Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


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NÃO PRECISA IR A SEATTLE

Jeff Bezos, o homem mais rico do planeta, edificou a sede da Amazon em Seattle. E notou que a cidade não dispunha de verde. Em meio aos inúmeros edifícios que abrigam os “amazonians”, os milhares de funcionários da gigante da internet, fez três enormes globos de vidro, que abrigam réplica de florestas tropicais.

Mais de 400 espécies da flora mundial ocupam as esferas que levaram três anos para serem construídas. Abrigam orquídeas de baunilha, samambaias da Austrália, begônias da Bolívia e carnívoras da Ásia, além de uma árvore de cacau.

Os espaços se destinam a receber os funcionários para relaxar, fazer reuniões informais e praticar o “forest bathing”, ou banho de floresta. É algo que beneficia a higidez física e mental.

Há estudos que evidenciam rendimento maior quando as pessoas estão em áreas com plantas, vegetação e espaços naturais. Há uma cascata, peixes da Amazônia, um jardim vertical que chega até o quarto e último andar.

Há espaços para a realização de reuniões e uma figueira de dezesseis metros, chamada Rubi. Foi plantada em 1969 na Califórnia e transplantada após remoção e transporte por caminhão até à esfera onde hoje se encontra. Para tranquilizar os ambientalistas, a Amazon comunica que nenhuma planta foi coletada na natureza, mas em jardins botânicos, universidades e cultivadores particulares.

Quatro horticultores cuidam da vegetação e zelam por seu desenvolvimento saudável. O horticultor Sênior, Ron Gagliardo, afirma que “o mundo das plantas tem milhões de histórias para contar. O objetivo das spheres é ter gente parando para olhar de perto uma planta e aprendendo Algo novo”.

Os funcionários podem frequentar as esferas à vontade e, inclusive, trazer seus familiares. Há também visitas agendadas em dois fins de semana por mês.

Aqui no Brasil ainda há resquícios de cobertura vegetal autêntica, seja na Floresta Amazônica, seja na maltratada Serra do Mar. Se o Brasil soubesse trabalhar sua potencialidade turística e solucionasse o problema da violência, assim como da imprevisibilidade jurídica e da burocracia, talvez atraísse o mundo a visita-lo. Enquanto isso não acontece – e não há perspectivas de que venha a acontecer nas próximas décadas – quem se dispuser a apreciar aquilo que nesse período tende a desaparecer ainda conseguirá um contato com a natureza virgem. Mas corra, porque o fim está próximo.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente, conferencista e autor de “Ética Ambiental”.

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DE LONGE SE VÊ MELHOR

A comunidade internacional, que se assustou quando o Brasil quis levantar voo para se tornar grande potência, viu que o condor deu lugar à galinha. A economia brasileira continua rasteira, com o desemprego aumentando, mais de 65 milhões de nacionais fora da força de trabalho, a violência crescendo e as mentiras também.

O que parece nos anestesiar e acreditar que tudo vai bem, é visto com percepção aguda pelos estrangeiros. O Wall Street Journal publicou notícia sobre a fuga da elite tupiniquim rumo a Miami, Orlando ou Portugal, assustada com a violência e com a falta de perspectivas. Os números são o atestado inequívoco: as notificações de emigração em 2017 foram 21.700, mais de três vezes do que em 2011.

Todos conhecem alguém que, podendo, fugiu do Brasil. As filas nos consulados enfrentam toda a dificuldade para obter a cidadania e a salvação. Ajuda a mostrar o clima moral do Brasil a ampla divulgação do roubo da Medalha Fields, que o associa à atuação desenvolta das organizações criminosas. “Maior gangue do Brasil seduz recrutas com desconto de mensalidade e programa Adote um Irmão”, está no New York Times e no Washington Post.

O Los Angeles Times publica: “Temporada mortal para os defensores de terras e ativistas ambientais no Brasil”.

Essa a leitura que o mundo civilizado faz do Brasil. Aqui, em lugar de encarar a realidade, todos os candidatos fazem promessas que sabem não poderão cumprir. Não enfrentam a verdade que é o custo exagerado do Estado, com apenas oito dentre os Estados-membros que têm receita para subsistir e quatro quintos dos municípios na mesma condição.

República com quase quarenta partidos e muitos outros aguardando a vez, com Fundo Partidário para custear mamatas e sinecuras, com a corrupção a continuar como se não houvesse MP e Judiciário suficiente para apurar todos os crimes, não pode dar certo.

Vamos continuar a enterrar sessenta mil mortos jovens a cada ano. Sem falar nos que morrem nos corredores dos hospitais, das crianças sem vacina, das facções controlando todos os tráficos e mostrando o que é eficiência e organização. Enquanto isso, procuremos espaço para acenar para aqueles que querem continuar a ser enganados, com a maravilha que será 2019.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, palestrante e conferencista.

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VAZIO ÉTICOS

Há perdas irreparáveis que a continuidade dos micro-problemas rotineiros impedem sejam adequadamente reverenciadas. Três mortes recentes privaram São Paulo e o Brasil de personalidades paradigmáticas. As novas gerações precisariam ser alertadas para a inscrição de ambas no Panteão da memória ética desta sofrida Pátria.

A primeira delas é a da Professora Agnes Cretella, viúva do administrativista José Cretella Júnior. Erudita, poliglota, uma estrutura cultural raríssima no panorama da mediocridade geral, traduziu inúmeras obras clássicas. Simultaneamente, era a presença tranquila a garantir serenidade para o grande Cretella Júnior produzir sua obra imperecível no Direito Administrativo Brasileiro. Além do mais, polida, gentil, simpática, amável. Reunia um ramalhete diversificado de virtudes, a servir de modelo para a caracterização de um exemplar humano de primeiríssima qualidade.

A segunda é a do Professor Erasmo de Freitas Nuzzi, competente educador, que desenvolveu uma carreira sólida em São Paulo e foi ligado a Jundiaí, durante a primeira gestão do Prefeito Walmor Barbosa Martins, entre 1969 e 1972. Membro do Conselho Estadual de Educação, foi figura relevante para a criação do Colégio Técnico de Enfermagem e auxiliou também nas tratativas da instalação da Faculdade de Medicina de nossa terra.

A terceira é a do Procurador de Justiça Hélio Pereira Bicudo, que se tornou figura mundialmente conhecida ao lutar contra o famigerado “Esquadrão da Morte”, grupo armado que fazia justiça pelas próprias mãos, sob argumento de livrar São Paulo de seus mais perigosos delinquentes.

Escreveu o livro “Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte”, arrostou perigos numa época em que os riscos eram muito maiores, diante da indefinição do quadro da licitude e da ambiguidade de regime em que tanta coisa se praticava em nome da moralidade pública, nem sempre por meios eticamente aceitáveis.

Foi um dos fundadores do PT, foi Vice-Prefeito de Marta Suplicy e não hesitou em deixar o Partido quando do surgimento do “Mensalão”, depois sucedido pela “Lava Jato” e sua sequela de infortúnios, que privam os brasileiros de esperança na salvação da política partidária.

Cada um deles deixou um patrimônio imensurável de excelentes práticas. E é disso que a infância e a juventude precisam, para reencontrar os rumos deste Brasil aparentemente à deriva.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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PONHA A MÃO NA CONSCIÊNCIA

A Humanidade é uma entidade estranha. Capaz de incríveis conquistas e das mais abjetas crueldades.

Os otimistas dizem que a vida melhorou. Vive-se mais, a longevidade é um fenômeno científica e empiricamente comprovável. Morrem menos recém-nascidos. As profecias malthusianas não se concretizaram. O agronegócio é um setor que sustém a esperança em dias de verdadeiro desenvolvimento, o que inclui ninguém passando fome e todos vivendo de forma digna.

Mas o Brasil mata mais de 60 mil jovens a cada ano. Mais da metade da população não dispõe de saneamento básico. A abundância de água-doce encontra um feroz inimigo no homem, que a enterra para ceder espaço ao asfalto, a polui e a converte em líquido putrefato, envenenado e morto.

A raça política é abjeta, segundo a avaliação de enorme legião de sofridos párias do desemprego, vítimas da exclusão, da falta de moradia, de perspectivas de uma existência de mínima decência.

Enquanto isso, o futuro é sedutor conforme anuncia a 4ª Revolução Industrial. Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Impressão 3D, robótica, automação, progresso.

A quem se destina tudo isso? Há quem já usufrua do mundo high-tech, dispõe de tudo aquilo que o dinheiro pode oferecer em termos de conforto, bem-estar e sensação de domínio sobre a matéria e sobre os semelhantes. Mas a imensa maioria não tem acesso a esses bens da vida que a mídia espontânea, sustentada pelo capitalismo selvagem, martela sem parar, fustigando as mentes ingênuas, que se iludem com a possibilidade de consumir.

Os economicamente bem sucedidos gozam de elevado padrão de vida. Fazem adequado uso da combinação entre as tecnologias, conhecimentos e capacidades para bem usar de tais avanços. Só que o reflexo social do acúmulo de conhecimento produtivo não é fenômeno universal. Aqui no Brasil e aqui em São Paulo, bem perto de nós, há pessoas que estão com padrão de vida inferior àquilo que se convencionou chamar de mínimo existencial. A miséria e a exclusão residem junto às mansões, aos condomínios, às verdadeiras fortalezas com que os abonados tentam manter-se afastados da condição espúria dos hipossuficientes.

É mais do que urgente eliminar o fosso digital entre habitantes do mesmo espaço físico. O poderoso tem obrigação de pensar no despossuído. Senão, pagará caro pela omissão. Não adianta se esconder nos refúgios cada vez menores em que se aninham os favorecidos, porque um dia nenhuma blindagem será suficiente a protege-lo.

É uma questão de sobrevivência capacitar o semelhante a também se valer daquilo que a inteligência e a aptidão humana desenvolveu e reduzir drasticamente as diferenças. A distância entre os polos está cada vez maior. A reação pode demorar. Mas a panela de pressão está submetida a um fogo constante. Alimentado pela revolta, pelo ressentimento, pela generalização de que a política partidária é uma farsa e que, sem violência, o Brasil não mudará.

Reflitamos, meditemos, partamos para a ação rumo à edificação da Pátria justa, solidária, sem preconceitos, com redução das desigualdades e eliminação da miséria que o constituinte, há trinta anos, prometeu. Promessa que ainda não soubemos cumprir, ensimesmados nas questiúnculas que o egoísmo atroz nos submete numa rotina cega e surda.

Acordemos, antes que sejamos despertados traumaticamente desta letargia e talvez não haja tempo para esboçar reação ou tentar a salvação.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, professor universitário, palestrante e conferencista.

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AJUDE O AMBIENTE E ECONOMIZE

A produção de resíduos sólidos, que por impropriedade ou ignorância chamamos “lixo”, adquiriu proporções insustentáveis no Brasil. O paradoxo é que somos um País pobre, onde o crescimento único é o da miséria, em todos os sentidos e desperdiçamos material que é valioso. Tanto que em Países civilizados, tudo aquilo que jogamos fora é reaproveitado. Rico sabe economizar e ficar mais rico. Uma das características da ignorância é desperdiçar.

A reciclagem é a providência adequada para o aproveitamento de papel, vidro, plástico e outros produtos. Já existe modesta manifestação dessa tendência, não por amor à natureza, mas por pobreza mesmo. Muitos hipossuficientes ganham a vida vasculhando os lixões e apanhando o que pode se convertido em dinheiro e que inunda todos os espaços das cidades.

Para aqueles que se preocupam com a situação de imundície de nossos municípios e pretendam fazer algo, existe um programa “Recicle Mais, Pague Menos”, que já recolheu quase 6 mil toneladas só na capital paulista e concedeu mais de 731 mil reais de abatimento nas contas da Eletropaulo.

São 54,4 mil clientes cadastrados, o que é muito pouco para uma população superior a vinte milhões de consumidores de energia elétrica. Mas é um começo. Basta se cadastrar e levar o material para os postos de coleta. Os produtos são pesados e o cliente sai com um tíquete que indica o valor do desconto que virá na próxima conta. Há mesmo, em alguns pontos, a máquina em que o próprio cliente deposita latas e garrafas PET.

Cada brasileiro produz mais de um quilo de resíduos sólidos por dia. Quase tudo é valioso. Só não dá valor quem habita um País que não teve guerra e que não possui inverno rigoroso, com meio metro de neve durante vários meses. Daí a indolência e a negligência brasileira, que descuida do ambiente e vai transformando o mundo em uma gigantesca lata de lixo.

Para participar do Programa “Recicle Mais, Pague Menos”, veja os pontos de recolhimento na capital e região metropolitana no endereço http://aesbrasilsustentabilidade.com.br/pt/noticias/item/recicle-mais-pague-menos e comece a colaborar para reduzir sua conta de energia elétrica, a cada dia mais cara, principalmente em virtude da grave crise hídrica novamente a assustar São Paulo.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, autor de Ética Ambiental, 4ª edição, RT.Thomson-Reuters.

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INCLUSÃO COMEÇA EM CASA

A sensação generalizada entre os humanos que ainda não estão completamente anestesiados pela turbulência crescente, é a de que mal-estar, insatisfação, angústia e desalento são os produtos gerados pela nossa época.

Múltiplas e simultâneas tendências prenunciam profundas mutações no convívio: urbanização, globalização, alterações demográficas, climáticas e tecnológicas, todas violentamente disruptivas.

No Brasil cresce a violência, o assassinato de uma geração sobre a qual recairia a responsabilidade de sustentar os idosos, desertificam-se grandes áreas, somem os empregos, aumenta a miséria e a exclusão. E os discursos da política-partidária são de uma indigência que provocaria riso, não fosse motivo para chorar.

Não se espere que Governo, com o “timing” curto e egoísta de cada eleição, cuide de problemas que um povo levado a se conduzir como objeto de tutela declinou de enfrentar.

É mais do que urgente transcender os limites tradicionais e forjar parcerias sustentáveis e inclusivas. O egoísmo de alguns privilegiados tem de ceder espaço para uma constatação inevitável: não adianta construir bunkers, nem blindar carros, nem se refugiar para esconderijos incrustrados em áreas contaminadas. O exemplo do Rio é eloquente: a riqueza mais exuberante e a miséria mais abjeta convivem no mesmo espaço físico. Não é muito diferente a indomável e insensata São Paulo. Favelas disputam território junto ao Morumbi, com vias públicas que a prudência determina evitar, principalmente à noite.

Ninguém está seguro numa sociedade injusta, de exclusão e de desrespeito à dignidade humana. Ou é respeitável uma cidade que suporta mais de vinte mil seres humanos ocupando as ruas, os vãos dos edifícios, os baixios dos viadutos, os canteiros daquilo que um dia já foi praça e hoje é terra devastada?

A missão é árdua, mas é confiada a todos. Não há governo, principalmente nesta Pátria em que o governante só pensa em si, que dê conta da situação calamitosa em que todos nos encontramos. Todos são interessados em encontrar alternativas e o engajamento de todos, sem exclusão, é a única via de fuga do caos que já tomou conta de inúmeros espaços.

As gerações mais novas têm de ser chamadas para atuar ao lado da academia, da Universidade, do empresariado, das entidades do Terceiro Setor, das Igrejas e de seres humanos vocacionados a cuidar do semelhante, que – felizmente – ainda existem e que deveriam servir de exemplo para os detentores de cargo público.

Incluir parceiros, incluir ideias, formular opções para sair desta verdadeira tragédia que é o noticiário da mídia espontânea durante vinte e quatro horas a cada dia, é a única opção. Encarar a verdade, reconhecer o erro e a falência da estratégia deformada de auscultar a vontade do único soberano reconhecido pela ordem fundante: o povo. O destinatário pouco ouvido e sempre desrespeitado. É hora de incluir a vontade de salvar o País em nossa rotina. Incluir na consciência o real compromisso de assumir os deveres e deixar de exigir apenas os direitos.

Nossos netos merecem um Brasil melhor. Cuidemos disso antes que o destino de infortúnios se torne irreversível. E comecemos em casa!

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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JUVENTUDE SEDENTA DE ÉTICA

A imundície da política partidária leva os jovens sensíveis a uma fome de moralidade e a uma sede ética. A moral complacente da maior parte dos políticos profissionais não satisfaz a vontade de melhorar o mundo que anima as novas gerações. Elas sabem que o jeito de cuidar da coisa pública está longe do ideal. Que as pessoas se esquecem do bem comum e procuram atender a seus exclusivos interesses.

A maioria se desencanta, não quer participar do processo eleitoral e, com isso, deixa espaço para a gatunagem continuar. Ela está desenvolta, não se preocupa em obter unanimidade. Confia na ignorância e na capacidade de enganar ao número suficiente que garanta vitória nas urnas.

O momento não é o de desertar. Ao contrário. É a hora de escolher o melhor – ou o menos pior – e votar. E fazer com que todos votem. Não é possível continuar a reeleger aqueles que traíram os mandatos e que não representam senão à sua própria ganância de dinheiro e poder.

Talvez estimule aqueles que ainda não estão convictos de que a atuação individual é importante, mencionar o Código de Ética dos jovens cientistas partícipes do Fórum Econômico Mundial.

É um documento interdisciplinar, global e pode servir de inspiração a toda a mocidade insatisfeita com o rumo que as coisas tomaram neste Brasil em que a violência cresce, a indústria da morte prospera, a roubalheira também e tão miserável em quadros confiáveis, autorizadores de prenúncio de melhores dias.

É uma espécie de “catecismo de autorregulação” e tem apenas sete tópicos: 1) apurar a verdade. Não se satisfazer com a dúvida, nem propalar aquilo que não merece integral credibilidade; 2) apoiar a diversidade. Lutar por um ambiente em que as ideias de diversos grupos sejam ouvidas e avaliadas com base em evidências empíricas e em sensatez; 3) envolver-se com o público. Ter uma comunicação aberta para propalar as boas causas e comover as pessoas no sentido de não permitirem escape a última réstia de esperança que pode fazer a diferença neste planeta; 4) envolver-se com as autoridades. Acionar os líderes, não permitir que eles se isolem, fazer chegar a eles a opinião e a expectativa do homem comum. Motivá-los a permanecerem íntegros e a não se macularem com os descalabros de que a República está prenhe; 5) ser um mentor. Doar experiência, empoderar outras pessoas para que possam crescer em todos os sentidos e perceber o seu potencial cidadão para chegar a um nível aceitável de conduta na vida pública e na vida particular; 6) minimizar os danos. Tomar todas as precauções razoáveis para minimizar os riscos conhecidos e os riscos que fazem parte do processo participativo; 7) ser responsável. Mostrar responsabilidade em todas as ações e em todas as manifestações, até mesmo no silêncio, que pode ser eloquente quando a situação requeira explicitação incompatível com a omissão.

Pode ser pouco, mas será muito considerada a condição de desalento em que se encontra imersa a nacionalidade, que precisa de uma injeção de ânimo para não entregar os pontos e deixar o País soçobrar nas mãos e na irresponsabilidade de quem faz política por puro egoísmo e volúpia de mando.

Se cada jovem descrente conseguir convencer mais dez, será um excelente início de renovação. Não entregue a Pátria a quem não tem compromisso, a não ser com sua própria carreira e sua ambição. O jovem é o mais prejudicado, porque terá algumas décadas de imenso sacrifício, resultante da má-fé com que agiram e continuam a agir os detentores de parcela de mando. Mando que pertence ao povo e a ninguém mais. Pelo menos, é o que a Constituição da República diz: “Todo o poder emana do povo”. Quando o representante não representa, o povo pode atuar no sentido da implementação da Democracia Participativa, promessa do constituinte que depende da cidadania para ser edificada.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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