Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


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O que o Brasil quer?

A educação de qualidade continua a ser a maior urgência do Brasil e, simultaneamente, a única alternativa para que nosso País deslanche. As reformas político-sociais capazes de reverter o desalento, a fuga de talentos, o descrédito e a desesperança estão num projeto educacional consistente. Reinventar a escola continua a ser aquilo que Rui afirmou sobre a reforma do ensino que se discutia em 1882: “O germe e a seiva, a base e o fastígio, o alfa e o ômega, o princípio e o fim de tudo”.

Não se trata de elaborar novos estudos. Produzimos tonelagens de diagnósticos. Todos entendem de futebol, de medicina popular e de educação. O que falta é praticar. Praticar em casa. A mãe é a primeira mestra. Ela é a chave que aciona a curiosidade e faz do filho um leitor compulsivo. Sou testemunha e produto disso.

O pai não pode estar ausente. Ambos têm de resgatar os valores que entraram em declínio, foram para a UTI. Alguns ainda estão em estágio terminal, outros já expiraram.

Considerável parcela do Magistério é maltratada pelo alunado. Aquilo que só se dizia na escola particular, onde se abrigavam alguns filhos arrogantes do novo rico, agora também se ouve em algumas escolas públicas: “Eu pago o seu salário! Você tem de me servir”!

Triste constatar que os pais sempre assumem a defesa dos filhos, em detrimento da autoridade escolar. Não percebem que as virtudes negligenciadas pelas famílias ditas decentes respeito, ordem, obediência, hierarquia, disciplina, autoridade, assiduidade, pontualidade, compromisso e responsabilidade estão sendo aos poucos apoderadas pelas facções criminosas.

Só haverá verdadeira democracia no Brasil quando a escola for a primeira e mais urgente preocupação de todos. Pois liberdade é igual a democracia e democracia igual a instrução do povo. Novamente invocando Rui Barbosa, “A instrução do povo, ao mesmo tempo que o civiliza e melhora, tem especialmente em mira habilitá-lo a se governar a si mesmo”.

Aparentemente, a preferência está em se livrar de deveres, obrigações e responsabilidades, carreá-los todos como encargos exclusivos do governo e assumir a condição de tutelado. Alguém que não tem condições de se autogovernar e que precisa de tutores que se encarreguem de toda a existência do ser humano: desde a concepção, até o sepultamento. Em que atalho da História nos perdemos?

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 25/02/2018

Foto: A2IMG

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Honestidade é pressuposto

As eleições neste ano são o grande assunto nacional. Impossível deixar de lembrar que renovaremos o Executivo e o Parlamento nas duas mais elevadas esferas da Federação. Os programas televisivos insistem na tecla dos temas que não podem faltar no debate eleitoral. A possibilidade de interação permite aferir o que se passa na consciência de boa parcela da cidadania, ao menos aquela antenada com o que acontece no Brasil. Surgem temas como corrupção, impunidade, situação das penitenciárias, segurança pública. Tudo o que só pode ser corrigido a longo prazo, através daquilo que é o mais relevante, mas que não parece habitar a consciência dos que participam dos programas da TV: a educação.

Só a educação corrigirá seculares práticas brasileiras. Falo em “educação”, o que é muito diferente de “escolarização”. Nesta, ao menos numericamente, conseguimos a universalização. Mas o produto da escola é aquele de que o País necessita?

Educar é um processo permanente, que envolve toda a Nação. A receita já foi fornecida pelo constituinte em 1988: educação é direito de todos, mas dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade. Ou seja: ninguém está dispensado de educar. De formar as novas gerações, para que assumam suas responsabilidades no amanhã que bate às portas. Amanhã que já chegou, se houver detida atenção para os efeitos da irreversível 4ª Revolução Industrial.

Há um longo caminho a percorrer. O excesso de partidos políticos obriga o governante a fazer alianças. O chamado sistema de coalisão, que pode degenerar para governo de colisão! Máquina inflada, com estrutura que passou ao largo da racionalidade e da eficiência.

Tudo tem tradição no Brasil. Quando a Corte de D. João fugiu de Lisboa ante a invasão do General Junot e veio aportar na Colônia, chegou com milhares de corte-sãos. Além da família real, todo o funcionalismo acompanhou os soberanos. No relato saboroso de Raimundo Faoro, citando Hipólito da Costa no livro “Os donos do poder”, verificava-se que “nos escalões mais baixos, o número de funcionários aumentava, inflando e emperrando a máquina administrativa, uma vez que muitos cargos foram sendo criados apenas para atender os recém-chegados, que reclamavam sua subsistência. A maior parte dos emigrados…comportou-se como uma “chusma de satélites”. Eram os vadios e parasitas que continuariam no Rio de Janeiro o ofício exercido em Lisboa: comer à custa do Estado e nada fazer para o bem da Nação. A máquina inchava e, para dar conta das novas despesas, geraram-se impostos pelo Brasil todo. Foi em tom de brincadeira séria que a população denunciou a corrupção nessa corte voraz: “Quem furta pouco é ladrão/quem furta muito é barão/Quem mais furta e esconde/Passa de barão a visconde”.

É evidente que a percepção do povo enxergava malversação do dinheiro público. Aquilo que a experiência colonial também deixou nítido para observadores mais sagazes. Para as autoras de “Brasil: uma biografia”, Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, muitos administradores se portaram inadequadamente, fazendo “parte de uma linhagem de governantes locais prepotentes, corruptos e venais, que se aproveitavam da investidura régia para enriquecer depressa, em geral de forma ilícita. Na belíssima oratória de Padre António Vieira, que os conhecia bem, a cobiça desses governantes era sem remédio, e punha em risco a estabilidade do domínio português na América: “Esta é a causa original das doenças do Brasil: tomar o alheio, cobiças, interesses, ganhos e conveniências particulares por onde a Justiça se não guarda e o Estado se perde”, bradava Vieira do púlpito. E concluía: “Perde-se o Brasil (digamo-lo em uma palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem: vêm cá buscar nossos bens”.

Nada obstante o que a História relata, os tempos são outros. A cidadania tem condições de fiscalizar e de eleger pessoas honestas. Não como atributos excepcionais ou virtudes que as tornem superiores às demais. Honestidade como pressuposto, sem o qual ninguém pode pretender gerir a coisa pública, que é comum a todos, que é de todos.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Correio Popular | Data: 23/02/2018

Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

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O que é ser republicano?

Escrevi outro dia que não somos republicanos. Alguns estranhamentos. Quando pensava em responder e ratificar a minha impressão, constatável empiricamente em todos os ambientes que frequentei já nesta longa existência, encontrei a resposta num livro do historiador José Murilo de Carvalho. O nome, instigante, é “O Pecado Original da República”. Como subtítulo, elegeu: “Debates, personagens e eventos para compreender o Brasil”.

Pois lá na página 48, sob o título “Ser Republicano”, ele propõe um verdadeiro poema patriótico. Cita, inicialmente, o jesuíta Simão de Vasconcelos que, em 1663, já proclamava: “Nenhum homem nesta terra é republicano, nem vela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular”.

Soa familiar e atual?

Pois para José Murilo de Carvalho, ser republicano é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza. É rejeitar hierarquias e privilégios. É não perguntar “Você sabe com quem está falando”? É responder: “Quem você pensa que é”? É crer na lei como garantia da liberdade. É saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros. É repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas, familistas, paternalistas, nepotistas e corporativistas. É acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra dinheiro pago pelo contribuinte.

É saber que quem rouba dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos. É considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu. É não praticar nem solicitar jeitinhos, empenhos, pistolões, favores e proteções.

Ser republicano, já dizia há 55 anos o jesuíta Simão de Vasconcelos, “é não ser brasileiro”.

Refletir sobre esse texto leva à constatação inevitável de que a única alternativa para o Brasil é uma educação consistente. Levada a sério por todos, não apenas pelo governo, que não é o único responsável.

A ignorância – e aqui falo de algo muito diferente da falta de letramento ou escolarização – é, como dizia Rui, “a mãe da servilidade e da miséria, a grande ameaça à existência constitucional e livre da Nação, o formidável inimigo intestino que se asila nas entranhas da pátria”.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 22/02/2018

 

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Quem vencerá? O lixo ou nós?

Desde 2010, o Brasil tem uma lei que obriga a oferta de coleta seletiva de lixo pelos municípios. Só que hoje, apenas 1.055 das 5.570 cidades brasileiras a cumprem. Ainda assim, às vezes parcialmente. Menos de 20%, portanto. O que faz dos brasileiros um povo que convive com a sujeira.

É uma questão de educação. Mas é também de saúde e de economia. Desperdiçamos material precioso e deixamos de reaproveitá-lo como fazem os países ricos. Somos pobres e pouco higiênicos.

 Uma vergonha passar pelas ruas e ver detritos. Não são frutos de geração espontânea, mas resultam de nossa insensibilidade. Pessoas escolarizadas não se preocupam com o uso racional daquilo que, usado de forma insensata, multiplica nossa vulnerabilidade.

É comum verificar que mesmo diante do aviso, junto às torneiras de estabelecimentos comerciais como restaurantes, por exemplo, que uma folha é suficiente para enxugar as mãos, o “doutor” puxa várias folhas como se mostrasse a sua prepotência. “Eu mereço várias toalhas”!

Ou o motorista do carro, ao celular, jogando copos, garrafas pet e outros objetos pela janela. Por isso é que nossas cidades estão imundas e o governo não consegue mantê-las como cenário decente de vida digna.

A reciclagem no Brasil deu certo não por inspiração ecológica, mas por necessidade de uma população vulnerável e carente. Das 294 toneladas de latinhas de alumínio produzidas no Brasil em 2015, 290 foram recicladas. É uma taxa de utilização de 98,4%, recorde no mundo. É um mercado que movimenta R$ 1 bilhão por ano.

São Paulo tenta fazer sua lição de casa. Tem 99% dos domicílios atendidos por coleta de lixo. Enquanto isso, o Maranhão tem 59%, o mais baixo índice brasileiro. Mas é preciso insistir na educação. Podemos ser bem melhores se o povo colaborar.

A escola é o lugar em que se deve insistir nessa tese: povo civilizado é povo limpo. Povo limpo é povo saudável. Povo saudável gera riqueza. Riqueza, queira-se ou não – e aqui considerado o estado saudável de quem consegue sobreviver com dignidade – é um fator da felicidade possível a cada ser humano em percurso transitório por este vale de lágrimas.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 18/02/2018

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Não se escolha naufrágio

Você sabia que em 1820, a renda per capita brasileira era superior à da Austrália, Nova Zelândia e Grécia? E que o indicador, considerado importante avaliação do bem-estar, não era na Escandinávia e Canadá, muito superior ao brasileiro na mesma época? O que aconteceu com o Brasil desde então?

Deixamos de acumular capital humano. Negligenciamos tanto as habilidades cognitivas como aquilo que hoje se denomina de “competência socioemocional”. Ou seja: não levamos a sério a única ferramenta capaz de nos libertar do naufrágio certo: a educação.

No livro Roots of brazilian relative economic backwardness, do economista Alexandre Rands Barros, encontra-se uma percuciente análise da realidade brasileira. A disponibilidade de capital humano e físico – máquinas e equipamentos – responde por 90% das diferenças de renda per capita entre os países. Cotejados os dois fatores, o capital humano tem papel mais relevante.

A migração internacional de pessoas é mais lenta do que a migração de máquinas, equipamentos e tecnologia. Estes são alocados de acordo com a disponibilidade da força de trabalho mais qualificada. Por isso é que a escolaridade e a qualidade da educação dos trabalhadores são tão cruciais para o desenvolvimento de qualquer Nação.

O Brasil tem baixíssimo estoque de capital humano. Uma visão escravagista, patrimonialista e individualista impediu a adoção consistente de políticas propulsoras da acumulação de fatores pró-crescimento. A política arcaica e paroquial inibiu investimentos maciços em educação. O desenvolvimento brasileiro ainda é viável, mas se houver seriedade e enfrentamento daquilo que impulsione de maneira mais significativa a escolaridade e a qualidade da educação.

Há um nicho pensante no Brasil, que já ofereceu projetos para este ano emblemático. Uma “agenda setorial” consta do livro Retomada do crescimento. Diagnósticos e propostas, organizado por Fábio Giambiagi e Mansueto Facundo de Almeida Júnior. Ela contempla exatamente a educação, que soluciona ou ao menos atenua todos os demais problemas brasileiros. Saúde, pobreza, segurança, infraestrutura, desigualdade, meio ambiente. Educação que é dever de todos. Ninguém está excluído de libertar a população do véu de ignorância que acomete legiões, cada nicho imerso numa cegueira inconsciente ou deliberada. Olhar o outro com respeito e comiseração. Estender a mão para que o indigente saia da miséria, o desajustado consiga inclusão, o analfabeto – em sentido estrito ou funcional, o que é muito pior – consiga ler e compreender a realidade de seu universo.

O cenário otimista não deixa de considerar a imersão de milhões de brasileiros na era digital. Se quase todas as pessoas navegam nas redes sociais e se servem da tecnologia de informação e comunicação hoje disponível e a cada instante mais acessível, por que não se servir dessa ferramenta para esclarecer, para conscientizar, para desenvolver um sentido de responsabilidade que ficou escondido na onda fácil da profusão de direitos sem os respectivos deveres?

A infância tem desenvoltura que não se poderia imaginar há algumas décadas, para descobrir funcionalidades insuspeitas e para resolver problemas triviais, com os quais a sociedade convivia sem enxergá-los ou numa profunda inércia. Educação deve ser o compromisso permanente e o mais urgente, não só para o governo. Mas para a família – ou o que veio a substituí-la como núcleo afetivo sem o qual o ser humano não se desenvolve emocional e afetivamente – e para toda a sociedade.

Na era do fim do emprego, a qualificação formal é insuficiente para suprir o mercado das habilidades que o mundo reclama. Universidade, empresas, organizações, entidades e pensadores conscientes precisam investir em estruturas para identificar os potenciais exercentes daquelas atividades que são necessárias e que podem sequer ter um nome. Novas funções, novos negócios, novos afazeres exigem uma novíssima e contínua capacitação do enorme potencial de nossa mocidade. Fenômeno constatável por todos aqueles que vivenciam a experiência de oferecer instrumental tecnológico suficientemente sedutor para arejar a mentalidade nem sempre disponível na educação formal.

Uma janela de otimismo até que vai bem na era da incerteza e da incompreensão, em tempos tenebrosos que reclamam prudência e serenidade, além da invencível confiança na predestinação da espécie.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

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Autonomia dá trabalho?

A educação é o mais relevante dos projetos que uma Nação deve enfrentar. Levada a sério, soluciona – ou ao menos ameniza – todo e qualquer problema. Só que o investimento em pessoas é um processo permanente, cujos resultados não coincidem com o tempo eleitoral. Daí a descontinuidade, a insistência em frutos imediatos, a hipertrofia da preocupação com análises e avaliações.

É sempre interessante, no Estado de Direito de índole democrática – foi essa a alternativa escolhida pelo constituinte-, verificar o que o pacto fundante quer ao contemplar a educação. Erigiu-a a “direito de todos”. Em qualquer idade, a qualquer tempo, todo ser humano titulariza o direito fundamental a uma educação formal e informal de qualidade.

Só que esse “direito de todos” é “dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade”. Preceito contido no artigo 205 da Constituição da República. O que isso significa? Ninguém está liberado de atuar no sentido de obtenção de um nível educacional coincidente com o nosso discurso, com o nosso ufanismo, com a nossa intenção de ocupar espaço diferenciado entre as Nações mais desenvolvidas do planeta.

Se todos são responsáveis, há alguns cuja obrigação é exponencialmente acrescida. São os gestores. Os que administram a máquina de ensino. São os diretores de unidades escolares, considerados a “alma” da escola. Quando o diretor ou diretora se convence de que lhe incumbe fazer funcionar o estabelecimento, a despeito de todas as dificuldades, não há óbice a que a escola se converta num nicho de excelência.

Isso é tangível e se comprova científica e empiricamente, ao detectar uma escola de clima harmônico, com o gestor liderando a sua equipe e mantendo a idealista e coesa. Sabendo conversar com os pais, com os demais colegiados que fazem parte da família escolar e com toda a comunidade.

Uma das aspirações do gestor vocacionado é obter autonomia para a sua escola. E isso é perfeitamente possível. Basta que ele seja criativo, engenhoso, operoso, dinâmico e consciente de sua missão. Nada está vedado ao administrador que tem iniciativa e que sabe superar vicissitudes, para oferecer ao alunado a educação de melhor qualidade que se puder obter. Mercê de Deus e da tradição da educação bandeirante, há muitos diretores e diretoras providos desse talento e patriotismo.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

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Quem não é robô?

Umberto Eco disse que as redes sociais abriram espaço para todos se manifestarem. Antes da web, as tolices eram ditas com a barriga no balcão do boteco. Hoje a plateia é o mundo. A imbecilidade se universalizou.

Mas qual é a relevância da disseminação de todas as opiniões no mundo real? O superlativo divulgado altera, por exemplo, o resultado das eleições?

O tema continua a ser discutido nos Estados Unidos, onde as eleições presidenciais surpreenderam até mesmo o eleito, a se confiar no conteúdo de “Fire and Fury”, o livro que está causando furor ali e no mundo. Credita-se à internet a reiteração de “fake News”, que teriam derrotado a candidata favorita Hillary Clinton.

As opiniões divergem. Há quem diga que o uso midiático dessa milagrosa possibilidade de fazer sua manifestação explícita chegar a um universo incomensurável gerou o recrudescimento do fanatismo. Há razões para acreditar que a inteligência artificial se sirva de algoritmos para enfatizar as posturas radicais de maneira a obter crescente intensificação do fundamentalismo.

Aparentemente, há uma polarização de dois grandes grupos. Um mais conservador e o outro à esquerda. Temas culturais se abrigam sob os guarda-chuvas de ambos. As teses minoritárias encontram guarida na esquerda. Os reacionarismos, à direita.

O fenômeno lamentável é a enxurrada de insultos, de aleivosias, de injúrias e de ofensas veiculadas nas redes. Não se economizam adjetivos cruéis. Destila-se maldade sob múltiplas formas. É o regresso à barbárie, à idade da pedra. Os tacapes são verbais, mas não menos nefastos.

A partir da manipulação da informação, seja ela verdadeira ou falsa, na gradação de milhares tons de cinza que uma falácia pode adquirir, o resultado é uma espécie de “robotização” do fanático. Ele só presta atenção àquilo que coincide com sua concepção do mundo. Ele só quer acreditar naquilo que reforce o seu preconceito, a sua pré-compreensão, a sua visão deformada da realidade.

Não caminha rumo à edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária uma turba irada que não sabe ouvir o outro lado, que não se interessa pela argumentação alheia, que não respeita o outro.

O ano de 2018 promete uma sucessão de espetáculos midiáticos. Nem todos eles edificantes. Quem viver, verá.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

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