Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


Deixe um comentário

Há muito a ser feito

A mais angustiante das urgências contemporâneas é a questão climática. A humanidade negligenciou o cuidado com a natureza e o resultado é que as ameaças remotas chegaram e escancararam nossa fragilidade. Não é para daqui a cem anos que colheremos o fruto de nossa insensatez. É para já!

Há quem sustente que a superação da insânia ultrapassou os lindes do tolerável. Não há mais o que fazer. Mas o otimismo realista mantém sua reserva de esperança. Difícil preservá-la quando se constata que o Brasil concede isenção fiscal para as petrolíferas, empresas condenadas ao desaparecimento por uma simples razão: combustível fóssil é finito e nefasto. Os Emirados Árabes investem fortuna em busca de matrizes energéticas sustentáveis, embora detentores de grandes reservas de petróleo. Aqui, abrimos as fronteiras para grupos encarados com resistência na origem e fazemos o Tesouro perder 30 trilhões em 40 anos! Coisa de País rico…

Para compensar, anistiamos os infratores ambientais, fazendo o depauperado Brasil deixar de recolher de imediato 38 bilhões de reais. Tudo em nome de uma governabilidade que precisaria ser rediscutida desde a base. Não pode dar certo um sistema com quase quarenta partidos políticos. Existem quarenta ideologias, quarenta concepções do que deva ser um governo?

Enquanto crianças desenham e escrevem para defender a ecologia, fazem hortas em escolas públicas, o desmatamento continua, a poluição absoluta está na atmosfera, no solo, na água. Pior ainda, está na mente poluída que não consegue enxergar a verdade: quem corre risco é a vida. Não é o Planeta. Este poderá continuar a existir na nossa humilde galáxia, considerada a imensidão do Cosmos. Mas prescindirá da humanidade ingrata para permanecer no Universo.

Para os que ainda se comovem, é importante mencionar que o mercado, o soberano absoluto no capitalismo selvagem, não deixou de considerar a ecologia como parceira capaz de gerar lucro. A Amazon, por exemplo, a gigante da inovação no século 21, produz casas contêiner de 30 metros quadrados. Custa 36 mil dólares e o frete leva mais 4.500 dólares, ou seja, cerca de 128.800 reais. Totalmente concluída, com quarto, cozinha e sala de estar, além de acabamento completo, aquecedor, ar-condicionado, chuveiro, pia, eletrodomésticos e conexões para encanamento, água e eletricidade. Está dentro da concepção de economia de espaço. Não é necessário muito para sobreviver com decência.

Outra alternativa é a casa flutuante edificada com material reciclável. Projeto do italiano Giancarlo Zema, é chamada “WaterNest 100”, é uma residência flutuante construída com material 100% reciclado, ventilação natural e 60 painéis solares que asseguram a energia necessária. Área total de 100 metros quadrados, comporta uma família de até quatro pessoas. Está à venda por 500 mil dólares.

Enquanto o Brasil maltrata o ambiente, relega o pioneirismo que foi saudado no mundo inteiro quando contribuiu para a elaboração do conceito de sustentabilidade e produziu o lindo preceito do artigo 225 da Constituição da República, a Rússia dá o exemplo. Na remodelação de Moscou para mostrar ao mundo um país moderno por ocasião da Copa de logo mais, construiu o Zaryadye Park. É um espaço que simula artificialmente cada um dos climas típicos daquela potência territorial que é a Rússia. Nele tudo tem lugar: estepe, floresta, zonas úmidas e tundra. Um consórcio internacional projetou um sistema de pavimentação personalizado com pedras de piso verde e cinza, que se mesclam à paisagem natural e deixam os limites indefinidos, transformando a experiência dos visitantes em algo singular e imprevisível.

No momento em que as previsões de crescimento acelerado da população que deve chegar a 9 bilhões em 2050, dois terços da qual a residir nos grandes centros urbanos, é preciso ser inteligente e usar com a racionalidade, hoje escassa, os esgotados recursos naturais.

Haja discurso para provar às novas gerações que a nossa foi cuidadosa, prudente, racional e sábia no trato desse patrimônio que não foi construído p elo ser humano, mas que ele sabe como ninguém destruir.

Fonte: Correio Popular| Data: 29/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo e docente da Uninove

orange-flower-1380443.jpg


Deixe um comentário

Corra. Não pare!

A 4ª Revolução Industrial trouxe a Indústria 4.0. Quem se apercebeu disso está sobrevivendo. Quem não acordou, viu seu negócio sucateado. Como o Brasil não pode ficar esperando que as coisas caiam do céu – hoje só cai do céu a chuva ácida – é bom se mexer. Qualquer empresário pode e deve enfrentar a transição para a indústria de que necessitamos. Não é para amanhã. É para ontem!

A urgente transição para as novas estratégias da Indústria 4.0 é decisiva para que o Brasil recupere competitividade e se integre à economia globalizada. O que parecia ficção hoje é realidade. A Internet das coisas, por exemplo, já produz peças para prótese, assim como outros produtos que antes precisariam ser comprados. Agora, é incentivar a geração “maker”: os fazedores. Aqueles que fazem as coisas em lugar de comprá-las.

A migração para a nova realidade pode ser feita de inúmeras maneiras. Mas há quatro princípios básicos que não podem ser negligenciados: 1- interoperabilidade; 2- transparência informacional; 3- assistência técnica; e 4- descentralização das decisões.

Por interoperabilidade, entenda-se a conectividade entre máquinas, dispositivos, sensores e pessoas. Internet das Coisas e Internet das Pessoas atuando juntas. A transparência informacional significa a capacidade de sistemas informacionais terem cópia virtual do mundo físico mediante implantação de sensores digitais em equipamentos.

A assistência técnica tem um novo conceito: as pessoas precisam ser auxiliadas em suas decisões por sistemas informatizados, aptos a oferecer um painel visual completo dos dados de funcionamento da empresa. E realizar aquelas tarefas perigosas, cansativas ou desagradáveis, que não precisam mais ser feitas por pessoas.

Finalmente, a descentralização das decisões exige sistemas digitais com autonomia para realizar tarefas e tomar decisões. O nível superior só deve ser acionado se houver excepcionalidade ou surgir controvérsia.

Agora é a vez da robótica avançada, dos materiais inteligentes, da inteligência artificial, da computação em nuvem, da manufatura aditiva ou híbrida, da internet das coisas, impressão 3D e Big Data. O resto ficou para trás. Corra, portanto, e não pare até se integrar à 4ª Revolução Industrial.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 28/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

pexels-photo-577585

 

 


Deixe um comentário

Universitário por um dia

A criatividade é o grande instrumento de transformação do projeto educacional em momentos de crise. O mundo está em crise e enfrenta questionamentos de toda ordem. Educar é missão que se reinventa a cada dia, principalmente diante da profunda mutação que a 4ª Revolução Industrial impõe ao planeta e à espécie racional que nele habita.

Educadores vocacionados e talentosos sabem como tornar o ensino algo sedutor e atraente para uma geração que é treinada a enfrentar o inesperado. As profissões tradicionais desaparecem e o que será necessário no futuro ainda não mereceu formatação. Treinar para a incerteza, para atividades que não têm nome e para o imprevisto, não é fácil. Porém a vontade de acertar é fator preponderante para que tudo dê certo.

É o que ocorre, por exemplo, na Diretoria de Ensino da Região de São Carlos. O programa “Universitário por um dia” é fruto de parceria com o Instituto de Física de São Carlos – IFSC e busca propiciar aos alunos do ensino médio da rede pública estadual a oportunidade de vivenciar o ambiente universitário do campus da USP. Além de visita às instalações, de ouvir palestras sobre as atividades de pesquisa, participar de um show de Física, tomam conhecimento sobre a estrutura dos cursos de graduação naquele instituto e das chances que eles oportunizam para seus concluintes.

O show de física dispõe de demonstrações experimentais interativas, relacionadas com o cotidiano e comprobatórias da relevância do aprendizado de Física em nossos dias. Ele é realizado no espaço chamado Sala do Conhecimento, ambiente equipado com sistema de multimídia integrador e instigante. Os estudantes desfrutam de excelente chance de conhecer melhor a realidade do mercado de trabalho nas ciências exatas.

Esse exemplo pode se disseminar, pois depende apenas de boa vontade, esforço e devotamento dos docentes e gestores. Há uma legião de faculdades que serviriam para abrigar uma parceria exitosa, com vistas a aproximar infância e adolescência do ensino superior. Para a universidade, cuida-se de um autêntico dever: investir na extensão, pois o compromisso do ensino de terceiro grau no Brasil é atender a uma tríplice finalidade: ensino, pesquisa e extensão. Todos ganham.

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 28/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Daniel Guimarães/A2IMG

36954816060_93474c9bb2_k

 


Deixe um comentário

Para o aniversariante, nada!

Hoje é véspera de Natal. O que significa Natal? Nascimento de Jesus Cristo. Quem é Jesus Cristo? Para os cristãos, é o Messias prometido, o Filho de Deus que aceitou assumir a humanidade para salvar a primícias de sua própria criação.

Sua chegada mudou a face da Terra. Mudou a História. Mudou o tempo. Hoje estamos a vivenciar o 2017º ano após o nascimento de Cristo. Sua mensagem ainda reverbera e, se fora observada, o mundo não estaria neste caos. Pois os seus comandos são singelos: amar a Deus com todas as forças, com todo o devotamento de seu coração e amar o próximo como a si mesmo.

É mais difícil amar o próximo, com quem se convive, do que amar a Deus, a quem não se vê continuamente. Mas a chamada “civilização cristã”, que foi erigida sobre os ensinamentos do Cristo, ofereceu ao mundo o ideal da igualdade, baseado no eixo central do cristianismo: todos somos irmãos de Cristo e, portanto, filhos de Deus. Não há ricos, não há pobres, não há homens ou mulheres. Nem raças ou cores. Todos igualmente iguais em dignidade.

Dignidade é supraprincípio da Constituição Cidadã de 1988, que deveria inspirar as pessoas a um respeito integral em relação ao semelhante. Mas somos animais racionais. Parece preponderar o animalesco e não a racionalidade. Desrespeitamos os outros e, ao fazê-lo, nos desrespeitamos a nós mesmos.

O que fazer para converter a humanidade a ser mais racional? Sintoma de que andamos muito mal é o esquecimento do aniversariante. Fala-se em ceia, em presentes, em árvore de Natal, em Papai Noel, em consumo, consumo e consumo. Quem está a se lembrar do aniversariante? Qual o presente que reservamos para quem aniversaria uma vez por ano e que tanto merece respeito, carinho e amor?

Fico indignado com marcas do mercado que abstraem totalmente a figura de Jesus da propaganda natalina. O pretexto para o incremento das vendas é o aniversário de um menino judeu, filho de Maria e José, um carpinteiro de Nazaré. Quem quiser vender no Natal sem se recordar do aniversariante invente outra festa. Não embarque na maior celebração da Cristandade.

Por isso, ao aniversariante “Tudo”, como se faz no pique.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 25/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

pexels-photo-717988


Deixe um comentário

Era digital requer ousadia

O mergulho na era digital é irreversível. Quem não se aperceber disso perecerá. Ou ficará à margem, o que não é destino melhor. Investir em comunicação digital é uma urgência para todos. As escolas precisariam rever seu conteúdo a cada semestre, senão com periodicidade ainda mais reduzida. As salas de aula precisam se transformar. Se é difícil em escala fazer readequação física e de equipamentos, ao menos a mentalidade pode ser transformada. Depende da vontade de todos os interessados.

Protagonismo, iniciativa, criatividade e empreendedorismo são palavras de ordem. De acordo com a pesquisa Carreira dos Sonhos 2017, realizada pela Companhia de Talentos, a maior preocupação dos jovens é a desvinculação entre a formação escolar e a realidade do mundo do trabalho.

Como replicar em sala de aula o ambiente que o mercado requer? Os projetos precisam ser interdisciplinares e os alunos precisam trabalhar diferentes habilidades exigidas pelo mercado. Se a urgência é formar empreendedores, não empregados, é necessário entender como os brasileiros pensam e o que querem. Quais os problemas concretos, às vezes triviais, que enfrentam e não conseguem resolver. Por isso o alunado tem de ser treinado a encontrar soluções, a tomar decisões, a desenvolver habilidades fundamentais para quem precisará exercer uma atividade, mas não encontrará o mundo do emprego como existiu até há pouco.

Pensar em atuar junto às redes sociais, a relação entre meios on e off line, construção de aplicativos, compra de mídia, estratégia com influenciadores, gestão e monitoramento de canais é uma das possibilidades. Assim como a análise de dados, conhecendo estratégias de aplicação de métricas para otimizar ações. Planejar a mensuração, analisar, identificar padrões e gerar recomendações. Atuar em gameficação, mediante utilização dos jogos como meios de comunicação e sua aplicação em inúmeros setores, fora do contexto do entretenimento.

Para isso já existem cursos de tecnologia em jogos digitais, oferecidos em 122 instituições de ensino no Brasil, 46 delas em São Paulo. Se em 2010 eram 1.596 os matriculados, em 2015 foram 4.965, ou seja, 211% a mais. É a concretização da integração entre tecnologia e criatividade.

As carências do mercado de trabalho fizeram com que muitas empresas atuassem para o surgimento de cursos “in company”, ou seja, programas customizados para funcionários de determinado setor. A expertise da escola e o conhecimento específico para formar uma mão de obra cada vez mais especializada,  obrigam a uma constante busca de oferecer à vida real aquilo de que ela necessita.

Por isso é que o uso de mobiles em sala de aula, a critério do professor, é um passo importante de inserção da escola na era digital, que requer audácia e ousadia. Atributos que a imensa maioria da juventude brasileira, especialmente a de São Paulo, tem para usar, dar e para exportar.

Fonte: Correio Popular/ Campinas| Data: 22/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Du Amorim/A2IMG

15641477867_0c1c0584c2_k


Deixe um comentário

Nativos digitais e pobres analógicos

A expressão “nativos digitais” foi elaborada por Marc Prensky em 2001. Ele também teria mencionado os “migrantes analógicos”, aqueles que não têm familiaridade com a informática e são incapazes de lidar com as bugigangas eletrônicas.

A visão de Prensky evoluiu, mas continua consistente em sua inicial constatação. A educação sempre foi a conciliação entre a experiência e o saber. De pouco vale a informação para uma pessoa que não saiba o que fazer com ela. Isso já era mencionado por Montaigne em seus “Ensaios”: “Mais vale uma cabeça bem feita do que uma cabeça cheia”.

O fazer é que realmente faz a diferença. Aprendese para fazer. Fazer o quê: fazer a vida ficar melhor. Resolver problemas que nunca foram enfrentados. Fazer o mundo ficar mais fraterno, mais harmônico, mais pacífico. Fazer as pessoas felizes.

Aos poucos, a formação acadêmica, a transmissão do conhecimento, foi sequestrando a formação experimental. A mais  burra das boas intenções foi proibir a criança de aprender fazendo. Como é que ela aprendia? Permanecendo ao lado dos adultos e tomando contato com o mundo da transformação das coisas em bens da vida úteis.

Sob o argumento de se proibir trabalho infantil, privou-se a criança de qualquer atividade prazerosa e capaz de fazê-la mais disciplinada, mais ordeira, mais antenada ao custo das coisas, preocupada com o desperdício e com a otimização de tempo e de recursos.

O professor do futuro é alguém que precisa ter a capacidade de conhecer o seu aluno, saber que cada ser educando é irrepetível, heterogêneo e não encontra similar. Nem gêmeos idênticos, univitelinos, são exatamente iguais. A missão docente é descobrir qual o talento, a vocação, o temperamento, o gosto e as aptidões de cada estudante para tentar endereçá-lo para aquilo que o fará subsistir de maneira digna.

Os empregos estão acabando. Mas as pessoas precisarão fazer algo que permita que elas ganhem dinheiro e as faça felizes. Essa é a escola com que todos devemos nos preocupar, não com a aquisição de conhecimentos hoje disponíveis e acessíveis como nunca. Se conseguirmos despertar a curiosidade da criança e do jovem, ela desenhará a sua própria trajetória de vida e será um ser feliz, bem situado no convívio e capaz fazer do mundo um espaço afetivo e hospitaleiro.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 21/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: José Luis da Conceição/ A2IMG

9932491786_00844a978c_k


1 comentário

Professor tem formação continuada

O processo de aquisição de conhecimento é permanente. A cada dia, deve-se acrescentar algo ao acervo de sabedoria que se conquista durante a trajetória de qualquer humano por este Planeta. Mas se existe alguém cuja busca pelo saber representa um compromisso de substancial densidade é o professor. Para enfrentar o desafio de transmitir acervo útil de informações ao alunado, ele precisa munir-se de uma vontade crescente de se tornar a cada momento mais sábio.

Atenta a esta realidade, a Diretoria Capital Centro Sul da Secretaria da Educação do Estado promove formação continuada de seus professores coordenadores. Reuniões quinzenais têm o objetivo de refletir acerca dos fatores essenciais ao adequado desempenho dos alunos e estabelecer um diálogo produtivo entre a formação, as propostas dos documentos oficiais e os resultados obtidos conforme instrumento proposto pela Matriz de Avaliação Processual.

Algo que resulta em evidente benefício para todos é a realização de Seminário de Boas Práticas Pedagógicas. A socialização de experiências de profissionais com foco na relação entre procedimentos didáticos, expectativas de aprendizagem e os frutos alcançados é um fator de estímulo a todos os docentes, coordenadores, supervisores e demais integrantes da grande Equipe da Educação Pública Estadual.

Para o alunado, desenvolveu-se o “Teatro de Leitores”, para conferir excelência à fluência leitora. Proposta que atende aos princípios da linguagem integral, pois evento de comunicação real, em que os alunos são encorajados a ler seus roteiros. Os estudantes interagem cooperativamente com seus pares e se sentem valorizados por isso. O teatro de leitores facilita o desempenho das crianças na leitura em voz alta, promove a auto-avaliação e  aumenta a autoconfiança. Além dessa experiência, há incentivo à fluência leitura por meio de textos poéticos e através o Projeto Didático “Amigos Leitores”, fórmulas muito bem recebidas pelo alunado de fazê-lo apto a uma leitura compatível com o grau de escolaridade recebida.

Outro ponto alto da Diretoria de Ensino Sul 2 da Capital é a educação para as Relações Étnico Raciais – ERER. Atende-se inteiramente às Leis 10.639/03 e 11.645/08, com a disseminação de imprescindível consciência sobre as políticas afirmativas, resgate da cidadania coletiva, África e suas contribuições, a par de muitos outros aspectos evidenciadores de que o gênero humano é constituído da mesma matéria e que o princípio da dignidade humana incide sobre todos os integrantes da espécie, sem qualquer distinção.

Boas práticas na educação especial também foram objeto de atenção da Diretoria de Ensino Sul 2, com realização de mutirão, chamamento dos alunos especiais e adoção de uma política interna de efetivo acolhimento.

Inúmeras parcerias também são celebradas no âmbito da Diretoria de Ensino Sul 2 da Capital, como aquelas que visam reduzir o abandono escolar, o programa “Cultivar Classe Genial Juntos” e o “Prosseguir Juntos”, entre outras ações.

A qualidade do ensino público avança quando há comprometimento da equipe docente e gestora, mas também quando família e sociedade se aproximam da escola e conseguem evidenciar que consideram a educação a mais importante questão brasileira. A única suficientemente apta a solucionar todos os problemas desta Pátria. Todos, absolutamente todos, sem exceção.

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 21/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Milton Michida/A2IMG

7638944352_9a5a50faf3_h

 


Deixe um comentário

Não somos republicanos

Definitivamente, não somos republicanos. Não nos acostumamos com a igualdade, embora seja ela um princípio enfatizado no pacto federativo. A retórica é edificante. A prática, muito pífia.

Inúmeros exemplos serviriam para evidenciar nosso desapreço por essa equiparação. Comecemos do início. Não usamos a maternidade pública se pudermos pagar pela particular. Não gostamos de batizados coletivos. Menos ainda, de casamentos coletivos ou missas de sétimo dia celebradas por todos os mortos daquela semana.

Não matriculamos os filhos na escola pública. Não nos servimos de transporte coletivo. Procuramos sempre o “jeitinho” para obter uma facilidade, um privilégio, um “passa-moleque” para vencer dificuldades que a maioria enfrenta sem outro remédio senão permanecer nas filas, à espera de que a burocracia venha a ser derrotada.

Quando a fila é inevitável, procuramos furá-la. Também tentamos obter vagas sem atender à prioridade. Acreditamos que o nosso tempo é mais precioso do que o dos demais, de que nossa condição pessoal nos propicia tratamento especial ou favoritismo.

Isso é tão entranhado em nossa consciência que sequer merece consideração especial. É a norma, é o costume, é o que rotineiramente acontece. Não nos damos conta desse hábito arraigado de nos consideramos melhores, especiais e distanciados da legião dos desprovidos de tais condições.

Há um longo caminho a ser percorrido, até que nos acostumemos a refletir como cidadãos iguais, respeitadas aquelas diferenças advindas da própria natureza e, mesmo essas, suscetíveis de serem eliminadas ou reduzidas se houver vontade, esforço e sacrifício.

Enquanto não nos convencermos de que o mero fato de integrarmos a espécie humana nos impõe assumir a sério o compromisso do respeito ao outro, de observar o supraprincípio da dignidade da pessoa e submissão ao preceito da igualdade sem tergiversar, o estágio civilizatório não será aquele que apregoamos.

Todos precisamos fazer um exame de consciência para a conclusão infestável: estamos construindo a sociedade igualitária, baseada na solidariedade e com vocação a um convívio fraterno ou quanto ainda estamos distanciados dela?

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 17/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

brotherhood-2173097_960_720


Deixe um comentário

Quem foge da escola?

Um dos problemas do ensino médio em todo o planeta é a fuga do estudante da sala de aula. Fenômeno universal, o jovem não se sente atraído por preleções, enfileirado em classes que perduram no padrão medieval, enquanto o mundo se convulsiona em plena quarta revolução industrial.

Muita gente boa se preocupa com isso e procura oferecer opções ao esvaziamento da sala de aula. O Ministério da Educação procurou modificar a legislação e criou o novo ensino médio, que é uma construção coletiva e um processo destinado a contínuo aperfeiçoamento. Não é obra acabada nem pode ser, num universo dinâmico e instável como o da educação.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo desenvolve programas como o Quem Falta Faz Falta, motiva grupos de acolhimento, faz uma procura pessoal junto à família do aluno ausente. Mas tudo o que vier a ser adicionado a tais iniciativas será muito bem-vindo. Assim como a proposta do primeiro Contrato de Impacto Social, destinado a reduzir a taxa de evasão do alunado do ensino médio paulista.

O Contrato de Impacto Social é instrumento pioneiro, que condiciona o pagamento ajustado à obtenção de resultados aferíveis e criteriosos. Como toda experiência nova, atingirá pequena parcela das escolas públicas estaduais, que são mais de 5 mil. De início, 122 unidades escolares, situadas em áreas vulneráveis da Região Metropolitana de São Paulo, experimentarão o trabalho de organizações que vierem a vencer o edital publicado no final de novembro.

Parceria inédita com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estabelece que a entidade ou o grupo selecionado cumpra metas preestabelecidas e, dentre estas, porcentual de redução anual da taxa de evasão escolar. A satisfação do encargo do Estado, o pagamento por esse trabalho, dependerá do cumprimento desse e de outros indicadores mensurados em avaliações de impacto.

O sistema funciona a contento em numerosos países. Dois grupos de escolas, denominados Grupo Tratamento e Grupo Controle, serão formados com 61 unidades escolares cada um. Serão consideradas as avaliações em provas oficiais e comparadas com as obtidas por alunos em análoga situação. O impacto será confirmado se a situação do Grupo Tratamento evidenciar desempenho mais adiantado do que o Grupo Controle.

Por enquanto, o tema está submetido a consulta pública, até 19 deste mês. Aguarda-se que toda a sociedade participe desse chamamento, a fim de que ela auxilie a formular e definir tal relevante política pública. É um passo a mais no aprimoramento do ensino público, muito distante de se confundir com privatização. O Estado não declina de seu dever de cuidar da educação, ao lado da família e da sociedade.

Nada que se afaste de uma diretriz de trabalho da Secretaria Estadual da Educação, que, mediante estudos levados a efeito pela equipe do Gestão em Foco, já havia detectado o desafio do ensino médio. Não é mais possível considerar natural o abandono das aulas, a explicação reducionista da geração “nem-nem”, que “nem estuda nem trabalha”, recentemente acrescentado um terceiro “nem”: o do “não estou nem aí”…

A responsabilidade pela educação não é exclusiva do Estado, repita-se. É também da família e de toda a sociedade, como pretendeu o constituinte de 1988 ao redigir o artigo 205 da Carta cidadã. Por isso é que o primeiro Contrato de Impacto Social, além de avaliar o desempenho do aluno pelos critérios já existentes, entre os quais o do Saresp, procurará envolver familiares nesse esforço. A família precisa se engajar no cotidiano escolar de filhos e agregados e oferecer suporte consistente para motivar o aluno a estudar com afinco. Ainda não existe outra fórmula de dominar o conhecimento senão mediante esforço individual, protagonismo e sacrifício. O mais é lenda e resultado de inércia nefasta para o futuro do Brasil.

São Paulo ousa ao adotar uma alavanca já experimentada em 20 países, que surgiu após o BID oferecer seu trabalho em cooperação com o governo estadual. O BID contratou o Insper, instituição de reconhecida seriedade, para fazer aprofundada pesquisa, que envolveu coleta de dados na rede, levantamento de evidências de iniciativas efetivas no combate à fuga do alunado da sala de aula. Metodologia adequada para garantir idônea mensuração dos resultados. Estes constituirão a base para qualquer desembolso do Estado quanto ao trabalho a ser desempenhado pela organização aprovada em licitação pública.

É muito importante que o maior número possível de pessoas participe desse processo de auscultação da sociedade para imprimir rumos ousados ao contínuo aprimoramento da educação pública em São Paulo. A minuta do edital está disponível para consulta no Portal da Educação (www.educacao.sp. gov.br) até o dia 19 deste mês. Nesse período é possível solicitar esclarecimentos, oferecer críticas, apresentar sugestões, opiniões ou propostas de alteração do texto. Tudo é muito bem-vindo e orientará a administração pública a fazer o que obtiver consenso em relação ao tema de maior relevância e significado para o futuro do Brasil. Os comentários devem ser encaminhados para o e-mail consultacis@educacao.sp.gov.br.

Todos os problemas brasileiros, absolutamente todos, sem exceção, passam pela educação para encaminhamento e solução. Por isso é que todos os esforços da sociedade precisam ser focados no aperfeiçoamento da escola pública. Desta é que saem as novas gerações. A escola pública precisa acompanhar o ritmo de desenvolvimento compatível com as exigências da quarta revolução industrial e reduzir o fosso que separa o Brasil de países que ostentam os primeiros lugares na avaliação Pisa, levada a efeito a cada três anos pela OCDE. Mas isso só ocorrerá se houver um esforço conjunto, do qual ninguém se sinta excluído.

Educação é a chave transformacional do Brasil que temos para o Brasil que queremos. Responsabilidade de todos, sem exclusão de nenhuma pessoa.

Fonte: O Estado de São Paulo| Data: 14/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Milton Michida/A2IMG

8745318868_2984941e31_h


Deixe um comentário

A inteligência artificial paga bem

A inteligência Artificial ganha espaço. Já se produz smartphone com identificação facial e gadgets e veículos informatizados para cuidados de saúde ou que dispensam motorista. E, para isso, pagam salários surpreendentes. Os jovens doutores recém-saídos das universidades podem receber de 300 a 500 mil dólares por ano ou mais, em salários e ações das empresas.

O essencial é ser executivo com experiência na gestão de projetos de Inteligência Artificial. Há uma reconhecida escassez de talentos. Em todo o planeta, menos de 10 mil pessoas possuem qualificação necessária para lidar com as crescentes e importantes pesquisas em inteligência artificial. É o que proclama o “Element IA”, laboratório independente de Montreal, no Canadá.

Verdade que o plantel de profissionais aptos a esse desafio é muito pequeno ainda. Poucos se deram conta de que esse é o futuro. Mas é suficiente verificar o custo do laboratório de Inteligência Artificial chamado “Deep Mind” (Consciência Profunda, em versão livre), adquirido pelo Google por 650 milhões de dólares em 2014. Nesse ano foram contratadas cinquenta pessoas e em 2016, os custos com pessoal desse laboratório, que se expandiu para 400 funcionários, chegaram a 138 milhões de dólares. Isso significa 345 mil dólares por funcionário-ano.

 A indústria baseada em Inteligência Artificial é uma grande sorvedora dos talentos. Funciona como equipamento de sucção daqueles que se devotaram ao estudo da matemática, da física e da estatística. Daí a necessidade de despertar o alunado que pretende “vencer na vida”, conforme os padrões ainda vigentes de que o segredo é se aprofundar na matemática. Esta é primordial, essencial, fundamental e imprescindível a quem quiser enfrentar os desafios do mundo novíssimo. Era que já chegou e que, por enquanto, só premia um diminuto grupo de experts.

Os professores de Matemática têm hoje, além das incumbências normais de transmissão do conhecimento, o desafio de provar que esse universo é sedutor, apaixonante e mágico.

É a matemática a ciência que abrirá os destinos do mundo para os profissionais do futuro, tempo das “carreiras sem fronteiras” regidas pelos próprios indivíduos, liberados da imobilidade controlada pela estrutura estável dos empregos.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 14/12/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

matrix-2953869_1920