Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

JÁ É UM COMEÇO

1 comentário

Somos pessimistas e temos vontade de responder a quem nos acusa disso, como o fez José Saramago: “Não sou eu o pessimista. O mundo é que anda péssimo…”.

Mas nem tudo é horror na Terra de Santa Cruz. Os desiludidos porque perderam as eleições têm de encontrar motivos para continuarem na luta. Para mostrar que deveriam ser maioria. A regra democrática é essa: a minoria tem o direito de convencer os insatisfeitos do outro lado, até se transformar em maioria. Aí ela pode ganhar as eleições.

Um dos pontos de apoio para essa reação é deixar de lado o complexo de “vira lata” que os brasileiros em regra cultivam. O “coitadismo”. A inferioridade quando comparados os nossos atributos com os dos povos civilizados.

Especialistas da FGV escreveram um livro para os desalentados. Chama-se “O Brasil Mudou Mais do que Você Pensa”. Foi editado pela FGV Editora. Mostram que no período de 20 anos, entre 1995 e 2015, houve melhoras na sociedade tupiniquim. O período foi escolhido porque é a fase em que o PNAD-Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE ofertou dados confiáveis.

A educação, por exemplo, que todos detonam – e não é difícil encontrar misérias em todos os setores – é um campo em que há progresso mensurável. Nas classes A e B, o ensino para as crianças de 6 a 14 anos já estava praticamente universalizado: atingia 97% em 1995. Nesse ano, mais de 3 milhões de infantes das classes CDE estavam fora da escola. Hoje, quase todas elas estão no ensino fundamental. Muitas adentram e – incrivelmente – concluem o ensino médio.

Isso não é façanha de um governo. É apenas a continuidade, regra de difícil observância numa terra em que a política é tacanha e tosca. Quem chega tem por projeto demolir aquilo que o antecessor fez de bom.

Um dado interessante: os domicílios com geladeira cresceram 132% entre 1995 e 2015. Hoje, as classes CDE equiparam-se às AB. E o mais importante ainda: a revolução das comunicações. O acesso a um telefone, seja fixo, seja móvel, foi extraordinário êxito. Em 1995, eram 2% os lares CDE que contavam com esse instrumento poderoso de comunicação. Em 2015, passou para 87%. Não é coincidência o fato de a campanha eleitoral transcorrer nas redes, desimportando o teor das pesquisas e as análises ditas profundas dos especialistas em tudo e com sabedoria em quase nada.

O Brasil é outro. Pode se tornar cada vez melhor se a cidadania, que acordou para os desmandos e que não suporta mais corrupção, se mantiver atenta, cobradora, fiscalizadora, exigente. Nunca mais perder, ao contrário, reforçar a sua capacidade de indignação. É assim que se constrói uma Democracia Participativa. Lembrar que qualquer servidor é um subalterno à população. Esta a detentora da soberania. Esta é que deve dar as regras e cobrar compostura e eficiência dos que vier a eleger.

_José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “JÁ É UM COMEÇO

  1. Belas palavras, entretanto há que se ressaltar como essesestudantes saem da escola. O senhor sabe muito bem o que ocorre na rede estadual paulista em que o aluno “passa pela escola”, que professores e equipe gestora é praticamente acuada a seguir o que vem da secretaria de educação (mesmo que isso não é a melhor ação), que escolas carecem de funcionários e materiais, que já se vão 5 anos sem reajuste e que se tem uma defasagem de mais de 35% do salário dos educadores. Isso é uma pequena parcela do que acontece na maior rede estadual e mais rica do país. O senhor teve uma pequena parcela em tudo isso! Sem falar em outras áreas em que a “locomotiva” do Brasil fica atrás de outros estados, que profissionais de suas respectivas áreas pideriam expor melhor.

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