Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


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INCLUSÃO COMEÇA EM CASA

A sensação generalizada entre os humanos que ainda não estão completamente anestesiados pela turbulência crescente, é a de que mal-estar, insatisfação, angústia e desalento são os produtos gerados pela nossa época.

Múltiplas e simultâneas tendências prenunciam profundas mutações no convívio: urbanização, globalização, alterações demográficas, climáticas e tecnológicas, todas violentamente disruptivas.

No Brasil cresce a violência, o assassinato de uma geração sobre a qual recairia a responsabilidade de sustentar os idosos, desertificam-se grandes áreas, somem os empregos, aumenta a miséria e a exclusão. E os discursos da política-partidária são de uma indigência que provocaria riso, não fosse motivo para chorar.

Não se espere que Governo, com o “timing” curto e egoísta de cada eleição, cuide de problemas que um povo levado a se conduzir como objeto de tutela declinou de enfrentar.

É mais do que urgente transcender os limites tradicionais e forjar parcerias sustentáveis e inclusivas. O egoísmo de alguns privilegiados tem de ceder espaço para uma constatação inevitável: não adianta construir bunkers, nem blindar carros, nem se refugiar para esconderijos incrustrados em áreas contaminadas. O exemplo do Rio é eloquente: a riqueza mais exuberante e a miséria mais abjeta convivem no mesmo espaço físico. Não é muito diferente a indomável e insensata São Paulo. Favelas disputam território junto ao Morumbi, com vias públicas que a prudência determina evitar, principalmente à noite.

Ninguém está seguro numa sociedade injusta, de exclusão e de desrespeito à dignidade humana. Ou é respeitável uma cidade que suporta mais de vinte mil seres humanos ocupando as ruas, os vãos dos edifícios, os baixios dos viadutos, os canteiros daquilo que um dia já foi praça e hoje é terra devastada?

A missão é árdua, mas é confiada a todos. Não há governo, principalmente nesta Pátria em que o governante só pensa em si, que dê conta da situação calamitosa em que todos nos encontramos. Todos são interessados em encontrar alternativas e o engajamento de todos, sem exclusão, é a única via de fuga do caos que já tomou conta de inúmeros espaços.

As gerações mais novas têm de ser chamadas para atuar ao lado da academia, da Universidade, do empresariado, das entidades do Terceiro Setor, das Igrejas e de seres humanos vocacionados a cuidar do semelhante, que – felizmente – ainda existem e que deveriam servir de exemplo para os detentores de cargo público.

Incluir parceiros, incluir ideias, formular opções para sair desta verdadeira tragédia que é o noticiário da mídia espontânea durante vinte e quatro horas a cada dia, é a única opção. Encarar a verdade, reconhecer o erro e a falência da estratégia deformada de auscultar a vontade do único soberano reconhecido pela ordem fundante: o povo. O destinatário pouco ouvido e sempre desrespeitado. É hora de incluir a vontade de salvar o País em nossa rotina. Incluir na consciência o real compromisso de assumir os deveres e deixar de exigir apenas os direitos.

Nossos netos merecem um Brasil melhor. Cuidemos disso antes que o destino de infortúnios se torne irreversível. E comecemos em casa!

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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JUVENTUDE SEDENTA DE ÉTICA

A imundície da política partidária leva os jovens sensíveis a uma fome de moralidade e a uma sede ética. A moral complacente da maior parte dos políticos profissionais não satisfaz a vontade de melhorar o mundo que anima as novas gerações. Elas sabem que o jeito de cuidar da coisa pública está longe do ideal. Que as pessoas se esquecem do bem comum e procuram atender a seus exclusivos interesses.

A maioria se desencanta, não quer participar do processo eleitoral e, com isso, deixa espaço para a gatunagem continuar. Ela está desenvolta, não se preocupa em obter unanimidade. Confia na ignorância e na capacidade de enganar ao número suficiente que garanta vitória nas urnas.

O momento não é o de desertar. Ao contrário. É a hora de escolher o melhor – ou o menos pior – e votar. E fazer com que todos votem. Não é possível continuar a reeleger aqueles que traíram os mandatos e que não representam senão à sua própria ganância de dinheiro e poder.

Talvez estimule aqueles que ainda não estão convictos de que a atuação individual é importante, mencionar o Código de Ética dos jovens cientistas partícipes do Fórum Econômico Mundial.

É um documento interdisciplinar, global e pode servir de inspiração a toda a mocidade insatisfeita com o rumo que as coisas tomaram neste Brasil em que a violência cresce, a indústria da morte prospera, a roubalheira também e tão miserável em quadros confiáveis, autorizadores de prenúncio de melhores dias.

É uma espécie de “catecismo de autorregulação” e tem apenas sete tópicos: 1) apurar a verdade. Não se satisfazer com a dúvida, nem propalar aquilo que não merece integral credibilidade; 2) apoiar a diversidade. Lutar por um ambiente em que as ideias de diversos grupos sejam ouvidas e avaliadas com base em evidências empíricas e em sensatez; 3) envolver-se com o público. Ter uma comunicação aberta para propalar as boas causas e comover as pessoas no sentido de não permitirem escape a última réstia de esperança que pode fazer a diferença neste planeta; 4) envolver-se com as autoridades. Acionar os líderes, não permitir que eles se isolem, fazer chegar a eles a opinião e a expectativa do homem comum. Motivá-los a permanecerem íntegros e a não se macularem com os descalabros de que a República está prenhe; 5) ser um mentor. Doar experiência, empoderar outras pessoas para que possam crescer em todos os sentidos e perceber o seu potencial cidadão para chegar a um nível aceitável de conduta na vida pública e na vida particular; 6) minimizar os danos. Tomar todas as precauções razoáveis para minimizar os riscos conhecidos e os riscos que fazem parte do processo participativo; 7) ser responsável. Mostrar responsabilidade em todas as ações e em todas as manifestações, até mesmo no silêncio, que pode ser eloquente quando a situação requeira explicitação incompatível com a omissão.

Pode ser pouco, mas será muito considerada a condição de desalento em que se encontra imersa a nacionalidade, que precisa de uma injeção de ânimo para não entregar os pontos e deixar o País soçobrar nas mãos e na irresponsabilidade de quem faz política por puro egoísmo e volúpia de mando.

Se cada jovem descrente conseguir convencer mais dez, será um excelente início de renovação. Não entregue a Pátria a quem não tem compromisso, a não ser com sua própria carreira e sua ambição. O jovem é o mais prejudicado, porque terá algumas décadas de imenso sacrifício, resultante da má-fé com que agiram e continuam a agir os detentores de parcela de mando. Mando que pertence ao povo e a ninguém mais. Pelo menos, é o que a Constituição da República diz: “Todo o poder emana do povo”. Quando o representante não representa, o povo pode atuar no sentido da implementação da Democracia Participativa, promessa do constituinte que depende da cidadania para ser edificada.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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COMO SE NÃO BASTASSE

As péssimas ambientais não cessam de mostrar a tragédia em que nos encontramos neste Brasil tão bem aquinhoado pela Providência e tão carente de responsabilidade cidadã e de consciência ecológica.

A Universidade Municipal de São Caetano realizou uma pesquisa na Represa Billings e constatou que, além daquilo que já a tornava impura, há mais doze novas bactérias prejudiciais à saúde.

A pesquisadora Marta Marcondes adverte que todas elas causam doenças de pele, gastrointestinais e respiratórias. A legião dos ameaçados é enorme. Não são apenas as que moram em Eldorado, Diadema e no Grajaú, zona sul da capital. Mais de 1,5 milhão de pessoas consomem água da Billings. Estão bebendo água imprópria.

A represa não é mar. Não tem movimento e fonte própria. Vai recebendo esgotos, dejetos, o atestado contínuo da ignorância de quem produz sujeira pensando que a natureza se encarrega de processá-la e de converte-la em substância pura. Não é assim. As bactérias resultam daquele acúmulo: o lodo imundo que fica no fundo da Billings e se essas águas forem revolvidas, a situação ficará ainda pior.

Com o arremesso diuturno de imundície, a capacidade de armazenamento de água fica menor a cada dia. O perigo cresce em proporção geométrica. A seca não ajuda. Pelo contrário: agrava a situação. Menos água, mais poluição.

Não é diferente a condição da Guarapiranga. E nada se faz para sanear os únicos reservatórios de água de uma população que não para de crescer. Permitiu-se – ou até incentivou-se – a ocupação de áreas de proteção ambiental. Sem qualquer planejamento, compensação ou controle.

A intensa e crescente produção de resíduos sólidos, a ausência de cuidado em relação a substâncias tóxicas, a falta de sensibilidade em geral, típica a uma sociedade egoísta e consumista, só agravam o cenário. O Brasil que dizimou a Mata Atlântica, extingue rapidamente a Floresta Amazônica, polui solo, atmosfera e água em todos os níveis, dá um testemunho nítido do que significa o abominável retrocesso.

O descompromisso da praxe mais gananciosa, em cotejo com a retórica edificante da Constituição da República, é um brado de alerta para os poucos que não perderam completamente o discernimento. Uma pena que as maiores vítimas são os inocentes das novíssimas gerações, cujo destino foi confiado ingenuamente à nossa responsabilidade.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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JUVENTUDE NA MENTE

O “Brasil dos jovens” tem prazo de validade. Expira aos poucos para ser sucedido pelo “Brasil dos velhos”.

O eufemismo da “melhor idade”, da “geração experiente” da “juventude há mais tempo” não consegue disfarçar que a velhice carrega uma série de desconfortos. Perda de memória, de agilidade, de força, de vontade. Acompanhada de enfermidades senis, tributo que se cobra a quem não morreu no caminho.

Ainda assim, a alternativa a ficar idoso é ruim: é a morte. Por isso, quem tem sorte de viver com qualidade de vida, valorize essa dádiva.

O IBGE chegou à conclusão de que em 2060, um em cada quatro brasileiros será idoso. Ocorre que tanto as crianças com menos de catorze anos como os maduros, com mais de sessenta e cinco, serão quase metade dos brasileiros.

Lá por 2047, chegaremos ao ápice em termos de habitantes> serão 233,23 milhões. A partir daí, a curva é descendente. Em 2060, serão 228,28 milhões.

Não se pense que governo tem condições de projetar o que será a vida de quem durar até lá. Governo pensa em eleição. O timing do político profissional brasileiro é curtíssimo. Só interessa aquilo que reverter em voto. O mais, é missão da academia, da lucidez e do apostolado.

As mulheres continuarão em maioria e isso é bom. Ainda se pode confiar mais nelas para o zelo e devotamento de que os anciãos necessitarão. E a educação, obrigação da família, do Estado e da sociedade, terá de cuidar de formação de cuidadores. Não apenas aqueles que zelarão pelo bem-estar físico do velho, mas também os que se preocuparão com sua mente. O idoso, quando só, fica saudoso, nostálgico, melancólico. De mal com a vida. As pessoas que ele mais amou desapareceram. Os jovens não ligam para ele. Passa a uma espécie de limbo que as “casas de repouso” não resolvem.

Quem se propuser a desenvolver uma estratégia de cuidados especiais aos anciãos, fazendo com que a vida deles seja integrada à dos demais, que eles tenham condições de transmitir experiências, participar de diversões, exercitarem-se mental e fisicamente, ganhará dinheiro.

O principal seria inventar quem se dispusesse a ouvir o velho, sem dizer que ele já contou aquilo milhares de vezes. Com simpatia, paciência e, se possível, afeição. E que não seja robô, porque o idoso é velho, mas não é bobo!

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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INOVAR, COOPERAR E CRESCER

Os verbos mais relevantes neste século XXI são inovar, criar, empreender, colaborar e dialogar. Quem permaneceu à espera de que tudo continuasse a acontecer do jeito que acontecia há algumas décadas se assustou com os avanços da ciência e da tecnologia. Nem a ficção científica poderia ousar tanto! O mundo é outro e ainda não mostrou tudo aquilo que acontecerá nos próximos anos. Só se sabe que a vida não será como hoje. E não se pode prever como é que ela será.

O fim do emprego e a necessidade de sobreviver incita a juventude inquieta e antenada na tecnologia a inovar. O mundo empresarial precisa se abrir para a nova realidade. Empresas estáveis e aparentemente seguras não costumam ouvir os jovens sonhadores que pretendem transformar a face da Terra. Por sua vez, as startups não têm capital para investimento no sonho. Só que se ambas se derem as mãos, muita coisa boa poderá acontecer. E já está acontecendo. Infelizmente, mais no restante do planeta do que no Brasil.

Um dos exemplos é a gigante industrial Siemens, que investe quatro bilhões de dólares anuais em pesquisa e desenvolvimento e a Ayasdi, empresa inovadora de aprendizagem automática. Esta pequena empresa ganhou o Prêmio Pioneiro Tecnológico do Fórum Econômico Mundial. Sua missão é fornecer à Siemens soluções para desafios complexos ao extrair ideias de vastas quantidades de dados.

Não é simples estabelecer uma colaboração como essa. Exige-se significativo investimento de ambas as partes, até se adote uma estratégia firme, busca de parceiros apropriados, estabelecimento dos canais de comunicação, alinhamento de processos e oferta de respostas flexíveis às novas condições, tanto dentro como fora da parceria.

O Brasil ainda engatinha em projetos como esse. Lamentavelmente, a indústria brasileira como um todo não se preparou e está sucateada ante a profunda mutação ocasionada pela 4ª Revolução Industrial. Daí a urgência de recrutar a juventude que já nasceu com circuitaria neuronal digital e tentar superar o fosso – hoje aparentemente intransponível – entre o que a sociedade contemporânea exige e aquilo que a inércia pode oferecer.

Talvez o Brasil surpreenda ao ofertar respostas viáveis no estabelecimento de canais de desenvolvimento de empatia, de compreensão, de aproximação entre setores desacostumados dessa urgente precisão de construção de pontes e de demolição de muralhas e preconceitos. É a esperança de dias melhores para a triste Nação, imersa na indefinição e sem bússola confiável que permita encarar com esperança os tempos que virão.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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MAIS CONFORTO, MENOS AMOLAÇÃO

A empresa, instituição vencedora que teve de enfrentar a concorrência, a competitividade, a mutação dos hábitos e costumes, nem sempre com incentivos ou mamando no Erário, precisa adotar outras táticas de funcionamento para sobreviverem no século 21.

Tudo precisa ser mais ágil, mais racional, mais eficiente e mais rápido. O modelo operacional de plataforma resultou da rede da digitalização e a novidade da 4ª Revolução Industrial é que hoje as plataformas não são apenas digitais, mas globais, vinculadas ao mundo físico.

Uma tendência irrecusável é o interesse do cliente em dispor de tudo aquilo que facilita a sua vida ou lhe traz prazer, sem assumir encargos resultantes de tais opções. Para ser mais claro: há quem goste de ler, mas não tem espaço para uma biblioteca na redução da área física dos lares modernos, com a extinção das domésticas. Ou quem não pode viver sem música, mas não quer uma discoteca. Até mesmo quem não dispensa locomover-se de carro, mas não quer um veículo em sua garagem, com as obrigações de pagamento de IPVA, manutenção, abastecimento, etc. etc.

Pensando nisso, muitas empresas que forneciam produtos passaram a oferecer serviços. Hoje é viável o acesso digital a bilhões de livros por meio da Kindle Store da Amazon. Ouvir quase todas as músicas do mundo pelo Spotify. Associar-se a uma empresa de compartilhamento de carros que fornece mobilidade sem a necessidade de possuir um veículo.

É poderosa essa mudança e permite o surgimento de modelos econômicos mais transparentes e sustentáveis de troca de valores. Para isso, é preciso investir em talentos. Aquela pessoa considerada “louca”, talvez seja a mais preciosa para inventar novas estratégias de atender a necessidades do cliente, do que o primeiro aluno da classe, cuja distinção adveio de fabulosa capacidade mnemônica. Decorou tudo o que foi transmitido a ele na escola. Mas é incapaz de um pensamento criativo. Ser desbotado e sem imaginação. Continuará um burocrata e não terá sequer condição de chegar a uma conclusão a respeito de seu insucesso profissional. O mundo exige outras competências e quem não se apercebeu disso, continuará a se acreditar um injustiçado.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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O MUNDO QUER TALESTIMOS

O criativo fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em seu livro “A Quarta Revolução Industrial” diz que as empresas precisam adaptar-se ao conceito de “talentismo”. Considera o talento um dos mais importantes impulsionadores emergentes de competitividade. Em um mundo onde o talento é a forma dominante de vantagem estratégica, a natureza da estrutura organizacional deverá ser repensada.

Propõe hierarquias flexíveis, novas formas de avaliar e recompensar o desempenho, novas estratégias para atrair e reter os talentos competentes. São esses os fatores-chave do sucesso organizacional.

A capacidade de ser ágil, criativo, flexível e pronto a enfrentar desafios é imprescindível para a motivação de todo o corpo funcional, para viabilizar uma comunicação eficiente, para a definição das prioridades e para o gerenciamento dos bens físicos e do capital intangível da empresa.

Schwab acredita que as organizações bem sucedidas passarão cada vez mais de estruturas hierárquicas para modelos mais colaborativos e em rede. A motivação precisará ser cada vez mais intrínseca, impulsionada pela vontade de colaborar de cada empregado e pela gestão para a maestria, independência e significado. É o que sugere que as empresas tornar-se-ão cada vez mais organizadas em torno de equipes distribuídas, trabalhadores remotos e coletivos dinâmicos, em contínua troca de dados e conhecimentos sobre as coisas, tarefas em andamento e sobre novidades nunca dantes enfrentadas.

Algo que já reflete essa mudança é o cenário de trabalho emergente calcado na rápida ascensão da tecnologia vestível, combinada com a internet das coisas. Isso permite que as empresas gradualmente misturem experiências físicas e digitais para beneficiar tanto os trabalhadores, como os consumidores, como o mercado. Um exemplo: trabalhadores que operam com equipamentos altamente complexos ou em situações difíceis, podem usar as tecnologias vestíveis para ajudar a projetar e a reparar componentes.

Não é só os softwares e os dados que podem ser atualizados com base na nuvem. As competências humanas também podem se submeter a idêntico processo. E isso tem de ser imediatamente descoberto pelos educadores, para não sufocar a engenhosidade natural com que talentos jovens se propõem a fornecer a sua receita de transformação do mundo e são sistematicamente inibidos pelo anacronismo de uma escola que não viu o tempo passar, nem as coisas mudarem.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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