Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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Empreender e ousar

Passei quarenta e três anos no sistema Justiça. Quase quatro no Ministério Público, quase quarenta no Judiciário. Sempre pensei que o direito fosse ferramenta para solução de problemas. Assim encarei a missão institucional do MP, assim procedi como julgador. Ao adentrar ao chão minado e perigoso do Executivo, percebi que o direito é um complicador. Tudo esbarra na inviabilidade, na dificuldade, nos óbices, na presunção de má-fé.

Por isso é que é tão difícil sobreviver honestamente no Brasil. Enquanto em outros Países existe um estímulo ao empreendedor, aqui ele enfrenta um Himalaia de problemas. Basta mencionar que nos Estados Unidos, fala-se em “start your business in one day”: comece seu negócio em um dia. Sem entraves, sem burocracia, sem aquela desconfiança rançosa de quem só sabe falar “não” e responde com o irritante: “Ninguém foi preso por falar não! ”.

As agências de apoio ao empreendedor têm incentivo material e o respeito do Governo e da sociedade. O pesquisador é respeitado. O professor é amado e reconhecido por despertar em seu aluno a vontade de ser protagonista, de ganhar autonomia, de não depender exclusivamente de empurrão alheio para vislumbrar o que o fará feliz e capaz de garantir sua subsistência.

O verbete “empreendedor” existe na França há mais de oitocentos anos: o “entrepreuner”. Não é uma ideia sofisticada, reservada para poucos. É a criatividade posta em ação. A engenhosidade e a vontade de resolver um problema concreto. Quanta coisa existe que poderia ser resolvida da melhor forma. É preciso estar atento para verificar o que se passa no mundo e tentar oferecer algo que ainda não existe ou que, se já existe, pode ser aperfeiçoado.

Mas é verdade que o combate às mentes labirínticas que sufocam as boas iniciativas sob argumentos jurídicos é urgente. Por que não recobrar a certeza de que o direito existe para ajudar e não para atrapalhar? Essa é tarefa para os milhões de advogados e bacharéis produzidos pela imensa quantidade de Faculdades de Direito que, em boa parte, ainda continuam a formar litigantes e não pacificadores. Estes é que são chamados a ajudar o Brasil a crescer. Felizmente, ainda existem e são aquilo que o Evangelho chama de “fermento na massa”.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 20/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Foto: Daniel Guimarães/A2IMG


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Tudo é educação

Tudo é educação, ou “educação é tudo”, como queiram. Não há problema brasileiro que não se re­solva mediante educação. Educação por inteiro, con­venhamos. Não se tente reduzir a reflexão a aspectos importantes, mas que não chegam a abranger a totali­dade do tema. Falo em educação que começa em casa, até antes do ser educando nascer. Por que se põe um filho no mundo? Ele está em nossos planos? Que vida queremos para ele? Se depender de nós, como ele en­contrará este planeta?

A demanda por direitos põe em quarto plano assumir obrigações. Exigir aquilo que não é obriga­ção exclusiva do Estado, mas que também depende do indivíduo demandante é uma face do problema. O desafio é multifacetado. Há muitas dimensões que re­clamam detida atenção.

Como seria melhor a vida se a educação infor­mal habitasse os lares, a vizinhança, o bairro, a comu­nidade, a região, a cidade inteira! Se cada um pensas­se que o resíduo sólido – nome eufemístico para lixo – abandonado numa área pública será recolhida com dinheiro de todos, talvez até por economia as pessoas fossem mais conscientes.

Quanto é que se gasta no Brasil com cole­ta de lixo, com os famigerados “lixões”, com as consequências da falta de educação cívica e de higiene?

Não seria muito melhor para todos se os rios fossem límpidos? Que pudéssemos utilizá-los como via gratuita de transporte, recurso barato para completar nossa necessidade nutricional, paisagem e deleite porque ver água límpida em movimento é exercício mental revigorante?

Soubéssemos nos servir com sabedoria daquilo que a natureza nos oferece e não have­ria fome. Inacreditável que se desperdice tanto alimento num país em que metade passa por ne­cessidade e metade tem problemas de saúde em virtude da obesidade.

Por falar em fome, o prêmio “Josué de Cas­tro” 2017 está em pleno curso. Josué de Castro, aquele que falou: “Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens contra outros homens”. É isso mesmo. A melhor pesquisa científica, o melhor programa ou pro­jeto de política pública, ambos estão sendo chamados a concorrer, com inscrições de 17 de julho a 15 de agos­to, pelo e-mail consea@consea.sp.gov. O regulamento está disponível no site http://www.consea.sp.gov.br/josue-de­-castro. Informações pelo telefone 11-5067-0394.

A fome, a saúde, a violência, o emprego, a segurança pública, o saneamento básico, a longevidade, o desespero, o estresse, a angústia, a falta de perspecti­va, tudo isso pode ser resolvido mediante um eficien­te programa educativo. Educação formal e informal. Direito de todos, mas dever do Estado, da família e da sociedade. Todos chamados a participar dessa missão que é infinita em suas potencialidades e que em pouco tempo mudará o Brasil. Para melhor, é óbvio.

 

Fonte: Correio Popular| Data: 18/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Qual a proposta?

A sensação pode ser a de que se perdeu tudo: esperança, perspectivas, vergonha na cara. Mas ficar lamentando ou praguejando não vai melhorar as coisas. Ao contrário. Vai gerar mais desânimo e mais revolta. É preciso introjetar-se daqueles sentimentos que um dia já nos alimentaram e fazer com que eles consigam nos impelir rumo ao amanhã.

A proposta singela é fazer o melhor a cada dia. Situação difícil? Óbvio. Mas poderia ser pior. E se este fosse o último dia de minha passagem pela Terra?

 Haveria tempo de acertar as contas com o coração magoado? Recuperar relações cuja ruptura me faz falta e meu orgulho não deixa admitir? Explicar o que ficou ambíguo, ter coragem de dizer “eu te amo” ou de pronunciar em alto e bom som: “perdão”?

 A vida terrena é um drama do qual somos protagonistas, mas não somos o diretor de cena. Vamos interpretando papéis ao sabor de tantas ocorrências das quais não temos o mínimo controle. Entretanto, a persona continua no palco. Para aplausos – poucos – e vaias – muitas.

Desapeguemo-nos do que não é essencial. Valorizemos o que tem sido natural e nem sempre percebemos. Pensemos que todo este exuberante mundo, que às vezes parece mais assustador do que acolhedor, não pode ter resultado de uma explosão. A singeleza de minha mente não é compatível com a tese do Big Bang. Por isso encontro resposta mais plausível no design inteligente. Alguém preparou esta vida para nós. Esse Alguém não nos faria cheios de sonhos, com sentimentos tão apurados, tão sofisticados e tão pretensiosos, se fôssemos descartáveis. Existe algo após o mistério da morte.

Ela é a única hipótese de interrupção da marcha. Depois dela, o ignoto. Infelizmente, nunca recebi visita dos amores que já partiram. Gostaria de um recado, uma mensagem, um gesto de carinho. Em vão.

No momento em que o País parece imerso em desencanto, a proposta é a retomada dos sentimentos ingênuos da criança que ainda não deixou de existir dentro da cabeça empedernida, rude e sofrida de cada adulto consciente. Vamos fazer com que ela nos anime a prosseguir. Depois do vendaval vem a bonança. Depois do tsunami também?

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 17/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Não há como escapar

Ninguém consegue fugir à quarta revolução industrial. Nela estamos todos imersos. O mundo a cada dia é outro, diferente de ontem e diferente do amanhã. As comunicações e informações mereceram impulso exponencial, muito desproporcional em relação ao avanço das relações humanas. Tornamo-nos a cada dia mais insensíveis, enquanto nos transformamos em cúmplices da tecnologia, servos das máquinas, escravos das redes.

 Para sobreviver, cumpre tentar dominar o que restou da consciência. Ela também foi abalada e em muitas pessoas está neutralizada. Os seres humanos viraram autômatos. As emoções que superam a barreira deflagram violência, ira, angústia, ressentimento, droga e suicídio. Há muita leitura disponível, para quem queira compreender o que se passa. Além de um acervo enorme de documentários, entrevistas, depoimentos e prognósticos. Grande parte deles catastróficos. E os assuntos proliferam. Novidades a cada instante!

A roupa inteligente, por exemplo. O mundo “wearable”, que emite sinais sobre nossa respiração, pulso, batimento cardíaco, emoções, sensações, etc. Progresso? Evidente. Mas também canal de fornecimento às empresas de saúde e de assistência médica, de todos os nossos destinos patológicos.

O livro “Inevitável”, de Kevin Kelly, é um estudo das doze forças tecnológicas que mudarão este nosso mundo. A realidade virtual dentro de casa, a inteligência artificial presente em tudo aquilo que o homem fabrica. Não adianta tentar reafirmar que não somos escravos da tecnologia, que não usamos celular, que não temos e-mail, Whatsapp, Instagram ou Facebook. Eles nos perseguem. Nenhum ser humano é uma ilha.

Tudo mudou e vai mudar ainda mais profundamente. O que fazemos, o que compramos, com quem nos comunicamos. Mergulhar nessa volúpia, compreender, abraçar e aumentar a possibilidade de extrair benefícios? Ou voltar para o tempo das cavernas, só que cavernas interiores da solidão e do isolamento?

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 17/08/2017

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Pais fazem falta

Há vinte e seis anos perdi meu pai. Não há dia em que dele não me lembre com saudades crescentes. Sinto falta de contar a ele minhas angústias, minhas frustrações, minha decepção com tanta coisa! Mas também de partilhar com ele a alegria propiciada pela ingenuidade de meus netos, que são seus bisnetos e que ele não conheceu!

Fiz muito pouco por ele. Descobri, verdadeiramente, a bondade de meu pai, relativamente tarde. Houve aquela fase de pouco diálogo, de pretensa ilusão de que já se descobrirá tudo e que o conselho paterno nada acrescentaria ao meu cabedal.

Aos poucos fui detectando a sabedoria de meu pai. Sereno, tranquilo, disponível. No silêncio de sua postura discreta, vibrava com aquilo que considerava êxito de sua prole. Que insignificantes as alegrias que lhe causei! Uma delas, conferir ao meu primogênito o seu prenome. Gesto singelo, mas significativo para ele, que também recebeu o nome do avô!

 Manifesta desproporção diante do que dele recebi. Daquilo que continuo recebendo como lição permanente de honradez, de modéstia, humildade, generosidade e desapego. Valores a cada dia menos presentes numa sociedade ávida por fruir de prazeres sensuais, prenhe de egoísmo e de insensibilidade.

 Não soube compensar com carinho multiplicado a perda de meu irmão. Não me dei conta de que essa mutilação o matou. Prossegui na minha rotina, mergulhei no meu trabalho e cuidei de meu pequeno grupo doméstico. Lamento essa desatenção que poderia, se debelada, talvez tivesse prolongado sua existência por mais algum tempo.

 Erramos quando agimos como se tivéssemos pela frente o infinito. Só muito tarde acordamos para a verdade: a vida não é ensaio. É drama definitivo. Não conseguimos regravar as cenas. Cada ato, cada palavra, cada minuto, é para valer.

 Ah! Pudéssemos passar adiante a experiência de quem hoje constata o quão avaro foi em carinho, em gentileza, em afago e em ternura, com quem devotou sua vida à formação integral de sua cria. Só tem merecido esta gratidão inerte, inócua, ineficaz e pobre, cujo destino é sua memória. Na esperança, com certeza vã, de que possa chegar àquele a quem tanto devo, junto com as lágrimas e minhas humílimas preces.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 13/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

 

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Esperança nascente

O Programa Nascentes, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo merece atenção de todos. Uma das causas evidentes da crise hídrica sofri­da por nosso Estado há dois anos foi o desmatamento ciliar. As matas junto aos cursos fluviais são os “cí­lios” de proteção dos olhos d’água. Por isso o interes­se em replantio urgente, para que a água volte. Como sempre foi, antes que o ser humano evidenciasse a sua sanha dendroclasta, o que prossegue de forma insana e criminosa até hoje.

Para que a água não venha a faltar e não tenhamos surpresas desagradáveis com o microclima de qual­quer lugar, precisamos levar a sério esse programa de incentivos à recuperação de matas ciliares e à recom­posição de vegetação nas bacias formadoras de ma­nanciais. Foi formalizado pelo Decreto 60.521/2014. É uma iniciativa saudável e a maior já assumida pelo governo para manter e recuperar a vegetação às mar­gens de nascentes, rios, córregos, lagos e represas que protegem e mantêm limpas nossas águas.

A proposta é recuperar 4.464 hectares de matas ciliares, ou 5.400 campos de futebol, mediante utiliza­ção de 6,3 milhões de mudas de espécies nativas. Três bacias hidrográficas foram as escolhidas para início, pois as mais necessitadas: Alto Tietê, Paraíba do Sul e Piracicaba-Capivari-Jundiaí. Juntas, elas hospedam dois terços da população bandeirante.

Na primeira fase, serão plantadas quase sete mi­lhões de mudas, com a recuperação de 784 quilôme­tros lineares de corpos d’água. Serão 4.464 hectares de mata ciliar restaurados.

As mudas nativas serão produzidas não ape­nas por viveiros particulares e públicos, como os da CESP, DAEE e da SABESP. Mas colaborarão os reeducandos que participam do Programa Regional de Plantio de Mudas Nativas e Recuperação de Ma­nanciais, desenvolvido pela Secretaria de Adminis­tração Penitenciária. Promove-se a ressocialização de sentenciados que produzem as mudas, plantam e restauram áreas degradadas nas regiões que sediam estabelecimentos prisionais.

Mas nada obsta que as escolas também partici­pem. Escolas Públicas têm a educação ambiental como área nevrálgica e de urgente intensificação. A criança e o jovem são seres sensíveis, que podem ser desperta­dos para a consciência ambiental, coisa que nem todo adulto assimilou adequadamente. Assim fora e não pro­duziríamos a tonelagem de resíduos sólidos que empor­calham todos os espaços, acabam com os nossos rios, envenenam nosso solo e nossa atmosfera.

Nada obsta que os professores de biologia, mas também de outras disciplinas, desenvolvam progra­mas paralelos ao da formação das hortas escolares, tão importantes para o conhecimento do que a natureza produz em retribuição ao nosso trabalho. Programas paralelos de formação de viveiros de mudas, de coleta de sementes das árvores que não vêm recolhida essa importante produção de novas vidas vegetais, e que poderiam recompor o ambiente seriamente vulnerado pela nossa crueldade.

Participar do Programa Nascentes é mostrar à criança e ao jovem a importância de não se destruir a mata ciliar. As consequências são trágicas: poluição difusa que chega inevitavelmente aos mananciais. A vida aquática é prejudicada e se transforma em morte. A ocupação desordenada, facilitada pela inexistência da mata protetora, chega às margens de rios e reservatórios, que se convertem numa grande latrina.

Todos ganham com a participação no Programa Nascentes. O maior medo das populações inteligen­tes é o da mudança climática. Maior ainda do que o medo do terrorismo. É porque a inteligência já desco­briu que o risco recai sobre a vida humana, não sobre o Planeta. A Terra não precisa de nós para continuar a ocupar seu modesto espaço no Cosmos. Nós é que precisamos dela para existir.

Fonte: Correio Popular| Data: 11/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Bem que eu tento

Tenho tentado ser otimista ao menos em relação ao meio ambiente. Mas não dá! É só notícia triste todos os dias! Não há quem deixe de se sentir angustiado, após tantos sinais de cansaço da Terra, ante as maldades perpetradas pelo ser humano.

Nem deu para comemorar o veto à Medida Provisória 756, tão criticada por ambientalistas e brasileiros conscientes e já surge notícia de que um projeto de lei, de número 8.107, substitui aquela medida nefasta. Mas exclui 349 mil hectares de mata da Floresta Nacional do Jamanxim, no sudoeste do Pará. Com isso, atende-se aos grileiros e posseiros que se instalaram numa área pública e vão ganhá-la de graça.

Aquele espaço que encontramos abençoado quando começamos a colonização do Brasil, desde logo atraiu toda espécie de coisa errada. Conflitos fundiários, extração ilícita de madeira, garimpo e grilagem de terra, desrespeito à lei ambiental. A partir da Constituição, que tem o mais belo dispositivo ecológico do mundo: o artigo 225 da Carta Cidadã.

A conclusão é a de que no Brasil o crime compensa. Tome conta de uma floresta. Estabeleça-se nela como se fosse sua. Em breve o Governo a oferecerá como presente. É um deboche e um crime ecológico. O que significa: extermínio da vida sobre o planeta.

Na mesma semana, ficamos sabendo que veículos destinados ao IBAMA foram queimados na própria carreta que os conduzia. É uma terra sem lei e sem consciência.

Enquanto isso, outras péssimas novas são divulgadas. O aquecimento global dificultará as decolagens, porque o crescimento das emissões de gás carbônico forçará a redução do peso dos aviões. É um estudo publicado na revista “Cinematic Change”, elaborado por cientistas renomados.

Para culminar na tríade de desgraças anunciadas, um bloco gigante de gelo se descola da Antártida. Tem área de 6 mil quilômetros quadrados, maior do que o Distrito Federal. Seu peso supera um trilhão de toneladas. Separou-se da península Antártida e tornou menor a faixa de gelo da Plataforma Larsen C. Mapas terão de ser redesenhados. O pior é que fenômenos como esse ocorrem de forma rápida, o que só pode resultar da mudança climática. A humanidade teria escolhido o suicídio?

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 10/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

 

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