Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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Triste sina

Não há quem deixe de lamentar a trágica situação do Rio de Janeiro. A “Cidade Maravilhosa”, que é uma das mais lindas de todo o planeta, é ferida em suas entranhas na mesma proporção de sua beleza. Costumava-se dizer que sua privilegiada condição estética nunca seria prejudicada, por mais que os homens tentassem. Mas parece que essa afirmação tende a ser desmentida. Ninguém mais aguenta a violência que ceifa vidas, toda bala perdida achando uma vítima e a violência moral resultante dos maus tratos perpetrados contra a higidez de sua saúde financeira.

Mas a crise desta segunda década do século XXI não foi a primeira enfrentada pelo Rio de Janeiro. Já no século XVII houve sublevaçào decorrente de cobrança de taxas consideradas abusivas pelos contribuintes. Estes, na madrugada de 8 de dezembro de 1660, acharam que havia chegado o momento de se opor tenazmente ao governador Salvador Correia de Sá e Benevides.

Nessa manhã, Sá e Benevides não estava no Rio. Fora a Paranaguá constatar a veracidade das notícias a respeito do descobrimento de jazidas de ouro entre São Paulo e Paraná. Quem deveria impedir a revolta eram os 350 homens de infantaria que não recebiam há meses o seu soldo. Não ousaram obstar a ação dos revoltosos que desembarcaram armados, aos gritos de “Viva o povo” e “Morra o governador”. O movimento se chamou “Revolta da Cachaça” e não se opunha à Coroa. O alvo era o governador e sua política fiscal.

Mas ele não era fraco. Ao contrário. Chegou a governar porque seu tio-bisavô. Mem de Sá, já fora o terceiro governador-geral do Brasil e expulsara os franceses da baía de Guanabara. O primo, Estácio de Sá, fundou a cidade do Rio de Janeiro. Era a quarta geração a mandar naquele quintal.

Ele sempre enxergou o Rio como parte de suas terras e de sua herança. Foi esse olhar, dizem Lilia Schwarez e Heloisa Starling no livro “Brasil: uma biografia”, que o fez atropelar as decisões da Câmara, impor tributos injustos e pesados, portanto impopulares, sangrar as receitas locais e abusar da condição de autoridade nomeada pelo Rei.

Déspota ou não, ele venceu os rebeldes, retomou a cidade e enforcou o líder Jerônimo Barbalho Bezerra. O Rio tem tradição em violência. Só que hoje, infelizmente, disseminada por toda a cidade.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 01/02/2018

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Como sobreviver decentemente

Há poucas décadas, a receita dos pais à criança e mesmo ao jovem era: – “Estude e as portas se abrirão!”. Hoje não há certeza absoluta de que basta a escola para propiciar sucesso. Pode-se afirmar que o recado continua certo: “Estude!”. Mas é preciso acrescentar: – “Não se satisfaça com aquilo que for transmitido em sala de aula!”.

O conhecimento é algo dinâmico, o acervo de informações cresce a cada segundo. Diz-se que a cada 18 meses dobra a quantidade de dados disponíveis. Sim, disponíveis e acessíveis. Nunca foi tão fácil garimpar e encontrar, no mundo web, a sabedoria universal.

Por isso é que o desafio das novas gerações é potencializado. A quem mais é dado, mais será cobrado. O mundo estável dos empregos está desaparecendo. Daqui a alguns anos, as pessoas terão de mudar de ramo em intervalos cada vez menores. Adaptar-se aos novos tempos. Acostumar-se à extinção de profissões, assim como já sumiu a telefonista, o funcionário do mimeógrafo, o ascensorista, o cobrador. Daqui a pouco desaparecerá o motorista. Tudo aquilo que a automação puder fazer de maneira mais eficiente e rápida, será subtraído ao ser humano. E este precisa sobreviver dignamente.

Há pistas no ar e quem tiver interesse encontrará fórmulas de subsistência. Seria interessante um passeio pelas gigantes que hoje dominam o mercado midiático e são consideradas empresas vencedoras. Falo da Microsoft, da Amazon, da Teslos e da Google. O vice-presidente sênior de operações de pessoas do Google desde 2006, Laszlo Bock, sinalizou o tipo de pessoa que a empresa procura na hora de contratar. São quatro coisas que eles observam: a primeira é chamada de “habilidade cognitiva geral”, que significa inteligência, curiosidade e capacidade de aprendizado. Segundo:
não interessa onde o candidato estudou. Google não se importa sequer se o interessado  frequentou escola. O quão brilhante a pessoa é, não tem a ver com a escola, diz Laszlo. Depois, vem a liderança emergente. Um profissional que ao enxergar um problema, dá um passo à frente ajuda a resolver e depois dá um passo atrás e deixa outra pessoa comandar. Isso é o que eles chamam “Googleness”. É preciso ter consciência, fazer o que diz que faria, ter preocupação com o ambiente e a humildade intelectual para admitir quando está errado. Por último, a expertise. Quem possui as características anteriores, muito provavelmente aprenderá o que precisa para permanecer no selecionado e privilegiado time contratado pelo Google.

Por isso cresce a responsabilidade dos educadores, dos pais e de todas as pessoas de bem. A educação é a única alternativa para um Brasil em busca de um destino compatível com os nossos sonhos. No momento em que todos, sem faltar ninguém – governo, empresa, mídia, universidade, Igreja, ONG, pessoas físicas capazes de injetar recursos (não necessariamente materiais, mas em termos de atenção, carinho, devotamento, interesse real etc.) assumirem seriamente o dever que o constituinte cometeu, então as coisas serão diferentes.

Não custa repetir. O óbvio deve ser reiterado até a exaustão ou até que os ouvidos moucos se liberem da cera da insensibilidade, da inércia ou do egoísmo: educação é direito de todos, mas é dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade. É o que preceitua o artigo 205 da Constituição da República.

Não há ninguém dispensado de oferecer para o projeto educacional o seu talento, a sua expertise, o seu patriotismo. Sem educação de qualidade o Brasil nunca chegará a ser a Nação com que sonhamos.

Não é falta de dinheiro. Gasta-se muito em educação, mas nem sempre o resultado é o esperado. Gestão burocratizada, o cipoal normativo que milita contra a inovação, mas mantém olhos vendados para a profunda mutação universal, fragmentação da família, declínio dos valores, descrença em tudo o que um dia foi considerado relevante. Tudo contribui para manter o sistema educacional num patamar muito distante da retórica ufanista de que somos capazes no discurso edificante, desacompanhado de práticas que o concretizem.

Ainda é tempo. Sempre é tempo quando se trata de educação. Ajamos!

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 26/01/2018

Foto: Mastrangelo Reino/A2IMG

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Não adianta fugir

Ano da esperança, 2018 começou turbulento. Natal, com seu litoral aprazível, roteiro procurado por quem pretendia embalar na brisa marítima e aos goles de água de coco as suas férias, foi entregue ao caos. Goiás teve seguidas rebeliões prisionais. No Rio de Janeiro, comemorou-se o réveillon com tiros de fuzis de uso exclusivo das forças armadas, mas em mãos daqueles procurados pela Justiça.

O mais assustador é que as perspectivas econômicas não são as melhores. A indústria só voltará – se voltar – aos patamares de crescimento daqui a 8 anos! São os dados do IBGE divulgados dia 5 de janeiro. O governo perdulário perdoa dívidas e concede incentivos a petrolíferas poluentes até 2040. Continua a tratar com escárnio o meio ambiente. Desmata e anistia os dendroclastas.

Quem quiser ficar ainda mais assustado, leia o livro “Rio em Transe”, escrito pelo ex-Secretário da Fazenda Júlio Bueno e pela jornalista Jacqueline Farid. Ao assumir a Secretaria da Fazenda do Rio em fevereiro de 2015, ele viu que o rombo de 13 bilhões e meio daquele ano o convertia num verdadeiro “Capitão do Titanic”. Não construiu o navio nem colocou o iceberg na rota. Mas afundaria junto com a tripulação. No caso, toda a população carioca.

O economista tenta mostrar que não foi apenas a corrupção a causa do debacle. Tarefa difícil para um Estado que tem três ex-governadores presos e dois ex-chefes do Legislativo. Mas a questão maior é a Previdência. Mais um a mostrar que o Brasil da Constituição de 1988 não cabe no PIB. A República dos direitos, todos eles consagrados como fundamentais e assegurados pelo Judiciário encontra limites na insuficiência da produtividade. Isso ocorre no País inteiro.

Dentre os 27 Estados da Federação, o déficit previdenciário de 2017 é de 90 bilhões. São Paulo que, mercê de austeridade e rígido controle, tem suas contas em ordem, tem prejuízo de 19 bilhões com a Previdência. Não adianta espernear, nem correr para obter aposentadoria correndo, de medo da reforma inevitável da Previdência. Chegará o dia em que o Tesouro não terá como honrar os proventos, as pensões e os benefícios legais. E aí, o que se fará? Alguém tem solução melhor do que juízo, sensatez e responsabilidade?

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 28/01/2018

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Choque de vergonha

O Brasil está precisando de um grande choque. Mas o choque necessário é o de vergonha. O brasileiro que insulta, critica, reclama e maldiz deveria primeiro fazer um exame de consciência. Quem é que faz hoje o velho e saudável exercício de perscrutar seu íntimo e avaliar sua própria conduta?

Os chineses, em sua milenar sabedoria, têm uma recomendação interessante. Quer melhorar o mundo? Comece com sua casa. Todos nós podemos fazer algo de melhor para o nosso país. É inacreditável a nossa inconsciência ou negligência em relação a tantas coisas que dependem de cada um de nós.

Fomos premiados com uma natureza exuberante. E o que fazemos com ela? Não plantamos, mas cortamos árvores. Sepultamos córregos. Sujamos rios. Em sujeira, somos campeões. Produzimos lixo de uma forma incrível. Não há espaço público sem recipientes que poderiam ser reciclados. Qualquer imóvel ainda não edificado serve de lixeira.

Quantas pessoas escolarizadas jogam tudo o que consideram descartável pela janela do carro. Países de primeiro mundo trabalham há muito com a logística reversa. Nada é jogado. Tudo reaproveitado. Nós convivemos com “lixões”, com “aterros sanitários”, gastamos bilhões com varrição, coleta de resíduos sólidos e outros atestados veementes e vergonhosos de nossa falta de civilidade.

Jogamos preciosidades: alimento, por exemplo. Parcela do país passa fome e parcela é obesa. Pessoas que se consideram educadas servem-se em abundância e não se pejam em arremessar comida saudável à destinação do que é inservível. Algo que poderia salvar outras vidas…

Atribuímos toda a responsabilidade ao governo, como se ele fosse uma entidade etérea, com a qual não temos a menor relação. Esquecemo-nos de que o elegemos. Só que não o fiscalizamos. Não o controlamos. Não o cobramos. Até nos esquecemos de quem mereceu nosso voto.

Quem é que é tão ocupado que não pode dedicar alguns minutos a verificar se uma criança está alfabetizada ou tem condições de realizar as singelas operações aritméticas, tão necessárias à sobrevivência?

Tantas outras coisas poderíamos fazer para melhorar a vida, mas preferimos blasfemar, reclamar e atribuir aos outros o nosso desconforto. Sem recordar a singela verdade: se você não é solução, você aprofunda o problema.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 25/01/2018

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Receita de Brasil

O Brasil precisa de muita coisa que depende de cada um de nós. É uma nação privilegiada. Recebeu um patrimônio natural que garantiria o destino digno de sua gente, não fosse tão maltratado. Não há outro país que tenha oito mil quilômetros de um litoral tão magnífico. Há de tudo: praias para surfe, praias mansas, litoral de falésias, matas e montanhas. Areias de todas as cores. Riqueza exuberante.

O exemplo do litoral norte paulista é de causar inveja ao Velho Continente, onde as praias são íngremes, a areia é quase pedrisco e machuca os pés. Águas geladas mesmo no verão. E o que fizemos de nosso litoral?

A mesma reflexão poderia ser feita a respeito de nossas florestas, de nossos rios, de nossa biodiversidade. Da flora esplêndida, uma fauna estupenda. Clima favorável e solo fértil, “onde se plantando, tudo dá”. Lembra a velha piadinha que deveria terminar com lágrimas e não gargalhadas “Veja o povinho que eu coloquei lá”?

Pois chegamos a um instante dramático da nacionalidade. Um país que gasta mais do que produz. Um país que paga fortuna pelo chamado “serviço da dívida”, os juros por empréstimos contraídos não se sabe exatamente para quê.

Um país que precisa oferecer futuro digno para a sua infância e juventude. Não cuidou como deveria de imprimir consciência à população, convencendo-a de que uma nação é o conjunto de todos os seus habitantes. É a vontade de permanecer junto, é a noção de pertencimento, é a tradição dos antepassados, o orgulho por sua História.

E isso não é governo quem faz. É cada cidadão. O governo é mero representante. O representado é quem o elege e deveria fiscalizá-lo.

O momento é trágico, porque o Estado não cabe no PIB. O custo da máquina pública excede em muito a capacidade brasileira de produzir. Chegará o dia triste em que as obrigações não poderão ser satisfeitas. Assim como já ocorre em alguns estados da federação. A situação dos municípios não é diferente. É urgente que todas as pessoas de bem procurem oferecer trabalho, esforço redobrado, sacrifício e propostas para sair da crise.

Sensatez, prudência, juízo e serenidade. Algo que nem sempre transparece na postura de quem critica, reverbera, reclama e exige de um governo que ele mesmo elegeu algo que depende, na verdade, da consciência reta de cada cidadão.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 21/01/2018

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Um robô lhe substituirá

Essa é a ameaça contida em inúmeras profecias daqueles que enxergam na 4ª  Revolução Industrial uma concepção muito diferente das anteriores. A transformação tecnológica atual não pode ser considerada à luz daquilo que a humanidade já enfrentou. Para os otimistas, houve solução natural para todas as mudanças anteriores. Assim, os ex-trabalhadores agrícolas encontraram empregos em fábricas. Ex-operários foram realocados pelo setor de serviços. Mas agora a situação é diversa. Os efeitos da revolução contemporânea são generalizados. Desapareceram ascensoristas, telefonistas, cobradores. Mas, até mesmo cirurgiões estão ameaçados. Nenhum emprego está imune. As tecnologias que propiciam economia de mão de obra reduzem drasticamente o número de empregados.

Exemplifique-se com o segmento de serviços financeiros em Nova Iorque no ano 2000. Eram 150 mil pessoas formalmente empregadas. Em 2013, são 100 mil. Isso acontece também com o setor bancário no Brasil. Agências fecham e a maior parte dos correntistas prefere acionar suas contas pelo internet bank.

Ilusão acreditar que o mundo digital absorverá toda a capacidade ociosa de trabalho. Qualquer ocupação consistente em sentar diante de uma tela e manipular informação
tende a desaparecer. Não há ser humano que consiga competir com os custos da automação em acelerada e impiedosa queda.

Os americanos lúcidos já se aperceberam disso. Se no século 19 o conselho era “Vá para o Oeste!”, no século 20 foi : “Estude engenharia!”. Só que isso já não vale para o século 21. Um terço dos norte-americanos que se formaram em ciência, tecnologia, engenharia e matemática trabalham em áreas que não requerem esse diploma. Por  todo o território americano encontram-se programadores de computação a servir como atendentes em fast food. E na era da inteligência artificial, se tornarão a cada dia mais obsoletos.

Pais, educadores e cidadãos conscientes têm a obrigação de despertar para essa realidade inexorável. Pensar em mudar a cultura, para que as novas gerações sejam incentivadas a descobrir atividade prazerosa e não convencional. Tudo está em profunda mutação e quem não se aperceber será engolido pela realidade.

O grande desafio da educação nesta era é oferecer cardápio sedutor para crianças e jovens. Tudo precisa ser reinventado. O certo é que as tecnologias propiciadoras de economia de mão de obra reduzem drasticamente o número de pessoas empregadas em qualquer ramo. Isso inclui os advogados. Um jovem francês criou a Wonderlegal, que responde prontamente a milhões de indagações jurídicas, emite pareceres e faz conciliação. Haverá um dia em que a sociedade acordará para o excesso de demandas intermináveis e dirá “basta”. Por isso é investir na capacidade de argumentação, nas práticas conciliatórias, na adoção definitiva da composição consensual de controvérsias.

Enquanto o emprego desaparece, disparam os lucros de Wall Street e todas as operações de ações são hoje executadas por algoritmos. O que aconteceu com a mídia social é emblemático: em 2014, o Facebook adquiriu o WhatsApp, com 55 funcionários, por US$19 bilhões. O que pensar de um custo de 345 milhões de dólares por empregado?

A questão mais séria e trágica é que ao canalizar os lucros da nova economia para poucos privilegiados, os robôs acabam com o principal propulsor do crescimento: a demanda da classe média. Se a força de trabalho é antieconômica, o poder aquisitivo diminui.

Como sustentar o desempregado? Como fazê-lo sentir-se útil? Como propiciar vida digna e decente para as futuras gerações?

São questões que não estamos a enfrentar com a seriedade e consistência necessária. A única certeza é a de que o mundo mudou. Daqui a 20 anos nada será como agora. Só que não se tem ideia do que será a vida em 2040, 2080, 2100…

Enquanto isso, tentemos responder ao repto explícito: um robô vai substituir você no emprego. Fará o que você faz hoje com rapidez e menor custo. E você? O que fará?

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 19/01/2018

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Ensino: parcerias alavancam qualidade

O Governo pode muito, mas não pode tudo. Sem o envolvimento da sociedade, não se alcançará o ideal da Democracia Participativa, modelo indicado pelo constituinte de 1988 para a República Federativa do Brasil. Por outro lado, as estruturas estatais em nosso País são amarradas, sufocadas por excesso de normatividade, premidas pela  desconfiança em relação a tudo o que é público. Situação que torna difícil a implementação de projetos inovadores, criativos e ousados.

Incrível como o discurso da audácia encontra empecilhos de toda a ordem: jurídica, burocrática e de inércia. A grande força que imobiliza e entorpece uma parcela considerável da Administração.

Por isso é auspicioso comemorar iniciativas como a do IPED, Instituto Politécnico de Ensino à Distância, que celebrou com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo um protocolo de intenções para ofertar gratuitamente curso preparatório para o ENEM, contemplando alunos do Ensino Médio de duas das Diretorias Regionais de Ensino da Rede Pública: a Leste 1, da Capital e a de São Carlos, no interior paulista.

O IPED é uma entidade que há treze anos realiza cursos online e forma uma legião de pessoas motivadas ao desempenho de novas atividades e, no caso do protocolo paulista, o intuito é preparar os jovens para o Exame Nacional do Ensino Médio. Com isso, ampliar-se-á o número de egressos da escola pública nas Universidades consideradas nichos de excelência. Sob a direção do jovem Fábio Neves, acolitado por uma equipe também jovem e dinâmica, o IPED conta com cinco estúdios de última geração e desenvolve o Projeto EVOLUIR, cujo objetivo é oferecer toda a expertise e tecnologia em aprendizagem para o alunado da Rede Pública.

Também será ofertada aos professores uma plataforma destinada a familiarizar o docente com as técnicas de aprendizado virtuais e a expectativa é que todos se interessem por essa via inovadora de treino para o aluno da escola pública obter melhores resultados no ENEM e acessar mais facilmente as melhores universidades.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 18/01/2018

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