Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

ONDE ESTÃO OS BANDEIRANTES?

1 comentário

São Paulo foi o artífice da unificação nacional. Foram os bandeirantes que ousaram adentrar Brasil afora e ignorar o Tratado de Tordesilhas, garantindo a imensidão do território que se conservou íntegro, sob o mesmo idioma e idêntica fé.

Nunca é demais reconhecer o valor da mulher paulista, que ficou no planalto a cuidar das crias e da lavoura, enquanto os varões exploravam o sertão. O matriarcado de Piratininga é responsável pela preservação das tradições desta gente do trabalho contínuo e perseverante.

Onde foi parar a coragem, a audácia e o brio da gente paulista?

Vê-se hoje uma São Paulo tão machucada. Os três grandes rios mortos, a transportar esgoto doméstico, resíduo químico de indústrias desprovidas de responsabilidade social. Centenas de cursos d’água sepultados, para ceder espaço ao veículo mais egoísta e poluente que se poderia conceber. Uma civilização do automóvel, alimentado por combustível fóssil, que mata nos acidentes, nos atropelamentos e mata homeopaticamente ao emitir gases tóxicos.

Conurbação insensata, sem planejamento, com a invasão de áreas ambientais que nunca poderiam ter sido ocupadas. Milhões vivendo sem saneamento básico, milhões sem ocupação garantidora de sustento, milhares ocupando ruas, espaços destinados à circulação de todos e mostrando a face cruel da exclusão.

Precisaríamos ressuscitar a audácia paulista para o enfrentamento de questões que só são insolúveis para os inertes, os acomodados e os incompetentes. Como recuperar as grandes represas: a Guarapiranga e a Billings, que dessedentam São Paulo, não podem continuar a ser o refúgio da imundície. Quanto se gasta para tornar menos impura a água que todos os paulistanos consomem?

Nova Zelândia tem um exemplo de recuperação de represas que é considerado “case” mundial. Dividir o entorno das represas, entregar a grandes empresas ou conglomerados empresariais da construção civil uma parcela para a restauração do ambiente, destinação da população que invadiu, exploração de atividades turísticas e de lazer que trarão mais qualidade de vida a todos os humanos. E que poderão ser lucrativas, se entregues a empreendedores não contaminados pela doença da gestão pública, sempre mais dispendiosa, menos eficiente e envolta pela presunção de uso de meios ilícitos.

O enfrentamento da questão dos moradores de rua é outra mácula que evidencia o declínio da civilização e o grande retrocesso registrado nesta São Paulo que, apesar de tudo, continua a ser o móvel que sustenta um Brasil atrasado, defasado e envolto na penumbra do medievo.

Haverá esperança para este Estado que nasceu em torno a uma escola e que deixou a educação naufragar, diante de ausência de visão, de interesse efetivo e de carinho, ingredientes muito mais necessários e urgentes do que a massa de recursos financeiros mal aplicada?

São Paulo precisa ressuscitar o espírito bandeirante para voltar a ser o exemplo de um ambiente propício ao efetivo desenvolvimento, que não é apenas material, mas que precisa se refletir na edificação de uma sociedade em que a cooperação, a solidariedade e a fraternidade mostrem ser viável um convívio civilizado, algo que hoje é utopia ou miragem.

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed, RT-Thomson Reuters.     

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “ONDE ESTÃO OS BANDEIRANTES?

  1. Professor Nalini, pode parecer cansativo o que vou dizer, pois não vou ficar mandando limpar rios nem exaltar ônibus e metrô, muito embora devesse ser hábito, não por obrigação, mas por estar na porta do morador da zona leste , como no morador de Cotia-SP, e eu teria o maior prazer em não precisar sair de carro, e aturar trânsito e gente mal educada, mas as seguidas gestões, nunca deixaram nem próximo de onde eu moro, ônibus, muito menos, metrô, coisa que em quaquer lugar razoável do mundo tem, e ricos e pobres usam. Pode ter certeza, esses países que eu estou dizendo tem uma carga tributária muito menor que a nossa e, por exemplo, a Argentina, infeliz como o Brasil, com políticos corruptos , porém metrô nas portas de todo mundo em Buenos Aires, prova disso são os taxistas lutando por nós turistas, afinal o portenho nem os usam.
    Então, o que digo, precisamos limpar a política, cortar completamente benefícios de todos os gestores, de vereador a presidente, tererem um salário comum, e ter uma vida parecida com síndico de prédio, ter realmente dom e vontade.
    Enquanto saborearem regalias e milhões, me perdoem os sonhadores, nada adianta pedir para andar de ônibus, abraçar árvores, dia do meio ambientes e etc. Chegaremos ao ano 3000 com rios poluídos e sepultados, ar poluído e ideologias lindas, porém nada acontecendo, temos que fazer no Brasil como fizeram em Nova York: tolerância zero com ilícitos, tolerância zero com regalias na política.

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