Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Alargar as fronteiras

5 Comentários

A única esperança de um Brasil melhor é a educação. Educação muito diferente de “escolarização”. Educação como processo permanente de lapidação dos talentos com os quais nascemos, do aprimoramento contínuo de um ser humano em constante mutação e destinado à perfectibilidade.

Tudo começa na escola. Mas a escola brasileira precisa ser reinventada. É difícil hoje convencer-se de que alguém seja detentor do conhecimento e deva transmiti-lo a uma “tábula rasa”, a alguém que nada sabe.

A concepção é outra. Todos aprendemos com todos. Ao ensinar também aprendemos e ao aprender também ensinamos. Isso vale para o alunado que nasceu em plena turbulência causada pela 4ª Revolução Industrial. O excesso de informações é um dado preocupante. Ninguém sabe o que deve ser memorizado e o que deve ser esquecido. Decorar não significa aprender. O aprendizado pressupõe adequada utilização do acervo de sabedoria com que se defrontou na busca de se tornar um ser humano melhor.

Os índices obtidos pelo Brasil nas avaliações periódicas são sofríveis. O drama é que o Brasil não investe em educação muito menos do que outras nações exitosas nessa área. É algo cultural, a refletir empenho deficitário de todos os responsáveis, a saber: Estado, família e sociedade. Não é só injetar dinheiro no sistema. É trata-lo com devotamento. Respeito, carinho, consideração, constituem ingredientes tão ou mais relevantes do que os recursos financeiros. A maior urgência é alargar as fronteiras de nosso acanhado modo de enxergar as coisas. Coragem para ousar!

Não faltam boas ideias. Algumas bem antigas, como o “sloyd”, ensino a partir do fazer. O “aprender fazendo” já fora objeto de pregação de John Dewey. Há outras linhas e todas elas têm espaço, pois a Constituição da República é muito clara: a educação é servida por princípios básicos, dentre os quais o pluralismo e a diversidade de concepções pedagógicas.

O ensino se depaupera se quiser padronizar criaturas que são irrepetíveis, heterogêneas, distintas por sua própria natureza. O ideal seria contemplar os dons de cada educando, fornecendo-lhe um projeto individualizado de preparação para a vida. Itinerários personalizados não são impossíveis e isso está nas cogitações dos implementadores da BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Cujo sucesso depende da compreensão e da adesão de todos os responsáveis. E quem não é responsável por tornar o Brasil que temos no Brasil que queremos?

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

5 pensamentos sobre “Alargar as fronteiras

  1. Idéia arrojada. Exige comprometimento dos educadores.

  2. Aos 21/05/2018
    Que bela coincidência poder ler, depois de ter visto os e-mails de hoje, que “Todos aprendemos com todos”…
    Abraços, wilma.

  3. Pingback: Dr. José Renato Nalini | Caetano de Campos

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