Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

A MAGISTRATURA E O SUICÍDIO

17 Comentários

Nunca absorvi o suicídio como algo natural. Sempre o considerei um mistério, além de uma tragédia.

Antes de ingressar na Magistratura, os episódios mais próximos me marcaram bastante. A colunista social charmosa e elegante que, mal sucedida numa cirurgia plástica de nariz, resolveu tirar a vida. A esposa traída ao tomar conhecimento do adultério do marido.

Mas nada foi tão forte quanto a experiência vivenciada a partir de minha carreira como juiz.

Logo na primeira comarca, no primeiro Natal, vejo-me às voltas com o suicídio de um colega, que já passara por ali e estava a evidenciar um sintoma de angustiante depressão. Esperou que sua promoção fosse publicada no Diário Oficial e então entrou no chuveiro e se auto-imolou com inúmeros golpes de faca.

Acreditou que assegurara à família pensão compatível, olvidando-se de que precisaria tomar posse do novo cargo para que a promoção se consubstanciasse. Não me esqueço da viúva, desesperada, a acompanhar a retirada dos inúmeros autos de processo de sua residência, logo após o infausto: – “Descanse tranquilo agora! O que o atormentava foi embora…”.

Em seguida acompanhei o drama dos magistrados cujos filhos praticaram suicídio. Varões de Plutarco, no sentido de serem juízes paradigmáticos. O peso de ser filho de um exemplo desordenou a cabeça desses jovens?

Tive contato com esses pais. Com alguns, mais do que o mantido com outros. Meu “feeling” é que tinham sido rigorosos, exigentes em relação à performance escolar de suas crias. Foi o que me levou a flexibilizar a tendência correcional que teria mantido em relação aos meus próprios filhos.

Mais tarde, comoveu-me o amigo que me procurou para conversar e que, ao verificar o volume de processos que eu tinha para examinar, apenas pediu o autógrafo num de meus livros e se despediu. Naquela semana, atirou-se do consultório do psiquiatra que o acompanhava.

Tenho remorsos por não ter sido mais aberto, mais acolhedor, mais fraterno a quem já deveria estar com problemas muito sérios.

Recentemente, assisto contristado a dois outros suicídios de desembargadores prestigiados, com carreira exitosa, nome de respeito. Ambos, inexplicavelmente, dominam o instinto de subsistência e sacrificam sua vida que, aos olhos alheios, seria uma trajetória gloriosa.

Isso já aconteceu até com Ministro do Supremo Tribunal Federal, o que evidencia que a carreira não é tudo. Ao contrário: é uma parte muito insignificante de um todo mais valioso, que é o conteúdo substancial dessa dádiva insuscetível de adequada avaliação que é o dom da vida.

Sei que há carreiras mais vulneráveis ao suicídio, como a dos policiais militares. Há enorme incidência de casos, sobretudo quando já inativos.

Algo aproxima o universo da Magistratura dessa constatação no plano da milícia. É que a carreira no Poder Judiciário é toda estruturada rumo ao topo. Durante algum tempo, comentávamos em São Paulo que a carreira fora substituída por “correria”. Pressa em chegar, urgência em obter os píncaros. Para breve momento de glória, a tática das homenagens, os rapapés, as honrarias. Em seguida, a realidade: a compulsória.

Com ela, o esquecimento, o abandono, a fuga dos amigos que foram produzidos apenas no desempenho do cargo e da função.

Não posso me esquecer de um grande nome da Magistratura Paulista, cujo aniversário em 31 de dezembro, data ingrata, era celebrado em regime de “open door”: a esposa montava grande mesa, com todo o carinho, para receber os amigos que lotavam a linda residência, do amanhecer até altas horas.

O primeiro aniversário após a “expulsória” viu o sumiço dos comensais, a fuga das moscas interesseiras. Pouquíssimos os que se lembraram da pessoa, enquanto tantos usufruíram da autoridade.

Por isso é que ao menos as Associações deveriam investir mais no preparo do juiz para o momento em que ele tem de deixar a jurisdição. São frequentes as hipóteses de profunda depressão, de comprometimento da saúde, do quadro fisiológico gerado pela decepção.

Recordar ao magistrado de que nem tudo é cargo ou função. Sob qualquer rótulo existe o que verdadeiramente interessa: uma centelha divina sob uma aparência humana. Será que não aprendemos, durante nosso mister na ciência jurídica, o postulado da “dignidade da pessoa humana”, o supra-princípio norteador de todo o nosso ordenamento?

Esse treino para a inatividade, forçada ou voluntária, salvará para outras janelas e perspectivas existenciais pessoas de extrema qualificação. Nada justifica se chegue à tragédia do suicídio. Nem a doença incurável, nem a insolvência, menos ainda o sentir-se abandonado, relegado, a sorver o sumo amargo da ingratidão.

Li há pouco o milagre da longevidade na Sardenha, ilha italiana. Após muita pesquisa, os cientistas concluíram que as pessoas chegavam ao centenário – o que é tão difícil – e o superavam, a partir de encontros e conexões afetivas.

Os mais idosos eram os que mais conversavam, olhavam nos olhos dos interlocutores, apertavam suas mãos, tocavam seus ombros. Abraçavam-se. Não tinham medo de se relacionar com estranhos. Nem constrangimento de se abrirem com pessoas as quais mal haviam acabado de conhecer.

Manter-se como elo irrepetível e indissolúvel dessa enorme teia vital que nos mantém irmanados como semelhantes, é mais importante do que colecionar gloríolas. A verdadeira vitória é a do equilíbrio, da auto-aceitação, da tolerância, da capacidade de encontrar qualidades no Outro e de saber-se parte imprescindível da exuberante coletânea de seres humanos.

José Renato Nalini é Desembargador aposentado. Foi Presidente do TACRIM-SP, Corregedor Geral da Justiça e Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

17 pensamentos sobre “A MAGISTRATURA E O SUICÍDIO

  1. Excelente Matéria, Excelente Explanação, me fortaleceu ainda mais, Grato, Hélio Parras Luque Filho -Instrutor de Xadrez -Fundac -Ubatuba -SP

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  2. Que texto mais maravilhoso! Conseguiu expressar com clareza e maestria a magnífica arte de viver! Afinal, o que importa é o coração! Q

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  3. E a realidade dos dias atuais,que possamos ficar mais atentos ao comportamento das pessoas,o “suicida sinaliza a sua intenção”,os mais próximos, devem ficar atentos ao seus comportamentos.
    Parabéns pelo relato ao Dr.Renato Nalini

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  4. Bom dia Excelência!!!
    Belo texto!!!
    Penso que Sr não tem que ter remorso pelo amigo. A depressão é uma doença traiçoeira e nos dias em que estamos piores, demonstramos as pessoas alegria, muita conversa, risos sem motivos. Ele iria cometer o suicídio de qualquer maneira, tanto é que foi no consultorio do psiquiatra. Acho impossível prever quando está tragédia está para acontecer.
    Eu me aposentei no início de janeiro. Trabalhei 38 anos e 25 anos no Tribunal de Justiça de Campinas. No início, eu me sentia em férias, mas agora já estou ficando “desesperada”, inútil, sem objetivo é necessitando encontrar um trabalho para manter a minha mente ocupada e complementar a minha renda. Afinal, comecei a trabalhar com 17 anos e Graças a Deus nunca fiquei desempregada…é difícil parar… quanto as pessoas se afastarem, já “apanhei” e sofri muito com isso com o passar da vida e aprendi que enquanto somos úteis pra elas, são nossas melhores amigas, caso contrário… se encaixa no que me disseram: quer saber quem são seus colegas? De uma festa. Quer saber quem são seus amigos? Fique doente ou pedi dinheiro emprestado. Infelizmente, já passei por tudo isso e vi quem são os meus amigos. Pouquíssimos! Me desculpe pelas minhas palavras desanimadoras, mas acho que o Sr está se sentindo como eu referente à aposentadoria. Vamos fazer caminhadas, ficar mais tempo com a família, viajar… e que Deus abençoe a nossa nova fase da vida. Um grande abraço!!!!

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  5. Grande Mestre Nalini, talvez Vossa Excelência tenha se livrado dos amigos de ocasião, mas jamais será esquecido pelos seu alunos, que certamente são milhares que o consideram e o têm em grande conta. A vida é muito mais do que poder e bajulação, é a vontade de viver, de disseminar conhecimentos e experiências, de conversar longamente com as pessoas e transmitir algo de bom. Parabéns pelo texto. Esperamos que a aposentadoria não o limite a nos visitar para palestras em nossa Subseção em Francisco Morato. Abraço. Célio Nonaka

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  6. Acho q na vida , um plano B tem q ser pensado todos os dias e implantado dentro do possível , mesmo para aqueles que estão na “ ativa”: um hobby que envolva um grupo de pessoas que se encontram regularmente, amigos completamente fora do trabalho, um compromisso com os chatos e exercicios físicos, dedicação à religião, voluntariado. Graças a Deus tenho e tinha isso qdo minha vida virou do avesso .

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  7. Silvana, abre um comércio!!! Sem grandes anseios de lucro exorbitante, ou de mega crescimento, mas um comércio em que você possa prestar um bom serviço, receber as pessoas com carinho, fazer algo de importante por elas. Com certeza vai te trazer sentido aos dias!!!!! Vale a pena você buscar alguma coisa que te motive que te inspire e que te instigue todos os dias!!! Sem esperar o reconhecimento de ninguém pelo que você foi um dia… Pelo cargo que você ocupou… Mas pelo que está desempenhando hoje. Coragem!!!! Tenho certeza que será excelente!

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    • Oi Larissa! Estou pensando nisso sim, eu gosto muito de lidar com pessoas. Só não sei se sei vender, mas não custa tentar. Quando eu trabalhava no Tribunal, trabalhei em um cartório que por 10 anos eu atendia o balcão o dia todo. Era muito cansativo e os meus “clientes”, com eu me referia, eram réus. Ali sim eu me sentia útil e adorava o meu trabalho. Hoje eu ando pelo centro da cidade e muitas pessoas me cumprimentam e nem sei quem são. Acho que são os meus clientes do passado. Obrigada pelas dicas, agora vou ter que mudar o meu público. Um abraço!

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      • Silvana, vai com fé! a sua boa vontade já basta, o “saber vender” vem com o tempo, sua clientela lhe ensina! O que o cliente busca é atendimento de qualidade, tenho certeza que fará bons negócios além de bons amigos =) sucesso!!!

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  8. Silvana, abre um comércio!!! Sem grandes anseios de lucro exorbitante, ou de mega crescimento, mas um comércio em que você possa prestar um bom serviço, receber as pessoas com carinho, fazer algo de importante por elas. Com certeza vai te trazer sentido aos dias!!!!! Vale a pena você buscar alguma coisa que te motive que te inspire e que te instigue todos os dias!!! Sem esperar o reconhecimento de ninguém pelo que você foi um dia… Pelo cargo que você ocupou… Mas pelo que está desempenhando hoje. Coragem!!!! Tenho certeza que será excelente!

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  9. Excelente texto! Entendo também que o magistrado deve buscar a espiritualidade no profundo do seu ser e conviver com ela, essa centelha divina que o ajudará a superar os momentos difíceis da existência!

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  10. Desembargador Nalin: em abril de 2015, uma semana antes do segundo turno da “PEC da Bengala”, poucos meses antes da lei complementar que consolidou a aposentadoria do servidor aos 75 anos, fui “expulso”. Presidia a 13a. Câmara Cível e integrava o Órgão Especial do TJRJ. Senti muito do que o mestre escreveu. Até nas solenidades onde o aposentado tem um lugar “especial”. E compreendo porque se nossos lugares fossem com os da ativa, talvez faltasse espaço. Uma coisa, meu desembargador Nalin, me ajudou e me ajuda muito. Criado em um lar evangélico aprendi, muito cedo, a temer a Deus e compreender que Ele é o Senhor de nossas vidas e supre todas as nossas necessidades. Que meu cargo era, apenas, uma forma de servl-lO. Aquelas “lembranças “ de escritórios em finais de ano, se foram – como as presenças nos jantares a que se referiu em sua notável peça literária. Restam-me o conforto e a paz de haver, em meio às minhas indiscutíveis falhas humanas, um instrumento de Deus. Imperfeito, porque Deus não chama apenas os capacitados, mas capacita a todos os que chama. Isto me conforta. Parabéns pelo alentador artigo.

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  11. Perdoe-me o imperdoável erro de digitação: Desembargador Nalini. Minha admiração e respeito

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  12. *Boa Tarde, Dr!*

    O peso da responsabilidade exige profissionais não apenas preparados sob o aspecto acadêmico. Uma gestão de vida equilibrada, com suporte familiar, amparada na crença e na fé religiosa, tornam-se elementos fundamentais para evitar a multiplicação de juízes suicídas.

    *Grande Abraço!*

    EDUARDO MOSNA XAVIER Capitão da Polícia Militar do Estado de São Paulo Doutorando em Educação pela USP Fone: (11) 95205-3661

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  13. Excelente texto!
    Estarei atento a novas postagens.
    Parabéns pelo blog desembargador.

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  14. Ótima matéria.
    Impulsionado por necessidades pessoais, com mais frequência acompanhei sessões no TJSP.
    Deparei com situação que causou preocupação, em relação a um profissional que sempre se mostrou combativo.
    Sempre ressaltava que quando procurado, tinha recebido as partes, ou demonstrava domínio sobre o conteúdo de memoriais.
    Tive tentativas frustadas em ser recebido, e o envio de memoriais se mostrou em vão.
    Em minha avaliação ele (ESZ) deve estar passando por problemas relacionados com o conteúdo abordado em sua matéria, gostaria muito em contribuir para que ele melhore, mas corro o risco de ser mau interpretado, e considerado como mosca interesseira, provavelmente o Dr. tenha maior proximidade e possa contribuir.

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  15. EM DEFESA DO JUDICIÁRIO

    O judiciário não é um poder protagonista como o legislativo e o executivo. Ele já tem tantos problemas de julgar milhões de processos por ano e ainda avocar-se-iam ao ativismo político!

    O judiciário trabalha na manutenção do que já existe e não na dinâmica de mudança da realidade, o que ele pode, no máximo, pela experiência dos julgados, contribuir opinando, levando ao conhecimento do legislativo e do executivo o que está dando certo e o que não está, em termos de aplicação da lei.

    O papel coadjuvante do judiciário pode servir como o termômetro da situação de paz ou de turbulência do convívio social e por meio deste termômetro medir o grau de necessidade de mudanças.

    O conhecimento dos operadores do direito, como os juízes, membros do Ministério Público e os Advogados vivem da aplicação da lei, neste sentido, indo além da principal função de pacificação dos litígios, eles levam aos representantes eleitos o grau de estabilidade do Estado de direito democrático.

    Quando as 4 instâncias começam a tomar conta da mídia, não há dúvida, muita mais que por culpa própria, é uma falência dos Poderes protagonista que não estão entendendo o norte do judiciário.

    A sociedade recorre ao judiciário cada vez mais quanto menos atua com eficiência aqueles que a sociedade elege para exercerem o poder que emana do voto. A soberania de legislar existe pela legitimidade do voto para o exercício do interesse público.

    Por outro lado, os Poderes representativos, quando eles se tornam epidemicamente corrompidos por interesses alheios à função pública, como é o caso de tudo que veio a tona na operação Lava Jato, encontramos uma sociedade traídas pelos eleitos, vitimados e o Estado Invertido.

    O que está acontecendo no Brasil hoje é exatamente isto, os poderes legitimados pelo voto para administrar o estado segue curso oposto, com malas de dinheiro de propina, enriquecimento ilícito. O povo, nos hospitais, nas escolas, sem nenhuma segurança pública, refém de traficantes e milicianos e com a participação dos eleitos deste povo, inverte o estado, que deveria existir em benefício do povo, mas existe em benefício próprio, praticando todo tipo de crime.

    Se o judiciário fica paralisado em face deste quadro enfraquecido, pela natureza coadjuvante, não tem força nem legitimidade para reverter este quadro. O judiciário como um poder de funcionários concursados: policia, promotoria, magistratura, somado aos advogados acabam, por serem tão vítimas como o povo. O judiciário fica em uma situação comprometedora porque além do dever de denunciar e julgar e executar, tem o poder constitucional de resolver os conflitos de forma pacífica, intermediando-os, mas como se seus membros estão como o povo, nas mãos destes mesmo Estado.

    E o poder extremo da força legal está na atuação das forças armadas pela garantia da soberania do país. Mas quando as estruturas internas a qual este poder também está constitucionalmente vinculado estão caindo ou desmoronando este poder tem previsão constitucional para tentar reverter o processo com intervenção transitória. Procurando com o povo uma nova legitimação de outros eleitos para a estabilização do estado de um momento de decadência guerras e miséria para a transformação e retomada para um estado de paz prosperidade e crescimento.

    Hoje está havendo no Brasil um movimento como se o poder das forças armadas seria a redenção ou a salvação para o retorno da normalidade onde os três poderes voltassem a funcionar dentro do ideal do Deveria ser do nosso utópico e imutável Direito Positivo onde ainda se vê algumas nações e países e estados que aparentemente estão em harmonia e em índices de corrupção baixo com a sociedade ou seus eleitores razoavelmente satisfeitos com o exercício do poder delegado aos eleitos o estado democrático de direito funcionando.

    O sonho de todo brasileiro é justamente este, o retorno da crença de um estado democrático de direito funcionando corretamente sem índices insuportáveis de corrupção e todo o tipo de distorções e anacronismos que sofremos dia a dia. E estamos desesperados a ponto para apelar para a intervenção das forças armadas para por o país nos trilhos. Acalmar os ânimos e criar um clima de respeito à lei e a ordem quando elas foram todas usurpados em um Estado corrompido.

    E cremos que as forças armadas estão ainda afastadas e não contaminadas, ainda que dentro deste mesmo Estado, parece algo ingênuo imaginar isso: que toda a árvore não está contaminada pelos mesmos problemas e ao menos esta parte restou preservada de toda esta corrupção.

    O mundo tem os seus próprios problemas, não estão todos voltados para o Brasil e preocupados com o que acontece aqui, todos vivem simultaneamente seus dilemas e seus desafios. Assim, o que mais poderia acontecer ao Brasil de bom seria o início de um começo a sinalizar uma melhora de todo este quadro para a volta da credibilidade para receber investimentos de longo prazo em sua infraestrutura, e um novo tempo de prosperidade, seria o melhor dos cenários, seria o melhor dos sonhos que isso acontecesse ou começasse a acontecer, porque ainda que tudo se comunique e se interage, ainda creio que a economia é a energia e a matéria do big beng., o início o meio e o fim de tudo, do gênesis ao apocalipse, do microcosmo ao microcosmo, da matéria a ante-matéria.

    A economia brasileira está acima do bem e do mal, de todos problemas, até do mais grave deles, que é o Estado corrompido.
    Há uma comunicação entre todas as estruturas: cultura, arte, costumes, mas a economia é a espinhal dorsal a coluna vertebral. A democracia, a política e a segurança pública todos dependem da saúde da economia.

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