Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

ATÉ A CANA PADECE

2 Comentários

O problema da água no Brasil é muito sério. O ufanismo que cerca os governos em busca de eleição ou reeleição é um véu diáfano que pretende fazer crer que o pior já passou. Não passou. Ainda nem chegou. E a continuar neste ritmo, todos terão saudades de 2014.

São Paulo é o Estado mais afetado pela seca em 2018. Agora talvez venham algumas providências tardias, porque a falta d’água está afetando a todo-poderosa cultura da cana-de-açúcar. Prenuncia-se redução de até 40 milhões de toneladas na safra atual.

A safra de 2017/2018, encerrada em março, significou 596 milhões de toneladas de cana, tudo moído pelas usinas. A safra 2018/2919 não atingirá 546 milhões de toneladas.

Parece pouco, mas significa mais do que a produção total do Paraná, que é o quinto maior produtor de cana. Neste ano, moeu 37 milhões.

São Paulo responde por 80% da perda e a região mais prejudicada é a de São José do Rio Preto e Araçatuba. A seca vai impactar o preço do etanol a partir de outubro.

Excelente oportunidade para que os plantadores de cana-de-açúcar repensem os seus métodos. O regime pluviométrico de São Paulo era muito melhor quando havia maior cobertura vegetal nativa. Quando se dizima a mata atlântica, hoje apenas uma amostra do que ela foi, desaparecem os córregos, os cursos d’água, sufocam-se as nascentes.

Água, para quem não sabe, é um bem finito. Pode-se viver sem petróleo. Mas não se vive sem água. E água depende de preservação ambiental.

            O setor sucroalcooleiro poderia cuidar de investir no Projeto “Nascentes”, de recuperar as matas ciliares, de replantar espécies originais que praticamente desapareceram e, com certeza, a médio e a longo prazo, a natureza se encarregaria de dar a resposta benfazeja que ela sempre deu.

A alternativa é muito ruim. A crise hídrica atinge a todos, indistintamente, ceifando a vida. Primeiro, a vida vegetal. Depois, a vida animal. O homem faz parte dessa cadeia cujos elos não podem ser rompidos. Basta um pouquinho de sensibilidade, de humildade e de respeito a um patrimônio natural que o homem não construiu, mas sabe destruí-lo com uma volúpia que faz descrer na racionalidade da espécie.

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed, RT-Thomson Reuters.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

2 pensamentos sobre “ATÉ A CANA PADECE

  1. É isso mesmo, querido Renato Nalini, é preciso e urgente conscientizar os empresários rurais, especialmente os da área sucroacoleira, da preservação do meio ambiente, senão em atenção à sobrevivência da humanidade,ao menos em proteção ao próprio negócio.

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  2. Bom Dia, Dr! Além do problema ambiental da cana, infelizmente, no interior do Estado, essas plantações dividem espaços com os presídios. “Cana e Cana”, como um certo amigo meu diz. Grande Abraço!

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