Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

O BRASIL ARDE EM CHAMAS

2 Comentários

A sociedade brasileira, imersa em uma concepção exótica de cultura, não tem – ao menos nem toda ela – condições de avaliar o que significou o incêndio do Museu Nacional do Rio na noite de 2 de setembro de 2018.

Dentre as inúmeras manifestações que pudemos ler e ouvir, duas me marcaram bastante. A primeira é de Marília Facó, Professora Doutora vinculada à instituição incendiada: “O fogo que varre e destrói, na noite deste domingo, o Museu Nacional é, ao mesmo tempo, real e simbólico. São acervos valiosíssimos, perdidos para todo o sempre. São séculos de história, cultura, educação, anos de pesquisa e trabalho que o fogo leva, que o Brasil perde em meio a uma indiferença que, se não é geral, parece ser majoritária. Crônica de uma morte anunciada, se pensarmos em como se destina, neste nosso país, um lugar imerecido ao que tem de fato valor, como educação e cultura (isso sem falar em saúde). O que sobrou? Sobramos nós e a nossa esperança”.

Outro foi o pronunciamento de Alexandre Garcia, cuja concisão e contundência todos conhecem. Lamentou os milhares de anos cuja documentação foi consumida em cinco horas, por descaso do governo, ávido em permanecer no poder e em se reeleger, premeditadamente a condenar o povo à mediocridade. “Quem não respeita o passado, como é que pretende gerir o futuro?”.

Infelizmente, o Brasil mergulhou na indigência cultural, como já antes se emporcalhara na indigência moral. Sentimento que contaminou toda a Nação, que assiste sem compreender exatamente o que ocorreu, mas que não tem capacidade de se indignar quando se escancara a falência da educação convencional, com quase 70% dos estudantes muito abaixo do mínimo compatível com o seu nível de escolaridade.

Incentiva os jovens aos “pancadões”, ao consumo de droga, lícita ou ilícita, ao porte de arma, a exercer histeria em tantos shows internacionais, para isso valendo permanecer na fila durante dias seguidos. Mas que absorve como “fatalidade” um incêndio. E que acha normal que se prometa recuperar a “casca” estrutural, sem conseguir apreender o que significou essa perda.

Semana da Pátria, que começa como “Semana do Pária”, esse pobre brasileiro privado de cultura, de vontade de se abeberar do passado, sem noção do que significa o cultivo da História, da memória e da tradição.

José Renato Nalini  é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista, autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

2 pensamentos sobre “O BRASIL ARDE EM CHAMAS

  1. Sem dirigir desde 2013, passei a usar transporte coletivo e fui surpreendida ao passar naquela esquina da Heitor Penteado e a Cerro Corá com som de disparos e pedras e o ônibus acelerando para fugir sem feridos – o motorista me disse que às sextas, os jovens ficavam ali em número reduzido. Quando o ônibus parava no ponto, o pessoal que se escondia no morro, naquela praça invadia o ônibus, roubava armado, feria pessoas – um bando de jovens adolescentes, muitas meninas com fisionomias de 13, 14 anos, consumindo drogas, indo para o pancadão… nossa, foi uma forma rápida de se ver como culturalmente o Brasil tinha involuído nos anos que estive fora do Brasil;não acompanhei a trajetória – mas o Brasil que encontrei ao retornar me surpreendeu negativamente. Nada a ver com a descrição de Stefan Zweig, não mais. Agora temos que reconstruir a cultura brasileira em todos os seus aspectos: educacionais, religiosidade, artes, descobrindo como a Liberdade está na Vida Cultural equilibrando-se com a Responsabilidade.

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  2. *Boa Tarde, Dr!*

    As chamas não corromperam apenas o conteúdo interno e externo do Museu Nacional. Nossa cultura arde em sofrimento, pela completa falta de nexo com a efetiva cultura produzida pelo povo brasieliro. É uma tristeza constatar que mais de 500 anos de história são reduzidas á letras pérfidas, replicadas com sons que estimulam práticas libidinosas, corrompendo nossa juventude.

    *Grande Abraço!*

    EDUARDO MOSNA XAVIER Capitão da Polícia Militar do Estado de São Paulo Doutorando em Educação pela USP Fone: (11) 95205-3661

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