Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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A hora da ciência

O Brasil tem de festejar o lançamento do 1º edital do Instituto Serrapilheira para estímulo à pesquisa científica. O intuito é estimular os cientistas brasileiros a buscar respostas às grandes perguntas de nosso tempo. Foram escolhidos sete grandes temas: energia, espaço, forma, identidade, informação, matéria e tempo.

As áreas que serão financiadas: ciência da computação, ciências da terra, ciências da vida, engenharias, física, matemática e química. Nenhuma das áreas está necessariamente ligada a um tema específico. Depende da criatividade do pesquisador estabelecer uma relação entre os objetos de estudo e os temas.

Podem se inscrever os pesquisadores que obtiveram título de doutorado  a partir de 2007. Mulheres com filhos terão um ano a mais para cada filho, até dois. Todos devem estar vinculados a instituições brasileiras.

Serão escolhidos inicialmente 70 projetos, os quais receberão até R$ 100 mil. Depois de um ano, de 10 a 20 projetos dentre os 70 iniciais serão contemplados com aportes de até R$ 1 milhão para 3 anos de pesquisa.

É coisa extremamente rara que o Brasil financie pesquisa. Embora o discurso retórico seja edificante – a universidade se apoia sobre três pilares: ensino, pesquisa e extensão – a pesquisa é pobre. Graças ao casal Branca Vianna e João Moreira Salles, o Serrapilheira reduz a distância entre nosso País e o Primeiro Mundo.

Agora é hora de chamar todos esses pesquisadores anônimos que, em seus laboratórios, permanecem a estudar e a propor soluções para infinitos problemas humanos e fazê-los se interessar por esse projeto que poderá gerar incontáveis benefícios para a ciência no Brasil.

A escola pública fica mais esperançosa de que o ensino e o aprendizado científico obtenha seu “lugar ao sol”, pois nesta área poderíamos superar o atraso e acertar o passo com a contemporaneidade, mediante oferta de perspectivas insuspeitas para o amanhã de nossa infância/juventude.

Fonte: Diário de S. Paulo| Data: 27/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Quando parar de estudar?

Resposta: nunca! O século XXI propõe um padrão de vida em que o estudo é parte obrigatória. Durante toda a existência útil, a pessoa precisa continuar a estudar, a aprender, a se reinventar. A pesquisa “O Futuro do Trabalho”, levada a efeito no Fórum Econômico Mundial em 2016, indicou que 65% dos líderes globais consideram a capacitação das equipes para a solução de problemas complexos o maior desafio desta era.

Isso em virtude da alucinante revolução tecnológica ora enfrentada. Se na década de 90 o conhecimento tecnológico dobrava a cada 15 anos, hoje ele dobra a cada 18 meses. Quem não se atualizar verá desaparecer a sua competência e capacidade de sobreviver.

Não é apenas estudar as novas tecnologias. É saber usar aquelas disponíveis e combinar conhecimentos antigos com as descobertas recentes. Habilidades quais o empreendedorismo, técnicas e criatividade, resolução de problemas inventivos, Design Thinking, talento para persuadir, empatia, compreensão, tudo isso faz parte de um menu que a contemporaneidade oferece a quem quiser subsistir com dignidade e com alegria.

Ninguém deve esperar o convite do patrão, mas o segredo é ser proativo. Quem tem curiosidade chega lá. Quem precisa de empurrão não pega nem no tranco. Cada profissional tem de se perguntar, a cada dia, se aquilo que faz pode ser feito de melhor forma, em menos tempo, com dispêndio menor de recursos e energia. E também se autoindagar se continuará a fazer isso nos próximos anos ou se enxerga maneira mais esperta de chegar ao mesmo resultado.

Ninguém mais poderá se refugiar nas certezas, pois o inesperado surge e a incerteza é a única realidade com que se pode contar. A educação está a enfrentar uma luta incomensurável: não se pode ensinar aquilo que não se sabe o que vai ser. A maioria das profissões com as quais acenamos aos nossos estudantes não existirá dentro de vinte anos. E o que surgirá no lugar? Não há dúvida de que haverá o que fazer, só que isso ainda não tem nome. Cumpre a nós todos adivinhar o que virá!

Só a mente criativa, imaginativa e ousada de jovens audaciosos é que poderá ajudar a humanidade a encontrar caminhos dignos diante de um futuro tão repleto de mistérios.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 27/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

crédito: A2Img/Diogo Moreira

Sala de Leitura.


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Ensino Médio, múltiplas portas

Um dos raros consensos no universo educacional é o de que o chamado ensino médio precisa ser urgentemente revisitado. As crianças assimilam um currículo de cuja elaboração, naturalmente, não participaram, mas o jovem não aceita a transmissão de conhecimento na modalidade presente. São 13 disciplinas ou mais, em compartimentos estanques. Não há diálogo entre elas. Mas o principal defeito do sistema é o seu quase total alheamento da realidade. Não se consegue mostrar ao aluno que o acervo de informações ministrado em sala de aula tenha utilidade prática para uma vida futura muito diferente. Menos ainda interessá-lo a memorizar dados disponíveis em qualquer “móbile”.

Ingressou-se numa nova era: a crescente conectividade das tecnologias de comunicação e informação, a inteligência artificial, a internet das coisas, a robótica, a nanotecnologia. Mas as aulas continuam idênticas às de várias décadas passadas. Há quem diga que, em termos de escola, fazemos o mesmo há séculos.

Até iniciativas saudáveis, como a adoção de um currículo mínimo, esbarram na inércia. O padrão é replicado ano a ano e insiste-se na produção exclusiva de material em papel, quando a inserção no mundo virtual permitiria explorar potencialidades hoje apenas pressentidas. Só que o jovem tem a nítida percepção de que o sistema está equivocado. A resposta é a fuga da escola. A evasão no ensino médio é preocupante. Classes ociosas ou semivazias e barzinhos e baladas repletos de jovens que mostram estar ali por não encontrarem nas aulas a resposta para os desafios de hoje e, principalmente, do amanhã.

Quando se constata que a indústria brasileira não se preparou para a quarta revolução industrial, continua a produzir insumos, maquinário e ferramentas para um tipo de empresa que já não existe, pode-se compreender a dimensão do drama. O cardápio de profissões que a escola oferece ao jovem não existirá dentro em pouco. Enquanto isso, o que ele deverá fazer para subsistir com dignidade ainda não tem sequer nome.

Como não há progresso por salto, e obrigatório é o percurso das etapas essenciais à recuperação do tempo perdido, a urgência impõe reflexão consistente da parte de toda a inteligência brasileira.

Reitere-se o mantra adotado a partir do meu contato pessoal com o ensino público paulista: a educação é direito de todos, prodigalizado na cornucópia de bens da vida assegurados pela Constituição cidadã de 1988. Mas esse direito de todos não é obrigação exclusiva do Estado. É dever compartilhado com a família e com a sociedade. Explícita a opção fundante do artigo 205 da Carta política.

O Estado de São Paulo investe cerca de 30% de seu orçamento – 30% do orçamento do Estado-membro considerado o mais poderoso em termos econômicos em todo o Brasil – na escola pública. Ainda assim, os resultados poderiam e devem ser melhores se houver aproximação familiar e da sociedade e seu autêntico interesse em aperfeiçoar a formação das novas gerações.

O primeiro objetivo é tornar a escola sedutora. Atraente. Interessante. Por que a geração “nem-nem” persiste em sua opção pelo nada? Não estuda porque a escola é desinteressante e aborrecida. Não trabalha porque não encontra algo que o satisfaça como indivíduo desperto para o mundo novo. O “mundo maravilha” de algumas excelentes campanhas publicitárias, em confronto com o “mundo vazio” da vida real.

O mergulho irreversível na vida digital impõe a adoção de todas as fórmulas para instigar a curiosidade intelectual do jovem. Não é substituir pela máquina, pela tecnologia, aquilo que está condicionado a um impulso vital: a vontade de conhecer. Mas é servir-se das possibilidades abertas por esta profunda mutação para alicerçar uma busca mais consciente e direcionada do conhecimento. Nunca houve tanta possibilidade de acessar a sabedoria amealhada pelo ser humano neste sofrido planeta. Afirma-se que a cada 18 meses dobra a quantidade de informações disponíveis. Há um tesouro incalculável a permitir que o nosso jovem – bem orientado, mas a partir de sua determinação – seja um sábio muito mais completo do que qualquer figura legendária da História Universal.

Todos são chamados a implementar uma nova tática para despertar o interesse da mocidade pelo estudo. A família é motor insubstituível. Mãe que participa da vida escolar do filho é um fator de aceleração no processo permanente de absorção do domínio de qualquer assunto. A proximidade familiar da escola alicerça os seus sólidos fundamentos de centro de irradiação de tudo o que é bom para converter a sociedade numa comunidade de interesses sadios.

A sociedade tem papel relevante. Empresas, bancos, entidades, organizações não governamentais, comércio e serviços, igrejas, clubes, associações e pessoas físicas com vontade de mudar o Brasil. Todos são chamados a pensar e a agir. Oferecer oportunidades ao jovem estudante. Propiciar-lhe, se ele estiver no ensino regular, um turno extra com atividades práticas. Incentivá-lo a pensar como se enxerga daqui a 20 anos. O que fará de sua vida? Quais as opções que gostaria que fossem oferecidas para o seu porvir?

Há muito a ser feito. Algo já se faz, mas é preciso mais. Pois a messe é grande. É urgente a multiplicação de obreiros. Acaso o convite do constituinte se mostre insuficiente a motivar consciências ainda empedernidas, que fique a advertência de que a alternativa – deixar as coisas como estão – é nefasta. Quando os bons não fazem a sua parte, o mal cuida de ocupar esse vácuo. Há sinais de que ele pode avançar, até porque se apropriou de virtudes que o bem negligenciou. Disciplina, esforço, sacrifício, hierarquia, obediência, pontualidade, assiduidade, tudo isso a serviço de causas alimentadas por aquilo que não deveria existir na cogitação dos humanos. Paradoxo para as criaturas que se consideram a única espécie racional com morada nesta Terra.

Fonte: O Estado de S. Paulo| Data: 24/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Crédito: A2Img/José Luis da Conceição
ENSINO MEDIO

 


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Liberta ou aprisiona?

Queira-se ou não, aceite-se ou não, mergulhamos irreversivelmente no universo digital. Estamos plugados, ligados, acessamos redes sociais, nos comunicamos, somos informados e conduzidos pelo som permanente das novas mensagens ou por sinais quase imperceptíveis de que informações continuam a chegar.

O lado bom é que nunca se obteve tanto conhecimento. Afirma-se que o acervo de dados dobra a cada dezoito meses. Tudo o que acontece no mundo chega imediatamente até nós. O lado ruim é que muitos se tornaram escravos do sistema. Vivem sob seu comando, alienam-se do mundo real. Já nem conseguem conversar pessoalmente. Só por whatsapp.

Um dos mais respeitados estudiosos do tema é Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro – ITSrio.org. Ele fala da reação a essa dependência que, insitamente, não é diferente de qualquer outra, como aquela que subordina a vontade humana ao álcool, ao fumo e a outras drogas, dentre as quais o sexo pervertido.

A reação viria mediante movimentos como o “slow media”, baseado no “slow food”. A tentativa seria fazer com que os ingredientes da informação venham a ser escolhidos conscientemente e preparados de forma concentrada. Começaria por abolir o hábito de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, o “multitasking”. O uso mais saudável da internet é também o objetivo do jovem designer americano Tristan Harris, que deixou seu emprego no Google para criar uma ONG chamada “Time Well Spent” (Tempo Bem Empregado). Para ele, as pessoas tiveram sua mente sequestrada pela tecnologia. Ele é considerado o que mais se aproxima a “uma consciência ética no Vale do Silício”.

Não é fácil a missão de Tristan Harris. Ele gostaria de convencer as empresas de tecnologia a criar produtos que respeitem o livre-arbítrio dos usuários. Não é o que ocorre. O smartphone, por exemplo, nos mantém prisioneiros. Seu dono, quando não está olhando para a tela, tem a sensação angustiante de que está perdendo alguma coisa muito importante. Haveria alguma condição para se criar um smartphone que, depois de algumas horas de uso, nos mandasse descansar ou dissesse que era hora de dormir? Por enquanto não se vislumbra tal vereda. A tecnologia das informações nos liberta ou nos mantém prisioneiros?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 23/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Quem é que pensa no Brasil?

Alguns fantasmas bem concretos nos rondam: mais de 14 milhões de desempregados, apenas considerados os que procuram empregos; violência crescente: mais de 60 mil homicídios por ano; sucateamento da indústria; desmatamento acelerado; infraestrutura insuficiente. Tudo a culminar por descrédito no sistema político e no governo.

Enquanto isso, a profundidade das discussões no Parlamento, com intensa repercussão na mídia, é a de um pires. Não se reclama urgente e profunda reestruturação do Estado brasileiro. Que precisaria começar com uma reforma política séria. Nenhum País pode merecer quase quarenta propostas de governo. Uma política que aceita quarenta partidos é o testemunho da falência da política. Inexiste tanta definição do que deva ser a coordenação do poder para atender ao povo.

Os partidos políticos no Brasil têm sido reflexo dos sindicatos. São agremiações que existem para disputar recursos financeiros do Fundo Partidário. Precisam resgatar seu valor, seu respeito e sua importância.

Mas não é só. A reforma da Previdência é urgente. Não adianta vociferar se a conta não fecha. Tivemos aposentadorias muito precoces. Pessoas que ainda podiam permanecer na frente de trabalho preferiram o chamado “ócio com dignidade”. Se as coisas continuarem como estão, precisão desistir do ócio ou conviver com a indignidade. Pois proventos e pensões não cabem no PIB brasileiro.

É uma questão atuarial, menos do que jurídica ou política. Ninguém quer tirar direito adquirido a ninguém. Só que a conta não fecha. O que fazer?

Mas há outras questões também sérias. Como disciplinar o Estado brasileiro, que conta com 6 mil municípios, dos quais muitos não têm condições de subsistência autônoma? Criar município é fácil, pois só se consulta a população interessada na autonomia. E depois? Viver do Fundo de Participação? Isso é falacioso. É preciso ter coragem de rever a sistemática. Se não há condições de arrecadação suficiente para a manutenção dos serviços essenciais, é pensar em voltar a ser distrito. Garanto que muitos prefeitos não se oporiam, eis que ameaçados constantemente de improbidade e outros epítetos, seja pelo Tribunal de Contas, seja pelo Ministério Público ou defensoria, sempre atentos aos direitos e muitos próximos ao Poder Judiciário.

O sistema tributário precisa ser revisto para que a União seja a mera aliança entre as entidades federadas, desnecessário o carreamento de recursos que penalizam Estados membros e Municípios. Se o constituinte quis fazer do Município uma parte da Federação, é preciso conferir dignidade para que a condição de ente federado tenha lugar e consequência.

O sistema judiciário também precisa de revisão. Não pode dar certo um País que tem mais faculdades de Direito, sozinho, do que a soma de todas as demais existentes no restante do planeta. A judicialização da vida brasileira é um custo muito dispendioso e já provou que não dá certo. Além de afugentar o capital externo, temeroso dos passivos trabalhistas e judiciais embutidos nas empresas brasileiras.

Só depois disso é que se poderá pensar no governo que vier. Vamos refletir em termos de Brasil, não conforme as próximas eleições. Hoje os prognósticos são sombrios. Se não houver comprometimento efetivo com a verdade, mais a vontade inabalável de fazer o Brasil do discurso coincidir com o Brasil real, o amanhã poderá ser nefasto. E o risco que todos corremos é o de que é tão célere a passagem do tempo, que logo mais o amanhã será ontem

Fonte: Correio Popular | Data: 21/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Ada Pellegrini Grinover

A geração que estudou direito nas últimas décadas do século XX aprendia a identificar os ícones que sinalizavam a excelência de nossa produção doutrinária e jurisprudencial. Dentre eles se destacava a figura de ADA PELLEGRINI GRINOVER.

Pioneira, corajosa, audaciosa em suas teses revolucionárias. Aulas disputadíssimas na graduação e na pós-graduação. Imersa em todos os grupos que pretendiam redesenhar a Justiça brasileira. Atuante no alargamento da legitimidade para acessar o Judiciário, até então encurralado pelas lides interindividuais.

Fui seu aluno no Mestrado. Suas propostas eram instigantes. Logrei chamar sua atenção porque então, na 1ª Vara de Registros Públicos da Capital, aceitara a legitimação de interessados na obtenção de um provimento judicial de regularização fundiária. Ela considerou um passo importante para a futura admissão das ações coletivas e inseriu o caso num livro.

Desde então, passamos a conviver. Inúmeras vezes estive em sua casa para debater a elaboração de propostas legislativas, sobretudo no âmbito dos direitos difusos, das ações coletivas, de novos instrumentos processuais que enfrentassem o flagelo da judicialização e as leis ambientais.

Foi uma das integrantes de minha Banca no Mestrado. Criticou-me porque não havia conferido a devida atenção à Argentina, enquanto contemplara outras nações no tema recrutamento e preparo de magistrados. Mas me aprovou.

Convivemos fraternamente na Academia Paulista de Letras. Era uma voz quase sempre discordante. Ainda recentemente, lamentou que não fôssemos assertivos para recuperar confrades que se afastaram magoados com alguma política interna. Guardo com respeito o fato de ter escolhido uma obra que ela coordenou para o maior prêmio Jabuti de 2015. Obviamente, sem ela saber, pois integrar o Júri obrigava a um compromisso de confidencialidade.

A cada quinta-feira ela me recebia com um sorriso e um indefectível “Querido Renato”! Sei que vou sentir muito sua falta, até nos reencontrarmos no etéreo. Mas o seu lugar na História está garantido. Foi a mulher mais importante para o Direito Processual no Brasil e uma das maiores em todo o mundo.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 20/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

crédito imagem: OAB/PR

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Redescobrir o melhor de São Paulo

No vendaval de más notícias que assola o país, há espaços para bonança. Uma delas é a iniciativa do Instituto PROA, que promoverá algo oportuno e inovador em benefício do estudante da escola pública. A ideia é incentivar o alunado jovem a redescobrir São Paulo no aspecto cultural. A partir do intenso uso dos “mobiles”, um aplicativo indicará ao aluno qual a atração mais próxima a sua localização física. Ele será convidado a conhecer esse equipamento – seja museu, biblioteca, prédio histórico ou atração arquitetônica, por exemplo. Dentro do espaço indicado, será desafiado a resolver um pequeno “quis” e a responder uma das questões formuladas no formato de múltipla escolha.

Cada fase terá uma retribuição estabelecida em “proacoin” para se servir da moeda digital em cursa e já conhecida pelos frequentadores da web: o bitcoin. Esse “capital” será trocado por benefício de ordem cultural e, com isso, a juventude paulistana aprenderá a conhecer melhor a sua cidade.

Mais de 500 atrações já foram catalogadas . Muitas outras de certo existem e poderão ser acrescentadas. O importante é que o projeto levará exatamente a faixa adolescente a redescobrir o melhor de São Paulo e a se aproximar afetivamente desta metrópole desafiadora e apaixonante. São Paulo sempre esteve à procura de amor. E nunca esteve tão carente dele.

É alentador verificar que parcela diferenciada do empresariado oferece apoio à educação estatal assume o dever explicitamente descrito no artigo 205 da Constituição da República e faz sua parte. O protocolo de intenções assinado com o Instituto PROA, que tem como executivo o talentoso Rodrigo Dib e o como diretor Marcelo Barbará, foi um momento de reforçar a esperança em dias melhores para a escola pública.

Sem uma aproximação afetiva e efetiva da educação em todos os níveis, por parte de todos e não apenas do governo, o Brasil não alcançará os níveis civilizatório desejáveis. E sem eles, os prognósticos são aqueles plúmbeos que ninguém quer e nem gosta de pensar.

Fonte: Diário de S. Paulo| Data: 20/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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