Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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O passado tem futuro

Na ânsia de antecipar o amanhã, é comum reneguemos o passado. Tudo tem de ser “up to date”, ou seja, antenado com o que há de mais recente e pioneiro. Despreza-se o ontem e prestigia-se o que não se conhece e que ainda não aconteceu. Não aprendemos com o surgimento do inesperado. Nunca se errou tanto ao tentar prever o que nos reserva o futuro.

Num artigo recente, (“Quem detém o futuro”, OESP-27.11.16), o engenheiro Demi Tetschko, que tenho ouvido em vários ambientes e que é uma pes­soa muito lúcida, observou que a geração do milênio o importante é a rede, a conectividade e a interação vir­tual. Mas ele não consegue detectar o que certa parte da juventude estabelece como objetivo para a sua fase adulta. Aparentemente, ela prefere permanecer para sempre na adolescência. A tradução de seu pensamento poderia ser: “Se hoje o poder está em nossas mãos, porque o abandonaríamos decaindo a uma categoria de status inferior, como a dos adultos? ”

Mas os que acreditam no futuro sempre melhor, em detrimento do passado, do qual não se deve ter saudades, precisam se lembrar de G.K.Chesterton, em sua obra “O que há de errado com o mundo? ”, de 1910. Ele profetizou: “O futuro é um refúgio onde nos escondemos da competição feroz de nossos antepas­sados. São as gerações passadas, não as futuras, que vêm bater à nossa porta. O futuro é uma parede branca na qual cada homem pode escrever seu próprio nome tão grande quanto queira. O passado já está abarrota­do de rabiscos ilegíveis de nomes como Platão, Isaías, Shakespeare, Michelangelo, Napoleão. Posso mode­lar o futuro tão estreito quanto eu mesmo. Já o passado tem por obrigação ser tão amplo e turbulento quanto a humanidade. E o resultado dessa atitude moderna é este: os homens inventam novos ideais porque não se atrevem a buscar os antigos. Olham com entusiasmo para a frente porque têm medo de olhar para trás”.

Não é diferente o Marx do “18 Brumário de Luis Bonaparte”: “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade, e sim segundo as escolhas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”.

Quem é que está certo? Hegel, que tanto influenciou Marx, vaticinou: “A história nos ensina que a história não nos ensina nada”.

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Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 19/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.


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Orgulho paulista

Uma escola pública estadual de São Paulo, mais exatamente de Taquarituba, leva o nome do Brasil num evento de elevado prestígio internacional. É a Escola Estadual Prof. Dimas Mozart e Silva, região de Avaré, cujos alunos Letícia Cristina de Oliveira Castro e Vinicius da Silva Ferrari representaram a equipe sob a coordenação da Professora Viviane Cristina Silva Ramos em Abu Dhabi, por ocasião do encontro com os finalistas do Prêmio Zayed de Energia do Futuro, categoria “Global High School”, promovido pelo governo dos Emirados Árabes.

Desde 2013, os alunos da Escola Dimas desenvolvem projetos relacionados à sustentabilidade, como a participação na fase estadual da IV Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, com o tema “Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis”. Em 2015, os alunos do Ensino Médio representaram a escola com o projeto “Lixo não…Adubo!”, na Feira de Ciências das Escolas Estaduais Paulistas.

A participação no Prêmio Zayed teve início nas aulas de Biologia e Ciências, com o debate sobre ideias, necessidades e sonhos dos alunos, no sentido de tornar sustentável a sua escola. Houve intensa participação de todos os estudantes e a elaboração do projeto levou em consideração a redução do desperdício, a melhoria da eficiência energética e a obtenção de menor consumo, a otimização do uso consciente da água, tudo com vistas a converter a escola num espaço propiciador da construção do conhecimento. Nesse sentido, propôs-se a confecção de tapetes que captam energia quando pisados (piezoelétricos), uso de placas fotovoltaicas no teto, cisterna para captação de água da chuva, construção de composteiras e ampliação da horta orgânica, revitalização dos jardins, criação da sala sustent-ação de Oficinas Sustentáveis, aquisição de balcões térmicos para o refeitório, substituição das lâmpadas incandescentes por LED, troca de torneiras e descargas, pintura e texturização da escola com tinta ecológica.

Todos se envolveram: os alunos, o Grêmio Estudantil, os professores, os gestores, os funcionários e as famílias. E São Paulo inteira deve se orgulhar do êxito dos alunos da Rede Pública que representam o Brasil como finalistas do Prêmio Sheikh Zayed, considerado o “Pai da Nação”, cuja vida e obra continua a inspirar o povo dos Emirados Árabes e serve de exemplo para todas as pessoas que se preocupam com o futuro do Planeta. Foi ele o transformador do território em que se estabeleceram os Emirados Árabes Unidos em 1971, numa das mais ricas e poderosas nações da Terra. Nascido em 1918, em uma das mais ilustres famílias do mundo Árabe, o caçula de quatro filhos de um dirigente de Abu Dhabi de 1922 a 1926 e neto do Sheikh Zayed bin Khalifa, que governou o Emirado de 1855 a 1909, o mais longo reinado em mais de três séculos em que a família Al Nahyan conserva o poder.

Embora possuindo enormes reservas de petróleo e gás natural, os Emirados Árabes Unidos se preocupam com a diversificação da matriz energética e propiciam estudos em todos os continentes, incentivando a juventude a elaborar projetos de sustentabilidade. Do Sheikh Zayed nasceu essa diretriz que ainda hoje perdura, doze anos após seu falecimento.

Horas antes do embarque para Abu Dhabi, a professora Viviane Cristina Silva Ramos e seus alunos Letícia Cristina de Oliveira Castro e Vinícius da Silva Ferrari foram recebidos pelo Governador Geraldo Alckmin, que se congratulou com eles e com a Escola Estadual “Professor Dimas Mozart e Silva”, de Taquarituba. Também estavam presentes o Secretário de Energia e Mineração, João Carlos de Souza Meirelles, que é um dos conferencistas no grande Encontro em Abu Dhabi e o Cônsul Mohame Al Dhanheri, dos Emirados Árabes, que acompanha os alunos brasileiros nesse memorável evento.

A esperança é de que São Paulo continue a produzir cada vez mais ciência e seus alunos sejam criativos e levem a sério a advertência de José Graziano, Diretor Geral da ONU para a Agricultura e Alimentação-FAO: “O planeta já esgotou a cota de irracionalidade no uso de recursos finitos; a tarefa compulsória do Século XXI será viabilizar o Acordo de Paris sobre o clima, reinventar formas de viver e de produzir para além do impasse”.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 17/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Foto: A2img / Daniel Guimarães


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Poesia não vende

É o nome original do livro de poesias de minha amiga, companheira na Academia Paulista de Letras, a renomada Renata Pallottini. Poeta e dramaturga pres­tigiada no Brasil e fora dele, oferece esta obra com 130 poemas de instigante inspiração.

Poesia é essencial para este mundo consumista, cuja rotina rouba os raros instantes de sensibilidade e nos faz escravos da burocracia e do politicamente corre­to. O poeta está numa outra dimensão. Sofre mais, é ób­vio, mas consegue enxergar dimensões imperscrutáveis para os autômatos, zumbis robotizados que respiram, caminham, trabalham, mas não têm tempo de amar.

Devorei o livro de uma só vez. A cada verso, impulsionava-me a vontade de prosseguir. E mencio­naria muitos, não fora o espaço que me é reservado para refletir e partilhar sensações com aqueles que têm a paciência de me ouvir. Mas me impressionei com “O passado”: “O passado é um cesto cheio de frutas secas. É preciso trincá-las, as doces e as salgadas. É preciso mordê-las, as amargas e as outras”.

Quem é que não encontra amarguras em sua história? Mas também garimpamos instantes mági­cos. Como os vivenciados com a linda e querida Lupe Cotrim Garaude, a quem Renata dedica outra poesia: “Todo poeta é uma flor que permanece/Espada aérea e franca/Contra a morte. Todo poeta é uma cor que per­manece/No olhar sobrevivente/E na luz das manhãs que voltam sempre/Lupe/Lume de azul/Longe beleza/ Antena sobre o espaço/E carne quente/Sílaba proferida, pesadelos/A transitoriedade que se esquece/Na luta pela vida/Passageira/Todo poeta é uma dor que permanece”.

Também me tocou o texto “A mãe”, que me trouxe recordações de minha permanência de 43 anos no sistema Justiça: “Meu filho está na sarjeta/Alguém matou o meu filho/Tinha poucos anos e/Poucas culpas o meu filho. Era drogado e vencido/O meu filho; e era moço. Igual aos ou­tros, meu filho/Era carne, pele e osso. Ninguém me disse por que/Alguém matou o meu filho. Acho que a alguém molestou/Acho que alguém o marcou. Para morrer, meu menino. Eu o pari, como sempre/Soem parir as mulhe­res; Com dor e com esperança/Como nascem as crianças. Alguém o ensinou a usar/Isso que usam os malditos. Di­nheiro sempre; dinheiro. Dinheiro e gozo da vida. Muita festa e muito ruído/E um amor mal resolvido; Não sei di­zer mais do que isso. Não sei dizer. Está dito”.

Sedutor o livro de Renata Pallottini. Há uma sequência chamada “Vida de cachorro”, que merece resenha à parte. A palavra está com os mais doutos. Quanto a mim, só posso dizer que recomendo a leitu­ra. Faz enorme bem para a alma.

 

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 16/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.


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Geração conectada

Um dos analfabetismos que está sendo aceleradamente erradicado é o digital. Vejo pessoas de todas as idades navegando bem pela internet, desenvoltos com seus smartphones e se deliciando com a possibilidade de comunicação on line com pessoas em todas as partes do mundo.

A Revolução das TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação vieram para ficar. O Brasil hoje está conectado. A parcela dos excluídos digitais passa a ser inexpressiva. Somos líderes em navegação e redes sociais. A cada dia melhoram os índices do acesso à rede. Em 2015, tínhamos metade do Brasil conectado. O Sudeste vencia esse campeonato, com 60% de conectividade. Hoje tais percentagens já melhoraram.

Somos o segundo no uso do Twitter, o terceiro no Facebook, também no Instagram estamos entre os primeiros. Tudo se tornará a cada dia mais veloz, porque a internet das coisas está aí e já produz frutos, principalmente no setor segurança. Mas isso é apenas o primeiro passo. Há muitos caminhos a serem percorridos e a cada dia teremos uma surpresa.

Daí a urgência de se fazer as concessionárias de telecomunicações cumprirem de maneira satisfatória a obrigação de oferecer acesso de qualidade a cada escola pública. Esse dever consta dos primeiros contratos e a previsão era que a cada seis meses, a concessionária faria uma revisão para requalificar a oferta, sempre no sentido de aprimorá-la. Ou seja: o compromisso é oferecer à escola pública serviços de idêntica qualidade aos oferecidos comercialmente.

Importante que isso seja levado a sério, porque de nada adianta prover as escolas de lousa digital, permitir que alunado e professores usem pedagogicamente o celular, se não houver possibilidade de acessar a internet.

Nossos jovens mostram uma desenvoltura singular ao se servirem desse cardápio digital. Têm familiaridade com os aplicativos, sabem procurar e encontrar respostas para tudo, fazem pequenos filmes, se divertem e estão continuamente conectados.

Que isso sirva para construir uma cidadania mais unida e mais pronta a colaborar com ideias, controle, fiscalização e acompanhamento de todas as políticas públicas. E que a mentira, a “pós-verdade”, o preconceito e a agressão venham a ser banidas desse uso virtual, pois não é disso que o Brasil precisa para se tornar a grande Nação de nossos sonhos.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 16/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Pedagogia da emergência

Quem se acostumou a reclamar do Governo, o onipotente e onisciente provedor de todas as neces­sidades, pretensões e idiossincrasias, precisa de um choque de realidade. A crise brasileira é insignifican­te, se comparada com o que ocorre em outros países. A Síria é um exemplo. Nada como olhar para outro cenário e concluir que ainda estamos numa situação privilegiada. Guerras e catástrofes naturais causam consequências trágicas em milhões de pessoas, das quais as mais prejudicadas são as crianças.

O professor alemão Bernd Ruf criou a chama­da “pedagogia da emergência”, utilizada para socorrer pessoas vulneráveis como aqueles que estavam na Fai­xa de Gaza, no Haiti pós-terremoto, no Japão pós-tsu­nami e no Iraque atual.

O trabalho com crianças traumatizadas mostrou a Bernd Ruf que é preciso trabalhar com quatro fases: a primeira é a do choque. Surgem reações fisiológi­cas: dor de cabeça, taquicardia. A segunda é a reação pós-traumática, na qual aparecem os sintomas de en­rijecimento da musculatura da face, palidez da pele, onde os olhos se arregalam. Se os sintomas não forem tratados, a enfermidade se torna crônica e mais gra­ve. Já a quarta, mais rara, é a mudança permanente de personalidade. A pessoa pode se tornar antissocial, delinquente, depressiva ou agressiva, adquire vícios e precisa de drogas para sentir alívio.

Nem sempre – ou quase nunca – a criança con­segue verbalizar seus sentimentos. Por isso a metodologia Waldorf, seguida pelo mestre, usa formas artís­ticas: pintura, desenho, composição de música. Jogos lúdicos, como pular corda, formar uma roda, que sig­nifica harmonia, enfim, trabalha-se a alegria. “A alegria cura, fortalece o sistema imunológico, enquanto o estresse nos deixa doentes”.

Se isso é vital para as crianças refugiadas, o método serve também para outras hipóteses, não necessariamente só para guerras ou cataclismos. O trauma pode ocorrer por acidentes, criminalidade, roubo, intervenções médicas, abuso sexual. O importante é que a criança se sinta incluída, amparada e amada. Sem isso, não há se falar em recuperação. É missão gratificante resgatar a autoestima desses infantes privados de suas famílias, de seus lugares de origem, da despreocupação própria à faixa etária para que cresçam em alegria e equilíbrio, aptos a renderem homenagem à vida.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 12/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Programar para vencer

A 4ª Revolução Industrial em plena marcha, acelera-se a cada dia e reclama reação compatível de parte dos que têm responsabilidade em relação ao futuro. Os educadores são chamados a reinventar o ensino, pois as atuais gerações não estão assimilando o sistema. Aulas prelecionais, inúmeras disciplinas, a técnica da memorização, a avaliação que só leva em conta a capacidade mnemônica, tudo isso faz parte do passado e ajuda a explicar o insucesso da estratégia escolar.

Já não satisfazem as lousas, as carteiras en­fileiradas, um professor à frente falando durante 50 minutos. As crianças e jovens pedem outro design de salas de aula. Têm interesse por robótica e querem ser programadores. Já manuseiam seus smartphones e tablets com desenvoltura. Dominam a tecnologia da comunicação e filmam o que interessa, produzindo mensagens atrativas que são multiplicadas por redes como o You Tube.

Por isso é que dão certo iniciativas como a Super-Geeks, escola de programação e robótica para crianças a partir dos 8 anos e para adolescentes. A proposta é preparar o aluno para que saiba criar seus próprios jogos. Pois a programação não é exigência do futuro: é a linguagem do presente. No mesmo sen­tido a MadCode, um centro de ensino de tecnologia a partir dos conceitos básicos de ciência, matemática e engenharia aplicados à vida real. Depois da criação de games, robôs e programas, vem o aprendizado de empreendedorismo.

A escola precisa criar soluções para problemas reais. O que mais se aproxima disso hoje em dia é o ensino técnico, que já existe há muito tempo, desde as Escolas Industriais da Rede Pública e se disseminam em ETECs, um “case” de evidente sucesso.

O Brasil tem um déficit de centenas de milha­res de vagas no setor da tecnologia. Fala-se em falta de 500 mil novos programadores. E há um interesse enorme por parte de crianças e jovens nessa área. Cabe lembrar que, o cada dia mais venerado Barack Obama, já conclamava as crianças norte-america­nas: “Não se contente em comprar um videogame. Crie um!”.

São Paulo tem iniciativas que merecem atenção, como a Escola Britânica de Artes Criativas, com seus Cursos Técnicos e Livres e seu Bacharelado Britânico. O Bacharelado oferece as opções de Desenho Gráfico, Ilustração, Efeitos Visuais para Cinema e TV, Anima­ção 2D para Mídia Digital, Computação 3D, Games 3D e tem Cursos Técnicos e Livres de Cenografia, Conceito de Arte, Design de Interiores, Design Gráfi­co, Direção de Arte Digital, Edição de Filmes, Efeitos Especiais, Game Graphics, Generalista 3D, Ilustra­ção, Mobile Application Design, Motion & Broadcast Design, Visualização Arquitetônica e outros cursos de curta duração.

Tudo o que o mercado está pedindo. Pois o Bra­sil e sua urgência na produtividade não distingue entre cursos exclusivos, clubes de programação, aulas ex­tracurriculares em escolas de metodologia tradicional, experiências corporativas, parcerias entre empresa e escola, e outras providências pioneiras ou já experi­mentadas. O essencial é oferecer essa oportunidade para jovens que hoje ainda recebem a mensagem an­tiga de um modelo superado, quando a maior parte das profissões com que se acena para eles não existirá dentro de algumas décadas.

Só alavancaremos a competitividade se viermos a conferir esse imprescindível salto qualitativo à edu­cação em todos os níveis.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 10/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

 

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Conviver com os millenials

A geração dos que nasceram entre 1980 e 1995 é chamada de “Geração Y” ou “Millenial”. Nascem com chip, estão permanentemente plugados e nave­gam com desenvoltura pelas redes sociais. Suas carac­terísticas são bem conhecidas. Portadores de atenção múltipla e difusa, são multitarefas. Ou seja: conse­guem responder a diversos estímulos simultaneamen­te. São acostumados com a flexibilidade, ou seja, não acreditam em regras rígidas, em horários predetermi­nados, mas preferem dar conta do recado cumprindo as metas estabelecidas.

O questionamento é uma prática rotineira. São oriundos de uma educação que procurou evitar trau­mas. Desacostumados de qualquer hierarquia, discu­tem com os pais de igual para igual. Perquirem, insis­tem e não desistem enquanto não estiverem satisfeitos.

Como não aceitam hierarquias nem chefias, a lide­rança há de ser conquistada e não imposta. Confiam na re­putação do gestor, independentemente de sua autoridade.

Acostumaram-se a prestar e a exigir contas. Replicam essa conduta com seus funcionários. São adeptos do “feedback” frequente, atrelado ao “coa­ching”, ou seja, à orientação de alguém com experi­ência maior. Não conseguem separar adequadamente o trabalho e a vida pessoal. Fazem do trabalho um lu­gar de divertimento e de convívio agradável. Mas não querem permanecer durante doze horas no escritório ou local de trabalho. Aceitam responder a e-mail pro­fissional de sua casa. Quando assumem responsabi­lidades, procuram satisfazer as necessidades de seus colaboradores.

Um caractere comum é a ansiedade. Como têm foco no curto prazo, não hesitam na troca de postos de trabalho. Não pensam em “fazer carreira” no mes­mo espaço em que iniciaram sua jornada profissional. Em regra, não permanecem mais do que cinco anos na mesma empresa.

Para melhor compreender os “millenials”, é bom saber que 64% deles em cargos de comando consideram valores pessoais muito importantes ao tomar decisões. 61% dos “millenials” se recusam a desempenhar uma atribuição se ela não se alinhar a seus princípios. 76% dos jovens executivos preferem ambiente de trabalho criativo e inclusivo e, finalmen­te, 71% querem mudar de empresa ao final dos cinco anos de atividade. Esses os líderes do século 21, aos quais legamos a missão de resgatar os valores deste Brasil tão abalado, moral, política e financeiramente.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 09/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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