Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

AO ALCANCE DA VONTADE

1 comentário

Não se pode alegar ignorância quando se trata de salvar o que resta de natureza nesta terra infeliz. O Brasil que queima museus, queima também o museu natural, vivo e dinâmico da floresta. Já dizimou percentual que varia segundo os interesses, mas é visível a destruição do verde e sua substituição por nefastos signos de quão ignorante se torna o ser humano. A desconhecer sua vinculação íntima com toda a corrente vital da qual ele é apenas um dos elos. O elo mais impiedoso, pois o único a se considerar racional e o agente exclusivo da premeditada extinção de todas as espécies de vida. Inclusive a sua própria.

A mídia espontânea de quando em vez mostram o desastre da tutela ambiental num País que já foi considerado na vanguarda. Ainda há poucos dias, noticiava-se o incêndio criminoso de uma área reflorestada da Floresta Nacional do Bom Futuro em Rondônia. A apenas 140 km da capital, Porto Velho.

Essa reserva florestal já fora reduzida de dois terços em 2010, governo Lula. Influenciou a medida o senador Ivo Cassol – PP, que ajudou a legalizar 3.500 posseiros na floresta preservada. Desde então, o conflito ali só tem aumentado. Mataram um PM em 2013. Roubo de madeira e incêndios são comuns. Os invasores sabem que a classe política está do lado deles. Se ela consegue até revogar o Código Florestal, o que não fará no âmbito local?

A ONG Canindé é vítima desse crime permanente. “A partir da Bom Futuro, invasores, grileiros e políticos incentivadores de invasão passaram a concretizar a ilegalidade. Dizem à população: você invade, porque eu garanto que legalizo. Estamos sofrendo uma pressão muito grande. Não só dos invasores em si, mas de tudo o que cerca esse processo de invasão. Eles não invadem sozinhos: há técnicos de georreferenciamento, advogados, empresários e a classe política, que se apropria dessa causa para ganhar votos. É uma luta de Davi contra Golias, o dia todo, o tempo todo”.

Mas o Brasil não se envergonha de assumir compromisso internacional, no Tratado de Paris, de eliminar o desmatamento. E sabe que há fórmulas para salvar o ambiente, sem prejudicar a lavoura. É só priorizar a regularização fundiária, com integração de cadastros rurais, concluir o Cadastro Ambiental Rural – CAR, tornar o Registro de Imóveis, que já é um conservador da realidade fundiária e dominial de todo o Brasil, o guardião permanente da verdade ecológica, elevar a eficiência de órgãos controladores como Anvisa, Ibama Incra e Funai.

Além disso, elaborar zoneamento ecológico-econômico do território, recuperar pastagens – há muito espaço degradado, que não serve nem à pecuária, nem à lavoura e menos ainda ao ambiente – sem que isso tornasse necessário derrubar uma só árvore.

Aumentar a produtividade da pecuária, proibir servidores públicos de elaborarem estudos, patrocinados por interessados, no sentido de que a fauna do canavial é superior à da Mata Atlântica, por exemplo. Zerar o desmatamento ilegal, recompor florestas para cumprir metas do Acordo de Paris. Promover educação ambiental permanente, formal e informalmente, para que o brasileiro aprenda a valorizar esse patrimônio valiosíssimo que recebeu gratuitamente e que vem destruindo impunemente.

Ainda há consciência ambiental no mundo civilizado e ela poderia ser conclamada a colaborar com um povo que não está sabendo como conservar sua biodiversidade. Por isso, buscar recursos privados para superar gargalos logísticos, assim como estradas, rodovias, hidrovias e portos, também tem de entrar na agenda.

Tudo isso é conhecido e não é novidade. Os que deveriam saber não o desconhecem. Por que não fazem? Porque não querem. Isso é evidente. Todo o arsenal imenso de instrumentos para salvar os resíduos de verde que resistiram à sanha dendroclasta do brasileiro está à disposição. É só servir-se dele. Mas se não há vontade, o que se pode fazer?

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “AO ALCANCE DA VONTADE

  1. Bom Dia, Dr!
    Realmente entristece aquilo que devolvemos para nossa generosa Mãe Natureza. O que será de nós, filhos desgarrados e inconsequentes? Grande Abraço!

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