Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

SUICÍDIO DE UMA NAÇÃO

6 Comentários

É muito triste para o brasileiro que não anda em suas melhores frases, ver que depois do New York Times noticiar “o declínio de uma nação”, o francês Le Monde fala em “naufrágio de uma Nação”. E essa nação é o nosso Brasil!

Para os franceses, o país “parece ter perdido o controle de seu destino”. Tudo contribui para isso. Desde as balas perdidas que matam crianças em comunidades controladas por quadrilhas e os representantes da sociedade civil assassinados à luz do dia.

Uma política pérfida, em que o interesse único é se locupletar, o desprezo pela educação, pela cultura, pela saúde, pelo ambiente, só poderia gerar tal sensação. Em quem acreditar?

Nós, imersos na grande tragédia nacional, em que mais de 65 mil jovens são mortos a cada ano, sem falar na volta dos grandes assaltos a bancos, principalmente em cidades pequenas, na droga dominando tudo e financiando a criminalidade organizada, não percebemos quão grave é a situação. Lá de fora, territórios que vivenciaram milhares de anos de civilização se condoem. A França tem experiência triste com o Brasil. Claude Lévy-Strauss veio aqui em 1935 para ajudar a formação do primeiro corpo docente da Universidade de São Paulo. Ficou cinco anos. Pesquisou. Conviveu com indígenas. Gostou do Brasil.

Voltou cinquenta anos depois, em 1985. Ao verificar o centro de São Paulo, que já estava em decadência, o crescimento da miséria e a degradação do convívio, pronunciou o célebre epitáfio: “O Brasil chegou ao declínio sem ter passado pelo ápice!”

O que dizer quando a mesmice domina os debates, quando as promessas são incumpríveis, quando os bons não têm chance, o novo não decola e tudo parece condenar o Brasil a ficar com a mesma caterva de sempre?

Harvard está patrocinando um curso chamado “Política no Brasil”, dizendo que o País não é para iniciantes: “Not for Begginers”. Recomenda aos seus alunos que leiam um texto publicado no New York Times, chamado “Como foi que arrancar a raiz da corrupção mergulhou o Brasil no caos”.

O Le Monde termina melancolicamente, dizendo que alguns falam em “suicídio de uma nação”. Para concluir: “É o que parece”.

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

6 pensamentos sobre “SUICÍDIO DE UMA NAÇÃO

  1. Parabéns.!!!

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  2. È uma pena ver um país com tão grande potencial sendo destruido por esse mar de lama que se instalou desde os tempos do Imperio.

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  3. São irrefutáveis vossa constatação.
    Vivemos dia a dia essa realidade.

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  4. Excelente texto e trite realidade nós brasileiros, ficarmos de mãos atadas e nada fazermos para transformar esse trite cenário atual .

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  5. Bom Dia, Dr! Parecem que os “brasilianistas” tem um diagnóstico mais preciso de nossa realidade que os próprios brasileiros. Como política é baseada em “escolhas de sofia”, como um certo amigo meu diz, vamos aguardar cenas dos próximos capítulos de nossa tragicômica novela brasileira. Grande Abraço!

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  6. O desalento também na Economia.

    EM DEFESA DO JUDICIÁRIO

    O judiciário não é um poder protagonista como o legislativo e o executivo. Ele já tem tantos problemas de julgar milhões de processos por ano e ainda avocar-se-iam ao ativismo político!

    O judiciário trabalha na manutenção do que já existe e não na dinâmica de mudança da realidade, o que ele pode, no máximo, pela experiência dos julgados, contribuir opinando, levando ao conhecimento do legislativo e do executivo o que está dando certo e o que não está, em termos de aplicação da lei.

    O papel coadjuvante do judiciário pode servir como o termômetro da situação de paz ou de turbulência do convívio social e por meio deste termômetro medir o grau de necessidade de mudanças.

    O conhecimento dos operadores do direito, como os juízes, membros do Ministério Público e os Advogados vivem da aplicação da lei, neste sentido, indo além da principal função de pacificação dos litígios, eles levam aos representantes eleitos o grau de estabilidade do Estado de direito democrático.

    Quando as 4 instâncias começam a tomar conta da mídia, não há dúvida, muita mais que por culpa própria, é uma falência dos Poderes protagonista que não estão entendendo o norte do judiciário.

    A sociedade recorre ao judiciário cada vez mais quanto menos atua com eficiência aqueles que a sociedade elege para exercerem o poder que emana do voto. A soberania de legislar existe pela legitimidade do voto para o exercício do interesse público.

    Por outro lado, os Poderes representativos, quando eles se tornam epidemicamente corrompidos por interesses alheios à função pública, como é o caso de tudo que veio a tona na operação Lava Jato, encontramos uma sociedade traídas pelos eleitos, vitimados e o Estado Invertido.

    O que está acontecendo no Brasil hoje é exatamente isto, os poderes legitimados pelo voto para administrar o estado segue curso oposto, com malas de dinheiro de propina, enriquecimento ilícito. O povo, nos hospitais, nas escolas, sem nenhuma segurança pública, refém de traficantes e milicianos e com a participação dos eleitos deste povo, inverte o estado, que deveria existir em benefício do povo, mas existe em benefício próprio, praticando todo tipo de crime.

    Se o judiciário fica paralisado em face deste quadro enfraquecido, pela natureza coadjuvante, não tem força nem legitimidade para reverter este quadro. O judiciário como um poder de funcionários concursados: policia, promotoria, magistratura, somado aos advogados acabam, por serem tão vítimas como o povo. O judiciário fica em uma situação comprometedora porque além do dever de denunciar e julgar e executar, tem o poder constitucional de resolver os conflitos de forma pacífica, intermediando-os, mas como se seus membros estão como o povo, nas mãos destes mesmo Estado.

    E o poder extremo da força legal está na atuação das forças armadas pela garantia da soberania do país. Mas quando as estruturas internas a qual este poder também está constitucionalmente vinculado estão caindo ou desmoronando este poder tem previsão constitucional para tentar reverter o processo com intervenção transitória. Procurando com o povo uma nova legitimação de outros eleitos para a estabilização do estado de um momento de decadência guerras e miséria para a transformação e retomada para um estado de paz prosperidade e crescimento.

    Hoje está havendo no Brasil um movimento como se o poder das forças armadas seria a redenção ou a salvação para o retorno da normalidade onde os três poderes voltassem a funcionar dentro do ideal do Deveria ser do nosso utópico e imutável Direito Positivo onde ainda se vê algumas nações e países e estados que aparentemente estão em harmonia e em índices de corrupção baixo com a sociedade ou seus eleitores razoavelmente satisfeitos com o exercício do poder delegado aos eleitos o estado democrático de direito funcionando.

    O sonho de todo brasileiro é justamente este, o retorno da crença de um estado democrático de direito funcionando corretamente sem índices insuportáveis de corrupção e todo o tipo de distorções e anacronismos que sofremos dia a dia. E estamos desesperados a ponto para apelar para a intervenção das forças armadas para por o país nos trilhos. Acalmar os ânimos e criar um clima de respeito à lei e a ordem quando elas foram todas usurpados em um Estado corrompido.

    E cremos que as forças armadas estão ainda afastadas e não contaminadas, ainda que dentro deste mesmo Estado, parece algo ingênuo imaginar isso: que toda a árvore não está contaminada pelos mesmos problemas e ao menos esta parte restou preservada de toda esta corrupção.

    O mundo tem os seus próprios problemas, não estão todos voltados para o Brasil e preocupados com o que acontece aqui, todos vivem simultaneamente seus dilemas e seus desafios. Assim, o que mais poderia acontecer ao Brasil de bom seria o início de um começo a sinalizar uma melhora de todo este quadro para a volta da credibilidade para receber investimentos de longo prazo em sua infraestrutura, e um novo tempo de prosperidade, seria o melhor dos cenários, seria o melhor dos sonhos que isso acontecesse ou começasse a acontecer, porque ainda que tudo se comunique e se interage, ainda creio que a economia é a energia e a matéria do big beng., o início o meio e o fim de tudo, do gênesis ao apocalipse, do microcosmo ao microcosmo, da matéria a ante-matéria.

    A economia brasileira está acima do bem e do mal, de todos problemas, até do mais grave deles, que é o Estado corrompido.
    Há uma comunicação entre todas as estruturas: cultura, arte, costumes, mas a economia é a espinhal dorsal a coluna vertebral. A democracia, a política e a segurança pública todos dependem da saúde da economia.

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