Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

REVOLTA-SE A NATUREZA

1 comentário

São suficientes os acenos de que a “nova ordem” não acredita no aquecimento global e que a tutela do ambiente deve se submeter aos interesses do agronegócio para que o desmatamento na Amazônia fosse incrementado. O mau exemplo de Trump, que abandona o Acordo de Paris, se propaga como se isso fosse apenas um gesto político e não importasse no sacrifício de todas as modalidades de vida no planeta.

Quanta insanidade. O resultado que cientistas acabam de anunciar evidencia a fragilidade do clima, a intensificação na produção de gases produtores do efeito estufa, a conspurcação do solo, da atmosfera, da água e de todos os elementos, diante de nossa absoluta ausência de respeito à natureza. Mas o ser humano, pretensioso e ignorante, não se verga à evidência.

A tragédia é que, neste caso, não adianta invocar o princípio de que “a pena não passará da pessoa do criminoso”. As consequências serão suportadas por todos. Sem exceção. Ainda não temos condições de abandonar a Terra e procurar outro planeta para também acabar com ele!

Sempre foi assim? Não. Embora na rabeira do mundo, a ostentar os mais pífios resultados em educação, em saneamento básico, em condições gerais de sobrevivência digna, em saúde, em segurança, já fomos melhores. Houve precursores do ambientalismo respeitáveis e lúcidos. Um deles foi José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência.

Considerado um dos cientistas mais avançados da Europa nos séculos XVIII e XIX, já em Portugal cuidava de reflorestar as áreas devastadas para a construção de caravelas com as quais a Pátria lusa conquistou o mundo.

Quando voltou para o Brasil e cuidou de preparar a Independência, continuou a se preocupar com a natureza. Duas vezes preso por ingratidão e êxito da inveja de seus inimigos, na segunda vez foi morar em Paquetá, uma ilha à altura ainda quase virgem.

Foi ali que também se refugiava o Barão de Tautphoeus, que fora preceptor de Joaquim Nabuco e por ele tão lembrado no clássico livro “Minha Formação”. Sobre ele, o grande brasileiro que é o “Pai da Abolição” enfatiza: “Tautphoeus fora sempre um apaixonado da nossa natureza. Desde que chegara ao Brasil tinha sido um explorador de suas belezas. A madrugada, a alta noite, a distância não eram impedimento para ele, tratando-se de um nascer de sol, um efeito de luar, um fio de água descendo pela pedra, um jequitibá escondido na mata virgem”.

Esse olhar de admiração, de surpresa diante do inesperado de uma paisagem que não se repete, foi sufocado pelo chamado “progresso”. Embora desprezada, a natureza responde como ela pode. Cegos e surdos aos contínuos e crescentes pedidos de socorro, os homens continuarão a sofrer as consequências de sua cupidez e de sua ignorância.

Afinal, não é o planeta que corre risco de desaparecer. É a espécie desalmada, cruel de burra, que não sabe cuidar do seu único habitat, este pequeno planeta, de um precário sistema solar, perdido no cosmos cuja imensidão nem passa pela consciência minúscula de quem se considera imortal, mas que – insensatamente – abrevia a sua passagem por aqui.

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT-Thomson Reuters.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “REVOLTA-SE A NATUREZA

  1. Concordo, com o Professor, que podemos tornar irrespirável o ar e podre a água. E como sabemos pela história, haviam, no Brasil Império, homens preocupados em ao menos repor o que usávamos da natureza. Hoje o problema é grave e complexo, pois a ignorância usa a ecologia para atacar o Capitalismo e politizou uma coisa séria, que não pode estar na guerra entre esquerda e direita. Muito triste ver inimigos de Donald Trump e Jair Bolsonaro, no Brasil, querendo insinuar que a culpa é deles da destruição do planeta, hoje. E indo contra, toda medida pro ecologia, como, por exemplo, quis o presidente Jair Bolsonaro, indenizar donos de terra, que transformassem em floresta suas propriedades, pessoas de esquerda consideram esta medida retrógrada, pois vêem no proprietários rural um indivíduo rico que quer destruir a Amazônia. Eu enchergo esse indivíduo uma pessoa corajosa, que faz muito pelo país, geram emprego e alimento para nós todos e deve receber algo ao dispor de parte de seu patrimônio no que se refere à indenização. Se a esquerda trata com indiferença isto causa conflito e este conflito atrai infiltrados aproveitadores que torna a ausência do Estado como mediador a exploração ilegal da madeira. Não ficam em governos corruptos que estão mais preocupados em colocar dinheiro em suas contas do que usar esse dinheiro em energias renováveis. As Organizações Não Governamentais querem ser tratadas como donas da Amazônia e se consideram as únicas capazes de administrar a conservação das civilizações indígenas, fauna e flora. E os países como a Alemanha, França e Noruega acreditam e investem seu dinheiro visão. Esquecem e tratam com indiferença questões fundiárias de caráter muito anterior às questões ambientais e passam como um trator passa por cima de uma plantação fazendo de conta que nunca existiram.
    Não é assim que deve se buscar um meio termo para uma administração de conflitos, sua solução e havendo o sucesso uma extração consciente das riquezas em ambiente pacificado. Onde está o Direito, onde está a Justiça, onde está o Equilíbrio?

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