Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

O QUE É LEALDADE

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Nesta Nação em que os valores declinam ou já estão sepultados, é bom lembrar que eles já foram cultivados em Pindorama. Um brasileiro dos mais ilustres e respeitados tem lições de altivez, erudição, compromisso, amor à causa e muitas outras a ensinar as novas gerações. Se estas estivessem prontas a ouvir. O que é muito discutível.

Falo de Joaquim Nabuco, o verdadeiro “Pai” da abolição, enquanto a Princesa Isabel é considerada a mãe. Todo o brilho e eloquência do pernambucano foram destinadas a convencer o Parlamento à época de que a escravidão era uma chaga que desonrava o Brasil perante as Nações civilizadas.

Após o 13 de maio de 1888, o ressentimento motivou a elite e o “castigo” imposto à família imperial foi a proclamação da República.

Como sempre acontece com os áulicos, eles bandeiam para o colo do poder e se impõem como adeptos de primeira hora. Joaquim Nabuco era padrão de decência. Considera essa abjeta migração uma perfídia contra as instituições. Considera que o Brasil deve ao trono “a independência, a unificação e a redenção de nossa pátria” e que o Parlamento “tem, portanto, o dever de impedir que não triunfe contra ele essa reação contra a lei de 13 de maio, essa desforra do escravismo que se foi abrigar à sombra da República”.

Enxerga no movimento republicano e em “suas origens incontestáveis”, cotejada com a “alta inspiração moral da Lei de 13 de maio, ter nascido a agitação republicana do ressentimento de uma classe contra o maior acontecimento de nossa pátria, porque basta isto para estigmatizar a nova República perante o mundo civilizado, que aplaude os progressos da nossa pátria e para impedir que ela tenha raízes no coração do nosso povo, identificado com a dinastia naquele grande ato”.

Os republicanos havia muito alardeavam o novo regime e insultavam o Imperador, um verdadeiro democrata. Quando ele partiu para a Europa, a fim de cuidar da saúde já combalida, Quintino Bocaiúva queria reproduzir no jornal “País” um artigo atroz e cruel, sob o eloquente título “O Esquife”.

Nabuco não ignorava que a abolição viria a ser punida com a República. Por isso, assim como os demais monarquistas, envolvia a família imperial, notadamente a Princesa Isabel, com boa dose de gratidão e remorso. Sabia que o Brasil não estava pronto para a República, nem a República era adequada ao Brasil naquele momento.

Ao endereçar à Princesa Isabel a mensagem por ocasião do terceiro aniversário da Lei Áurea, ela que já estava exilada na Europa dele recebeu mensagem do teor que segue: “Somente para Vossa Alteza Imperial, o dia de hoje guardará a mesma irradiação luminosa. Para os que até 15 de Novembro só pensavam na desforra, ele agora não lembra senão a decepção da vingança. Para os escravos ele tornou-se um dia de luto e para os abolicionistas um dia de expiação. Os escravos sentem na sua liberdade uma ferida, os abolicionistas na sua gratidão uma falha”.

Assim começou a República no Brasil, sem a participação do povo, com a imensa ingratidão perpetrada contra a família imperial, notadamente o Imperador, que era o mais simbólico “filho da Pátria”: aqui foi deixado aos cinco anos, órfão e só, para governar com serenidade, lucidez, tirocínio e discernimento, por quase meio século.

 A República, ao nascer sob tal signo, saberia preservar uma virtude que requer caráter, como o é a lealdade?

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário e palestrante, autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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