Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

VIDAS SECAS

2 Comentários

Você que fica longos minutos no banho, deixa a torneira aberta para fazer a barba, não se preocupa com a crise hídrica porque “está pagando”… veja o que acontece hoje em grande parte do Brasil.

Sabe-se que o Nordeste é a região das secas. Mas o Nordeste começa no Norte de Minas. Em Berizal, as obras de uma barragem foram paralisadas. O mato cobre tudo. Apenas um caminhão pipa atende à população. Há seis anos o problema se agravou no norte de Minas. Chuva sempre abaixo da média e 70% dos rios e córregos secos.

Quando não há rio, nem barragens, poços e nascentes esgotados, a agropecuária fica sem alternativa. De 2012 para cá, o número de cabeças de gado da região caiu 25%. A área de pasto degradado chega a quase 90%. A perda de grãos na última safra quase chega a 90% também e a de leite quase 70%. Água para beber, só de caminhão pipa e a cada quinze dias.

A juventude vira estatística do êxodo rural. Há 20 anos, os rios eram caudalosos e piscosos. Ninguém imaginava uma seca destas proporções. É que o desmatamento impede a irrigação da água da chuva, essencial para recarregar os lençóis freáticos e nascentes. Montes Claros, a grande cidade do Norte de Minas também padece por falta d’água. E até Pirapora, cidade turística à margem do Rio São Francisco, tem dificuldades em captar água para atender à população de 60 mil habitantes. Além da falta d’água, – e por causa dela – 70% da renda do município se esvaiu.

Seca, desmatamento, assoreamento, tudo impede que a pouca água chegue à boca do mineiro nordestino. O orgulho da cidade era o barco a vapor “Benjamin Guimarães”, único do tipo em funcionamento em todo o planeta. Mas desde 2014 não consegue navegar, por falta de condições do rio. Este não atinge a profundidade mínima e o barco vai apodrecendo.

E é um barco bonito, como aqueles do Mississipi americano. Foi construído em 1913, nos Estados Unidos e levado ao São Francisco na década de 1920. Três andares, doze camarotes, bar, pode transportar até 244 passageiros. Até 1980, ano em que a navegação do rio entrou em decadência, o “Benjamin” transportava carga e passageiros de Juazeiro, na Bahia, até Pirapora. Aqui, por meio da Estrada de Ferro Central do Brasil, chegava ao Rio e a São Paulo.

Hoje a população vive à míngua e nada indica mudança nessa triste situação de um País onde se continua a malversar recursos do povo, como se não existisse Lava-Jato, Justiça, cadeia ou hora de acerto de contas.

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT-Thomson Reuters.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

2 pensamentos sobre “VIDAS SECAS

  1. Sempre o acompanho em vossas reflexões. E cada vez que faço a leitura delas mais aprendo, mais fortaleço minha esperança é vontade de ler, escrever, para contribuir com um dia um Brasil melhor. A alusão à João Cabral de Melo Neto foi muito feliz porque ele soube expressar na poesia assim como o seu texto a alta. Alma sofrida e desalenta do nordestino. Mas que está presente em todos nós.

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  2. Realmente não podemos culpar exclusivamente a Natureza pelos incidentes climáticos que ocorrem no Nordeste e em outras partes do mundo. Nossa conduta predatória e incosnquequente resultará, cada vez mais, num processo de degradação que colcoará o planeta na UTI. “Faltam apenas 2 minutos para a meia-noite!”

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