Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


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POLÍTICA AMBIENTAL

Abaixo o vídeo em que falo sobre a política ambiental, com a repórter Denise de Toledo.

O Jornal da Gazeta mostra as principais notícias do dia, reportagens exclusivas e análises feitas por comentaristas especializados.

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https://m.youtube.com/watch?v=PuBGDE6OxKs&feature=youtu.be


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QUEM QUER UM UNICÓRNIO?

Quando eu estudava inglês na Alumni, havia uma lição chamada “The Unicorn in the Garden”, um conto do realismo fantástico propício ao treino de fluência no idioma de Shakespeare. Mais recentemente, uma das netas fez voltar à cena esse animalzinho simpático e quis sua festa de aniversário baseada nele. Mas o unicórnio se tornou hoje algo mais pretensioso e mais consistente. É o nome que batiza as startups que têm valor superior a um um bilhão de dólares, ou cerca de quase quatro bilhões de reais.

A campeã no estímulo à criação e desenvolvimento de tais empresas é a China. Houve tempo em que se fazia ironia com o “made in China”. Hoje o “designed by China” prevalece como indicação de produto de qualidade, compatível com os melhores dentre os países mais adiantados.

A China progrediu porque investiu em educação. Não há greve, não há vandalismo na escola. Pai que não manda filho à escola vai para a prisão e ali paga sua estadia. O Estado toma conta da criança cujos pais são ausentes.

Com isso, chegou a desenvolver superaplicativos fornecedores de um sem número de serviços. Seu ecommerce faz entrega dentro em trinta minutos no máximo. Ela já está quase inteiramente mergulhada na economia digital, nada obstante sua imensa população.

A cidade de Hangzhou, capital da província costeira de Zheijiang, foi berço natal de Jack Ma, fundador do Alibaba, a sexta maior empresa do mundo. O município tem oito milhões de habitantes e conta com trinta incubadoras e dezesseis unicórnios. O total de unicórnios na China supera 160. O Brasil, com 208 milhões de habitantes, tem quatro. Em 2015 foi inaugurada a Dream Town (Cidade do Sonho), espaço apropriado a empreendedores locais e estrangeiros de tecnologia. São quase quinze mil pessoas trabalhando em 1.645 startups. O governo oferece o espaço físico, acesso à nuvem de dados por três anos, auxílio-moradia e treinamento e formou fundo de investimento anjo de 500 milhões de yuans, algo como quase 280 milhões de reais.

A Cidade dos Sonhos está ao lado de duas universidades, vários institutos de pesquisa e ali sobra dinheiro. Seu objetivo é recrutar talentos do mundo inteiro. Doze horas de trabalho por dia, seis dias por semana. Ocorre que o jovem chinês sabe onde quer chegar. Quer dominar o mundo. E não vai demorar para que isso aconteça.

Imagine que a China forma quase cinco milhões de engenheiros e cientistas por ano. Aqui no Brasil, o número mais aproximado a isso é de advogados. Dos quais, ao que parece, a Nação já não precisa de tantos mais.

A competição com os Estados Unidos quanto ao domínio da Inteligência Artificial está sendo vencida pela China. Ali não funcionam os apps sociais do Ocidente. Não entra Facebook, Instagram e WhatsApp. Mas eles têm o WeChat, com 1,1 bilhão de usuários. Presta os mesmos serviços que aqui nós chamamos de Uber, Amazon, WatsApp, Tinder e Facebook. Com a vantagem é de que ele substitui o cartão de crédito.

Todos os jovens chineses já pagam suas contas pelo smartphone. Com isso, o banco central pode reduzir a emissão de dinheiro, o que poupou o Erário. Em 2017, foram transacionados pelo celular cerca de sete trilhões de dólares. Mas isso não é tudo. Em muitas lojas, a leitura facial reconhece a pessoa e a relaciona com sua conta já cadastrada num aplicativo.

Enquanto isso, nós continuamos a insistir na escola tradicional que afugenta o jovem e o empurra para a droga, para a criminalidade ou para a ociosidade. É preciso inverter essa equação cruel e deixar a criança e o moço fazerem aquilo que sabem e de que gostam: brincar com a realidade virtual e exercer criatividade. Decorar informações que podem ser localizadas no Google em segundos é algo totalmente superado. Agora é a vez de fomentar a febre por unicórnios. É disso que o Brasil precisa.

_ José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional” e Presidente da Academia Paulista de Letras.

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FLORESTA É O BITCOIN

Não conheço quem queira fabricar desertos. Mesmo os lenientes em relação ao desmatamento juram que são ambientalistas. Com a ecologia, ocorre algo parecido com a ética e a democracia. Todos são éticos, todos são democratas. À sua maneira.

Pois seria interessante que os amigos da natureza se interessassem pela possibilidade escancarada de recuperar áreas devastadas. É o que se faz por iniciativa pessoal e em escala reduzidíssima, que apenas serve como exemplo e incentivo para outros.

Em Xapuri, no Acre, famosa pelo protagonismo de Chico Mendes, o extrativista Francisco Assis de Oliveira acredita no agroflorestal e faz sua parte. Numa área degradada por pasto, ele plantou mudas de seringueira e castanheira, que dividem espaço com cacau, banana, goiaba, acerola e outras frutas. Está a viver dessa plantação.

Espaçadas, as árvores produzem mais e dão menos trabalho do que o extrativismo que obriga o trabalhador a entrar na mata fechada. É uma forma também de manter a floresta em pé, o estágio que ninguém nega seja o ideal mas que, por enquanto, é miragem.

Um primo de Chico Mendes chamado Antonio Teixeira Mendes, também plantou castanheiras e seringueiras e diz : “A floresta é meu caixa eletrônico: o que eu quiser, é daqui que eu tiro”. Em um hectare de floresta plantada, cabem até quinhentas seringueiras. Para administrar isso na mata nativa, seriam necessárias ao menos quinze horas. A vantagem é que, entre as seringueiras, pode-se plantar açaí, cacau, cupuaçu, banana, acerola e graviola.

É claro que o trabalho continua insubstituível. Mas reaproveitar aquilo que foi abandonado depois de ter servido para cana ou soja e pasto, é recompensador. Principalmente porque mostra que o Brasil não é essa nação irresponsável que começou tão bem a defender seu meio ambiente e abandonou a meta antes de obter decisiva proteção da floresta tropical.

É possível conciliar a preservação com as modernas tecnologias. Um incentivo do governo, uma atenção detida das ONGs, o apoio do Ministério Público e de outras instituições pode ser um modelo de proteção ecológica de igual ou maior importância do que desenvolver as cripto moedas, o blockchain, que é mais moderno e auspicioso do que os caixa-eletrônicos. Ainda alvo fácil da bandidagem cada vez mais organizada.

_José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Ambiental” e Presidente da Academia Paulista de Letras -2019-2020.

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À PROCURA DA GLÓRIA PERDIDA

Muito mais injusta do que certa a justiça humana. Não falo do equipamento encarregado de solucionar conflitos, que parece preferir institucionalizá-los do que resolvê-los, tal a sofisticação, formalismo e burocracia de que o sistema o dotou. No Judiciário, a maior parte dos integrantes crê fazer justiça e pretende fazê-lo.

Contemplo mais os outros ambientes em que se julga. Sempre sustentei que todos julgam, o tempo todo. Só que o juiz – orgulho-me de sê-lo – é obrigado a assinar embaixo. Os outros julgamentos são muita vez levianos, superficiais, fruto de visões destorcidas, quando não de ignorância, ressentimento ou até má-fé.

Um universo em que se comete muita injustiça é o da literatura. Seria tão bom que as pessoas entendessem existir espaço para todos. Somos múltiplos. Temos gostos diferentes. Mas os que têm a missão de analisar obra alheia se utilizam de suas próprias réguas. Sem comiseração ou condescendência.

A constatação de que hoje todos escrevem e ninguém lê é uma quase-verdade. Há quem leia. Conheço muitas pessoas que devoram livros. Isso é bom. Mas ainda faltam leitores. Ler, ler sempre, ler cada vez mais. Para mim, é um prazer indizível. Para as crianças e jovens, uma urgência. Ler qualquer coisa. Ainda que a leitura não pareça atraente. Exercício de memorização vocabular. Encontrar verbetes desconhecidos. Ir ao dicionário para verificar qual o seu sentido.

Encantar-se com o fato de alguém reproduzir uma sensação que você já sentiu. Ou a exclamação que é o maior prêmio para o escritor: “Gostaria de ter escrito isto!”.

A patrulha crítica é quase sempre cruel. Rotula obras. Por exemplo: autoajuda. Um livro tem de ser sempre de autoajuda. Se não me ajuda em nada, não valeu a pena ter escrito.

Os “donos da verdade” erraram muitas vezes. Um caso emblemático é o do hoje venerado Marcel Proust. Sérgio Milliet, um intelectual brasileiro que tanta falta faz ao nosso cenário, reconheceu que “ninguém foi mais atacado, ridicularizado, insultado, incompreendido” do que Proust.

Ele teve de publicar sua volumosa obra. Foi rejeitado por quatro editoras, inclusive por André Gide. Um amigo de Proust, Louis de Robert, recebeu uma carta de uma das editoras que recusaram a publicação: “Custa a crer que se gastem trinta páginas só para descrever alguém a remexer-se na cama, sem poder conciliar o sono”.

Assim que publicado pela primeira vez, o volume “Du Coté de Chez Swann”, aqui traduzido por “No caminho de Swann”, foi espinafrado por André Germain, que o chamou de “livro sanduíche”: 30 páginas imorais entre duas fatias modorrentas de vulgaridade.

O escritor português João Gaspar Simões, primeiro editor de Fernando Pessoa, recordou-se de que um dos principais jornais lusos, ao ser informado da morte de Proust em 1922 – ano da nossa Semana de Arte Moderna – noticiou, por engano, o falecimento de Marcel Prévost. Ao corrigir, a redação acrescentou: “e ainda bem” não fora o grande Prévost, mas um obscuro escritor de nome Marcel Proust. Por sinal, Prévost viveu até 1941.

Hoje Proust é uma glória. E seus detratores? Onde foram parar eles?

_José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional” e Presidente da Academia Paulista de Letras.

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JUÍZES DOS INFERNOS

Sossegai! Não estou falando de minha opção profissional por mais de quarenta anos! Nem estou a detonar colegas. Só estou a considerar a dificuldade de um biógrafo, quando pretende reproduzir uma vida de alguém que já se foi. O biógrafo historiador é considerado um “juiz dos infernos”, porque pode fazer o que quiser com uma vida de quem o não  desmentirá. Porque está morto. Incapaz de reagir.

O biógrafo pode inventar, pode invectivar, pode usar de ressentimento, ou de idiossincrasia, traçar o perfil que queira. Nem todos são assim, ainda bem. Talvez a maioria dos biógrafos seja também um hagiógrafo. Especialista em escrever vidas de santos. Isso acontece quando se é contratado para retratar alguém. Quem paga tem o direito de esperar que a biografia seja favorável e não destrua a imagem do biografado.

As biografias constituem minha leitura favorita. Até as autobiografias, em que a própria pessoa se encarrega de escrever suas memórias. A série de livros de Pedro Nava é imbatível. Também me impressionou a história de Joaquim Nabuco, escrita por sua filha Carolina. E os relatos pessoais de Norberto Bobbio, de Umberto Ecco, os “Cadernos de Lanzarote” de Saramago e, especialmente, “Minha jornada solitária pelo século”, de Roger Garaudy.

Quem quer ler coisa boa não pode perder “Memórias de Adriano”, de Marguerite Yourcenar, “Invenção e Memória”, de Lygia Fagundes Telles, as memorialísticas do insuperável Paulo Bomfim, as “Cool Memories” de Jean Baudrillard. Aliás, praticamente todos os bons escritores fazem um mix de ficção e de autobiografia em suas obras. Miguel Reale, Edgar Morin, Zygmunt Baumann, todos eles nos fornecem traços emblemáticos de suas instigantes personalidades.

Li com interesse a vida de Maurício de Sousa, assim como o livro de Rita Lee, os dois volumes do querido Jô Soares, o depoimento do Lobão, a biografia de Leonardo da Vinci, aquela de Roberto Civita, de Alencar Burti,  entre tantas outras que chego até a reler. De todos hauri lições para a minha própria modesta existência.

Pretendo ler “Juca Paranhos, o Barão do Rio Branco”, de Luis Cláudio Vilafañe e “Karl Marx e o Nascimento da Sociedade Moderna”, de Michael Heinrich, objeto de uma resenha de Marcelo Godoy, que me motivou a fazer esta reflexão. O resenhista se convence de que Marx não será posto em pedestal, tampouco condenado. Heinrich não será um dos “juízes dos infernos”, pois Marx não é exatamente o responsável pelos crimes de Stalin, nem o profeta da emancipação humana.

Por sinal que nessa resenha encontro motivação para ler a vida de São Luís, do genial Jacques Le Goff e o ensaio “A Ilusão Biográfica”, de Pierre Bourdieu. Para ele, “tentar compreender uma vida como uma série única e por si suficiente de acontecimentos sucessivos, sem outro vínculo que não a associação a um sujeito, cuja constância não é senão aquela de um nome próprio, é quase tão absurdo quanto tentar explicar a razão de um trajeto do metrô sem levar em conta a estrutura da rede”.

Em síntese, quem se propõe a biografar não é senão um daqueles cegos solicitados a descrever um elefante. A partir da aproximação de seu tato com uma das partes do animal, provirá um relato. Isso vale para a autobiografia. Quem é que consegue se autorretratar com fidelidade?

_José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Pronto Para Partir?” e Presidente da Academia Paulista de Letras.

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“EDUCAÇÃO: UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA”

Queridos amigos:

Fiquei muito feliz ao rever pessoas que estimo e respeito, no lançamento do livro “Educação: uma questão de Justiça”, na última segunda-feira, na FIESP.
Agradeço especialmente à fidalguia de PAULO SKAF, que mobilizou toda a sua fabulosa equipe para uma noite muito agradável.
A todos os que se empenharam para que o evento fosse exitoso, minha gratidão e reconhecimento.
Aqueles que se interessarem por saber como foi a minha experiência nos 26 meses em que estive à frente da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, o testemunho pode se encontrado na Livraria do SESI, à Avenida Paulista 1313-térreo ou, em breve, na plataforma da AMAZON.

Boa leitura e aguardo críticas! Afinal, a educação é responsabilidade de TODOS!

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Créditos: Karim Kahn/Fiesp