Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

O MAR VAI TRAGAR TUDO

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Quem não acredita que o aquecimento global fará o mar avançar e acabar com as cidades litorâneas, precisa prestar atenção ao que já está acontecendo no mundo todo. Inclusive no Brasil.

Os jornalistas Annia Ciezadlo e Preethi Nallu relatam, na reportagem “Aumento do nível do mar já é realidade no mundo e sai caro” (FSP de 10.10.18), o drama dos habitantes de Cochin, na Índia. Essa cidade, na costa sudoeste indiana, estado de Kerala, foi inundada depois de uma chuva persistente de três dias.

Cochin tem um aeroporto que é paradigma: o primeiro do mundo totalmente movido por energia solar. Nem por isso se livra daquilo que será o futuro, se a humanidade não se converter. E com urgência. Os painéis solares do aeroporto já estavam submersos. Poucas horas depois, a água rompeu a parede atrás da pista de decolagem com a força de uma represa explodindo.

Ocorre aquilo que eu tenho repetido, como voz clamando no deserto. Todos pensavam que o nível do mar subiria daqui a cem anos. E a reação dos viventes é aquela já conhecida: “Até lá eu já morri! Quem ficar que se vire!”. Só que a rapidez está forçando os vivos a se mexerem.

As inundações são a consequência mais concreta e inevitável do aquecimento global. Temperaturas mais altas aumentam o nível do mar e chuvas mais intensas vão produzindo enchentes mortíferas.

O custo dessas catástrofes não é suportado apenas pelas vítimas diretas. Chegam a todos. Inclusive a nós. Economistas tentam calcular os efeitos de longo prazo das inundações nas cadeias globais de comércio, no PIB de países, nas rendas familiares e na desigualdade social. Pesquisas emergentes provam que os custos humanos e financeiros das inundações já são muito mais altos e muito mais duradouros do que se suspeitava. As perdas na economia mundial já chegam a 17%.

Os cálculos são irreais. Em regra, inserem a reconstrução das casas afetadas e o custo da reconstrução da infraestrutura. Mas estudos recentes mostram que mesmo vinte anos após o impacto de um furacão, há um declínio no PIB. Por isso, não é um problema litorâneo. É algo que prejudica a todos. São “custos em cascata”, que se propagam por regiões, economias e vidas.

O aeroporto de Cochin avaliou um prejuízo de 27 milhões de dólares pelos dias em que permaneceu fechado. Mas quantos anos serão necessários para que as pessoas que permanecem em abrigo reconstruam suas vidas? E o custo intangível do sofrimento, da angústia, do desalento?

Hoje, 40% da população mundial vive a 100 km da costa. Esse número está aumentando, graças também às mudanças climáticas. As secas levam as pessoas do interior a migrarem para as periferias das principais cidades do mundo, quase em sua maioria no litoral. São áreas mais vulneráveis a inundações. São cidades projetadas para um mundo que não sonhava com mudanças climáticas. Terão de ser repensadas. Rapidamente. Santos já começou a realizar obras. Mas serão suficientes se a causa do aumento do nível do mar – emissão de gás carbônico – não for eliminada?

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, professor da Uninove e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT.Thomson Reuters.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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