Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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Juízo, a Terra é frágil!

Talvez por ser neto de imigrante, que deixou a Itália por falta de perspectivas e por  carência de terras, tenho a ecologia no meu DNA. Sou ambientalista convicto, procuro proteger a natureza na limitação de minhas possibilidades, mas nunca cessei na pregação de alerta para que o maltrato se reduza.

Como um dos idealizadoras e primeiros integrantes da Câmara Especial do Meio Ambiente, depois batizada Câmara Reservada ao Meio Ambiente, sempre fui contra
as queimadas de palha de cana-de-açúcar. Nunca me convenci de que essa praxe fosse inofensiva. Estive em locais afetados e o cenário é aterrador. Sustentei com paixão a vedação de tal costume, repeli o argumento de que sempre foi assim, desde a “coivara” dos índios e perdi muitas batalhas. Indignado ao constatar que doutrinadores do ambiente, quando contratados a defender os incendiários, renegavam suas posições e encontravam elementos para afirmar que aquele era um caso peculiar.

Indignei-me quando em acórdão o relator chegou a se utilizar de metáfora de discutível gosto: a fuligem da queimada representava “as borboletas do progresso” para o agronegócio… Enfim, a verdade é poliédrica e cada qual consegue enxergar na mesma questão um foco nem sempre perscrutável pelo olhar do outro.

Reconheço que a cana-de-açúcar está no Brasil desde 1530, trazida por Martin Afonso de Souza e que hoje o Brasil é o maior produtor do mundo e o primeiro fornecedor de açúcar, com 22% da oferta mundial. É o segundo em etanol, com 25% do mercado. A previsão da safra 2017/2018 é de 585 milhões de toneladas, apenas na região Centro-Sul, de acordo com informações da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar – Unica. O parque industrial conta com 382 usinas, sendo 302 situadas na região Centro-Sul, e gera 1 milhão de empregos diretos em 30% dos municípios brasileiros.

A biomassa ocupa a terceira posição na matriz elétrica do Brasil, com 11.189 MW e de acordo com o Plano Decenal de Energia – PDE 2024, do Ministério de Minas e Energia, o potencial técnico de geração anual para a rede pela biomassa de cana pode alcançar duas usinas de Itaipu, com 165 TWh/ano até 2024, ou seja, 24% do consumo nacional.

Sei também que da cana tudo se aproveita: etanol, açúcar, energia, cachaça, caldo de cana, rapadura. Os subprodutos também são reutilizados, como a palha da cana, usada na técnica do plantio direto, que protege o solo e aumenta a produtividade do canavial. Mas também produz energia elétrica, papel higiênico, bioplástico e outros itens. A vinhaça é destinada à adubação e fertirrigação, pois tem concentração de nutrientes.

Todavia, não penso que seja saudável eliminar a policultura, vocação natural do Estado de São Paulo, para transformar nosso Estado em imenso canavial. Apenas separado por presídios, o que me levou a escrever há alguns anos, o artigo “Cana & Cana”, para evidenciar uma realidade preocupante.

Espero que o agronegócio tenha juízo para não deixar de respeitar a natureza, tão pródiga e tão maltratada. O mundo emite sinais eloquentes de fratura ambiental. Não é impossível manter a canavicultura e a reserva florestal. Esta é um patrimônio que não merece destruição.

Espero que a preocupação ecológica mereça cada vez maior espaço na categoria e que as notícias veiculadas no jornal do Engenheiro Agrônomo, sob o título “Santa Cana – Do Passado Colonial ao Futuro Sustentável” sejam sinal de fortalecimento dessa consciência. Pois afirma-se que 97,5% da área de cana de São Paulo está livre de queimada. As emissões de gases de efeito estufa evitadas já equivalem ao que teria sido emitido por cerca de 162 mil ônibus circulando durante um ano. Enquanto na safra de 2007/2008 havia 753 colhedoras, hoje o setor sucroenergético possui 3.747 colhedoras. 60% das usinas signatárias do Protocolo Agroambiental possuem programas de restauração florestal de seus fornecedores de cana.

É saudável que a nova geração de profissionais, com especialização adquirida nos mais modernos centros de formação, tenham noção de que a Terra é frágil e de que nada adianta exauri-la com uma agricultura agressiva, para amanhã não poder dela extrair riqueza, sobrevivência e vida digna.

Fonte: Correio Popular | Data: 17/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Celular em sala de aula

O Governador Geraldo Alckmin atendeu à demanda do alunado paulista e sancionou a lei que autoriza o uso pedagógico do celular em sala de aula. Mostrou-se sensível a um clamor generalizado entre os jovens da Rede Pública da Educação Estadual.

Não há como negar que a 4ª Revolução Industrial transformou o mundo. As comunicações avançaram de maneira tal, que a ficção científica restou superada. Qualquer exercício de futurologia se viu frustrado pelos avanços tecnológicos que disponibilizaram um arsenal de equipamentos eletrônicos de múltiplas funcionalidades.

A infância e juventude são as principais usuárias de celulares, smartphones, tablets, notebooks e computadores. Como serão as primeiras a se acostumarem com o que ainda virá: a internet das coisas, a robótica, a nanotecnologia, a wearable technology, ou as tecnologias vestíveis, tudo aquilo que confirma a evidência inafastável: a circuitaria neuronal das novas gerações é inteiramente digital, enquanto que a das gerações mais experientes é analógica. O mergulho nessa era é irreversível, queira-se ou não.

A utilização de todos os aparelhos que permitem a instantaneidade de palavras, sons e imagens, ultrapassando limites territoriais e fronteiras, é um hábito que contaminou legiões. Para o bem e para o mal, as redes sociais dominam: imperam soberanas e impõem hábitos, costumes, mudam linguagem e comportamento. Transformam, profundamente, o convívio e a fisionomia da sociedade.

Como impedir que aquilo que faz parte do cotidiano dos jovens seja ignorado pela escola? A alteração da lei respeita a autonomia docente. O professor é que saberá se a utilização do celular atenderá à finalidade pedagógica. E muitos docentes já se servem dos benefícios desse instrumento de busca de um infinito acervo de conhecimento. Um mobile permite ao usuário o acesso às maiores e melhores universidades do planeta, às bibliotecas mais famosas, além de museus e institutos científicos. O que dizer dos milhões de textos, inclusive obras clássicas, já disponíveis porque agora são de domínio público?

Pesquisa empírica mostra que a imensa maioria dos estudantes já possui o seu celular. Mas a Secretaria da Educação ainda disponibilizará, gradualmente, além do wi-fi e da banda larga em todas as escolas estaduais, o tablet e a conectividade que fará o link entre nossos jovens e o universo mágico desta idade virtual. O mundo mudou. E mudança significa: quem não muda, …dança!

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 16/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Milton Michida/A2IMG

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Um projeto de vida

Quem é que pensa hoje no futuro? Aturdido com o momentâneo, perplexo diante das surpresas de cada dia, o ser humano mal tem condições de administrar seu cotidiano. Todavia, há de se pensar no amanhã. Um amanhã em que o inesperado terá lugar garantido. A ficção científica foi superada pelo avanço tecnológico e científico. Sabe-se que tudo será diferente daqui a alguns anos. Só não se sabe qual o grau dessa diferença.

O desafio maior da educação é preparar a criança e o jovem para esse porvir incerto. Conteúdo curricular defasado, didática ainda distanciada dos recursos propiciados pela inevitável 4ª Revolução Industrial, tudo parece conspirar para o desinteresse de gerações que parecem já ter nascido com chip em seus cérebros.

Por isso é urgente fazê-las pensar num projeto de vida. Algo que já existe no ensino integral, que deveria ser a regra desde os anos iniciais, em que se desenvolve as competências socioemocionais, muito mais importantes do que as cognitivas. A Revista da AIMES – Associação das Instituições Municipais de Ensino Superior -, em edição especial para servir de guia do estudante e publicada em setembro de 2017, oferece algumas dicas. Aproprio-me delas, com o devido crédito.

Elaborar um projeto de vida significa sonhar e agir com atitude proativa, investir no objetivo focado. Tente escrever um projeto estabelecendo metas com clareza. Um projeto de vida não é algo a resultar do impulso ou da emoção. Deve ser construído com calma e ser alimentado e mesmo revisado ao longo do tempo.

Não se pode esquecer que o passo é o movimento natural do ser humano. Uma caminhada, por longa venha a ser, começa com o primeiro passo. É preciso responder indagações como: para que construir o meu futuro desejado nos horizontes de 5 a 10 anos? O que devo realizar?

Pense nele com frequência e conclua se é possível aprofundar ou mudar de ideia. A reflexão é uma ferramenta poderosa de arranjo mental. Assim como se procura manter em ordem os objetos materiais, seja em seu quarto, seja em seu trabalho, as ideias também precisam estar ordenadas na consciência. Sem esquecer que “a louca da casa”, como Santo Agostinho chamava a imaginação, pode desordená-las amiúde. Volto ao assunto em outro artigo.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 16/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Outra cabeça

Quem ainda tem algumas décadas para viver precisará de outra cabeça. Mais aberta, menos preconceituosa, apta a assumir novidades que já se encontram disponíveis e que dependem de novo molde mental. Vejam-se, por exemplo, os desafios que o aquecimento global propõe ao ser humano, para que ele encontre estratégias de minimizar o estrago causado ao ambiente. Um deles, tangível e inegável, é o malefício derivado de excesso de veículos movidos a combustível fóssil.

O aumento de enfermidades causadas pela poluição ambiental, a perda de tempo gasto em deslocamentos cotidianos, a redução da produtividade das pessoas, a aceleração na perda do PIB nacional, em momento tão trágico da história brasileira, são alguns fenômenos que deveriam incomodar a consciência leniente de grande parte dos humanos deste século.

É mais do que urgente a adoção de soluções de mobilidade urbana sustentáveis. Um dos modais é o transporte compartilhado, que precisa, exatamente, de mudança de cultura e mentalidade quanto à posse de veículos. Um estudo divulgado pela Rockfeller Foundation e pela Trans-portation for America de 2014 evidencia que 3 entre 4 jovens americanos, de 18 a 34 anos, gostariam de viver numa cidade sem carro.

 Comprar carro já não é um sonho: 66% dos entrevistados indicam preferir uma cidade com boa oferta de transporte coletivo de alta qualidade. Para 54% desses jovens, o melhor será a oferta multimodal como bicicleta e carro compartilhado.

São Paulo engatinha no uso da bicicleta, veículo acessível para a maior parte da população e capaz de promover maior igualdade social no uso do espaço público, de acordo com Milano e Dos Santos.

Fortaleza inaugurou em 22 de setembro de 2016 o seu “Vamo Fortaleza”, sistema inovador de compartilhamento de carros elétricos disponíveis na cidade. É plano de mobilidade sustentável desenvolvido, implantado e operado pela empresa Serttel, cuja gerente de projetos, Aurélie Dos Santos, salienta que esse primeiro projeto na América do Sul é fator decisivo para a formação de uma cultura diferente.

Até que as pessoas se convençam de que ter um carro é aspiração destinada à arqueologia de tempos pouco civilizados, dos quais seremos obrigados a nos desligar. Mera questão de sobrevivência.

Fonte: ornal de Jundiaí| Data: 12/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Matemática divertida

Uma Olimpíada que une crianças de cinco países tem o propósito de estimulá-las a enxergar a matemática de outra maneira. Matemática atraente, divertida, sedutora. Simultaneamente, a matemática salvadora do futuro. Não há condições de vencer os desafios da 4ª Revolução Industrial, se não tivermos gerações qualificadas nas ciências exatas, das quais a matemática é pressuposto imprescindível.

Lembra Yuval Noah Harari, no best-seller “Sapiens”, que “durante a maior parte da história, a matemática era um campo hermético que até mesmo as pessoas instruídas raras vezes estudavam seriamente. Na Europa medieval, a lógica, a gramática e a retórica formavam o núcleo educacional, ao passo que o ensino de matemática quase nunca ia além da simples aritmética e geometria. Ninguém estudava estatística. A monarca incontestável de todas as ciências era a teologia”.

Mas o mundo mudou: “Hoje, poucos estudam retórica; a lógica está restrita aos departamentos de filosofia, e a teologia, aos seminários. Mas cada vez mais estudantes são motivados – ou forçados – a estudar matemática. Há um movimento irresistível rumo às ciências exatas – definidas como “exatas” por usarem ferramentas matemáticas. Até mesmo áreas de estudo que tradicionalmente faziam parte das humanidades, como o estudo da linguagem humana (linguística) e da psique humana (psicologia), se apoiam cada vez mais na matemática e tentam se apresentar como ciências exatas. Os cursos de estatística hoje são parte dos requisitos básicos não só da física e na biologia, como também na psicologia, na sociologia, na economia e na ciência política”.

Só o direito ainda resiste e não se preocupa com o crescimento de seu custo, o prejuízo da ineficiência, o tempo que se leva para obter uma decisão que nunca é definitiva, tal o cipoal normativo e o caótico sistema recursal que sempre abre oportunidade para um reexame.

Seja como for, as crianças precisam ter consciência de que para sobreviver daqui a alguns anos, será essencial dominar o universo matemático. Nada como começar com propostas sedutoras como a Olimpíada BRICSMATH.Com. É uma olimpíada online em grande escala para alunos do ensino fundamental dos BRICS, em quinze línguas diferentes: inglês, russo, chinês, português, hindu e em todos os idiomas oficiais da África do Sul. Essa iniciativa alavanca a implementação dos objetivos gerais do Grupo BRICS sobre o desenvolvimento da educação. O intuito é a popularização da matemática, desenvolvimento do interesse pela disciplina, união de crianças de diferentes partes do planeta, com eliminação das fronteiras. Consistem em brilhantes exercícios interativos em forma de jogo. As tarefas ensinam a pensar mais do que o quadro usual, mas não exigem conhecimento aprofundado do currículo escolar. Cada criança pode se desenvolver, independentemente de seu nível de conhecimento, nível social e sua localização. Para participar, basta dispor de qualquer dispositivo mobile – celular, smartphone, tablet, notebook, computador convencional – e ter acesso à internet.

A participação gratuita deve ser feita no site bricsmath.com e os alunos, com seus logins e senhas, entram no site e resolvem os exercícios. A navegação básica vai até 15 de novembro e o tempo para resolução dos exercícios é de 60 minutos, em qualquer dia e horário, dentro do período de realização.

É uma verdadeira festa da matemática. Ao término, todos os alunos receberão diplomas que estarão disponíveis no gabinete pessoal e os professores poderão imprimi-los e premiar todos os participantes na escola. A Secretaria da Educação de São Paulo pretende também premiar as escolas que mais participarem desse momento mágico. É a tecnologia a serviço de uma educação antenada com as urgências do amanhã.

Ainda há tempo de participar. Os pais devem incentivar seus filhos, os professores precisam estimular seus alunos, os diretores motivar o corpo docente e se isso acontecer, o Brasil poderá mostrar que está interessado em reduzir a distância que o separa dos Países que estão nos primeiros lugares do exame PISA, cuja última versão, em 2015, mostrou quadro que exige uma reação séria.

Entre já no bricsmath.com. É só até o dia 15 de novembro!

Fonte: Correio Popular| Data: 10/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Rafael Lasci/ A2IMG

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Você está pronto?

Nem todos estão preparados para o novo mundo de conectividade e mobilidade sem limites. Mas existe quem se preparou e está prestes a oferecer à sociedade os veículos mais compatíveis com a exigência contemporânea de observância da sustentabilidade. Pois a ameaça do aquecimento global é ainda a maior causa de angústia para a humanidade.

A propulsão elétrica, a conectividade e a inteligência artificial já possibilitaram a produção de veículos mais flexíveis, ambientalmente sustentáveis e integráveis à infraestrutura de energia elétrica. São os “smart cars”, já perfeitamente adaptados às exigências da internet das coisas – IoT, na sigla em inglês.

As cidades inteligentes hospedarão pioneiramente essa realidade. Prova de que a humanidade, ao contrário do que possa parecer, também está se tornando mais inteligente. Principalmente as novas gerações, não terão o fetiche do carro próprio. Em 2030, segundo a consultoria McKinsey apurou em 2016, a propriedade do veículo perderá relevância. O “car-sharing”, partilha do mesmo carro, o “car-pooling”, já vão responder por 30% do crescimento das receitas do setor e estimulará a venda de veículos para propósitos específicos.

É claro que ainda há barreiras a serem venci-das. Dentre elas, as de ordem econômico- regulatória e técnica, sobretudo quanto à cibersegurança e interface apropriada. A transformação da cultura de uso é um processo que ocorrerá gradualmente. Mas as gerações contemporâneas têm facilidade em se adaptar ao mundo novo, que as nossas apregoaram sempre, mas que não chegaram por nossa incúria, negligência ou timidez.

Os modelos de negócio precisam ser mais abertos, habilitando a participação de outras empresas e mais voltados para o usuário final. Os consumidores, além de proprietários e motoristas, farão parte de novas comunidades de compartilhamento de veículos.

Cuida-se de transformação da indústria automobilística em ecossistema de mobilidade conectada, autônoma e compartilhada, que prenuncia novo e fascinante cenário para os que gostam de mobilidade. As ideias deste artigo são de Marcos de Carvalho Marques e Flávia L. Consoni, do Instituto de Geociências da Unicamp, uma das melhores universidades do mundo.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 09/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Escola não é prisão

A educação liberta. Desde a caverna de Platão, já se nutria a certeza de que as trevas da ignorância recuam quando chega o saber. E este, em regra, é atribuição da escola. Embora a família, principalmente as mães, sejam as primeiras mestras, as responsáveis pelo “currículo oculto” das boas maneiras, tenha enorme responsabilidade, é a instituição “escola” que lapida o que já deve chegar com algum conteúdo humanístico. Esse o ideal.

Nada obstante, não é incomum constatar-se o retrocesso. Alunos chegam às aulas desprovidos de educação de berço. Não cumprimentam professores e funcionários. Não se portam como pessoas polidas, cordiais, amistosas. São às vezes violentos. E chegam a depredar o ambiente que foi construído para seu uso e para melhorar o seu destino.

As nefastas ocorrências de vandalismo em escolas são frequentes. Costuma-se atribuir à poli crise brasileira esse imenso prejuízo causado à nacionalidade. Não é apenas o aspecto financeiro que está em jogo. É um patrimônio muito mais valioso, intangível e que justifica ser invocado como índice civilizatório: o respeito à coisa comum.

O prédio e equipamentos de um estabelecimento de ensino público são de todos. Só estão ali, prontos para uso, porque as pessoas pagaram seus tributos. É com o resultado da arrecadação tributária que o governo faz funcionar todas as repartições e atende a todas as demandas.

Quando é necessário reformar uma escola porque foi maltratada, destruída, incendiada, faltará recurso financeiro para outra urgência.

Melancólico o pedido de alguns educadores para que a altura dos muros seja elevada, os gradis reforçados, offendicula ameaçadora utilizada para afugentar os malfeitores.

Quantas vezes já não se repetiu que uma escola a mais representaria algumas prisões a menos? Paradoxal que se queira redesenhar a unidade escolar aproximando-a, esteticamente, de um presídio. Não é essa a educação de que o Brasil precisa.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 09/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Mastrangelo Reino/A2IMG

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Parede de uma das salas de aula da EE Benedita de Oliveira Ale