permitir que a criança e o jovem desenvolvam suas potencialidades até o alcance da plenitude possível, menos ainda o capacitando para o trabalho ou o qualificando para o exercício de uma cidadania responsável.

 Isso não é privilégio do Brasil. O mundo inteiro enfrenta o desafio. Só que o Brasil, por sua crescente desigualdade, é um fenômeno muito mais grave. A educação poderia sanar nossos maiores problemas em uma geração. Mas não se verifica um conjunto de condições favorável a que essa verdadeira revolução tenha eficácia.

 A preocupação com avaliações é recorrente. Mas a metodologia apura o grau de introjeção de informações contidas no conteúdo curricular na cabeça do aluno. Avalia-se a sua capacidade de retenção dos dados, a sua condição mnemônica. Pouca ou nenhum interesse em aferir se o estudante adquiriu maior consciência de seus deveres, se está apto ao enfrentamento de dificuldades, se consegue vislumbrar perspectivas para a sua vida futura, a prova difícil da maturidade.

 A OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico realiza a cada três anos, a partir de 2000, a prova conhecida pela sigla PISA, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes e tenta fornecer pistas sobre o nível da educação em 72 países. Dez deles da América Latina. E os índices brasileiros são sofríveis.

A boa notícia é que os próprios organizadores do PISA procedem a uma revisão da metodologia, para incluir as competências não cognitivas. Decorar não é o principal quando se cuida de educar. Ao contrário: tem-se de perguntar como será o mundo daqui a 20 ou 30 anos, quais as competências que os adultos terão de dominar e que tipo de escola necessitamos hoje para formar essa geração.

Praticamente unânime a constatação de que um bom nível de instrução é essencial à realização plena de cada ser humano. Além de ser imperativo econômico e social. Mas como chegar ao consenso acerca do que é necessário para oferecer às crianças e jovens de hoje, o instrumental necessário para viver com dignidade em meados deste século?

Reclama-se intensa reflexão por parte de todos. O governo é impotente para assumir todas as responsabilidades. Por sinal, não foi isso o que o constituinte quis, quando erigiu a educação a direito de todos, mas a dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade.

Todos somos chamados a participar dessa reflexão. Dela depende a concretização de nossos sonhos ou o doloroso encontro com o fracasso.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 23/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Du Amorim/A2IMG

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Escola, lugar sagrado

Entristece-me e angustia-me receber um pedido para colocar offendicula em escolas, – hoje se diz “concertina” – ou aumentar a altura dos muros, ou gradear esse espaço de aquisição do conhecimento.

O fato é que aumentam os furtos perpetrados contra esse lugar sagrado chamado escola. Culpa da crise? Pode ser uma concausa. Mas o fenômeno é muito mais sério. Evidencia a completa ausência de freios inibitórios por parte dos ladrões. Com certeza, não passaram pelos bancos escolares. Se chegaram a passar, pior ainda.

De que valeu a permanência no lugar encarregado de transmitir valores, de formá-los para a cidadania responsável, para o convívio fraterno e para a edificação de uma Pátria Solidária?

Países civilizados oferecem espetáculo edificante. Suas escolas são preservadas com carinho. Situam-se em meio a jardins floridos, ostentam pintura imaculada, não há muros, nem grades, nem cercas, nem portões.

A comunidade zela pela conservação desse patrimônio que é do povo, não do governo. Não existe legislação diferente. Aqui também, o constituinte converteu a educação em direito de todos e dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade. E a segurança pública, direito de todos e dever do Estado, não é responsabilidade exclusiva do governo, senão de todas as pessoas, igualmente interessadas na manutenção de um clima propício ao pleno desenvolvimento de todos, a fim de que atinjam as potencialidades com que todos dotados, até se atingir a plenitude possível?

Não é possível continuar a considerar normal o que se perpetra contra o patrimônio coletivo, em detrimento não só da economia, da racionalidade e do ideal de convivência, mas traduzível em substancial perda de uma riqueza intangível, que é o caráter brasileiro. É urgente que a parcela saudável da comunidade se articule, não perca a capacidade de indignação e que aja com responsabilidade cívica.

Todos somos chamados a liderar uma cruzada contra essa criminalidade covarde, que ataca edifícios construídos com dinheiro do povo e destinados a melhorar a qualidade de vida nacional, cuidando da formação dos cidadãos de amanhã.

Indignemo-nos e ajamos!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 23/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Milton Michida/A2IMG

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Fachada da E.E Culto à Ciência, em Campinas


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Como recrutar o bom senso?

Uma das questões tormentosas para todas as democracias é a forma de recrutamento de juízes, promotores de Justiça, defensores públicos e demais carreiras jurídicas. Em tese, o modelo brasileiro é incensurável.

Nossos juízes, promotores, defensores públicos, procuradores, delegados de polícia e de legatários dos serviços extrajudiciais – os antigos cartórios – são selecionados por concurso de provas e títulos. Fórmula que alia o aspecto democrático – todos podem concorrer, desde que bacharéis em Direito – e a feição meritocrática – só os mais capazes serão aprovados.

Todavia, persiste o tema da legitimidade, muito debatido em outros países, a merecer uma resposta consistente e convincente. Os demais poderes têm seus integrantes eleitos. Submetem-se ao escrutínio popular. Isso é próprio ao regime democrático. Tanto que os Estados Unidos têm vários estados que elegem seus juízes, para responder a esse déficit de legitimidade muito comentado na doutrina.

Aqui, o concurso público de provas e títulos não atende a esse requisito de escolha popular e merece críticas. A resposta mais comum é a de que o juiz atende ao princípio da legitimidade mediante sólida fundamentação das decisões.

Como profere suas deliberações por escrito ou oralmente, mas com toda a publicidade e transparência, tal procedimento adquire a legitimidade que vem do consentimento da população à qual está preordenado a servir. Superada a questão da legitimidade, outra ordem de reflexões ainda não mereceu definitiva solução. O concurso público escolhe, na verdade, os mais capazes?

É algo irrespondível. Tem sido assim e as carreiras públicas não padecem de falta de preparo técnico. Isso é suficiente para o excelente desempenho da função estatal?

Ocorre que a seleção de profissionais das carreiras jurídicas ainda ostenta um déficit sobre o qual existe relativo consenso: avalia-se a capacidade de memorização, na expectativa de que o candidato decore todo o acervo legislativo, doutrinário e jurisprudencial produzido a respeito do universo jurídico.

Nem sempre isso equivale a equilíbrio, sensibilidade, capacidade de trabalho, compreensão, solidariedade, humanismo e, principalmente, bom senso. Mas quem é que pensa em alterar esse quadro?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 19/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

 

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