Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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Ensino Médio, múltiplas portas

Um dos raros consensos no universo educacional é o de que o chamado ensino médio precisa ser urgentemente revisitado. As crianças assimilam um currículo de cuja elaboração, naturalmente, não participaram, mas o jovem não aceita a transmissão de conhecimento na modalidade presente. São 13 disciplinas ou mais, em compartimentos estanques. Não há diálogo entre elas. Mas o principal defeito do sistema é o seu quase total alheamento da realidade. Não se consegue mostrar ao aluno que o acervo de informações ministrado em sala de aula tenha utilidade prática para uma vida futura muito diferente. Menos ainda interessá-lo a memorizar dados disponíveis em qualquer “móbile”.

Ingressou-se numa nova era: a crescente conectividade das tecnologias de comunicação e informação, a inteligência artificial, a internet das coisas, a robótica, a nanotecnologia. Mas as aulas continuam idênticas às de várias décadas passadas. Há quem diga que, em termos de escola, fazemos o mesmo há séculos.

Até iniciativas saudáveis, como a adoção de um currículo mínimo, esbarram na inércia. O padrão é replicado ano a ano e insiste-se na produção exclusiva de material em papel, quando a inserção no mundo virtual permitiria explorar potencialidades hoje apenas pressentidas. Só que o jovem tem a nítida percepção de que o sistema está equivocado. A resposta é a fuga da escola. A evasão no ensino médio é preocupante. Classes ociosas ou semivazias e barzinhos e baladas repletos de jovens que mostram estar ali por não encontrarem nas aulas a resposta para os desafios de hoje e, principalmente, do amanhã.

Quando se constata que a indústria brasileira não se preparou para a quarta revolução industrial, continua a produzir insumos, maquinário e ferramentas para um tipo de empresa que já não existe, pode-se compreender a dimensão do drama. O cardápio de profissões que a escola oferece ao jovem não existirá dentro em pouco. Enquanto isso, o que ele deverá fazer para subsistir com dignidade ainda não tem sequer nome.

Como não há progresso por salto, e obrigatório é o percurso das etapas essenciais à recuperação do tempo perdido, a urgência impõe reflexão consistente da parte de toda a inteligência brasileira.

Reitere-se o mantra adotado a partir do meu contato pessoal com o ensino público paulista: a educação é direito de todos, prodigalizado na cornucópia de bens da vida assegurados pela Constituição cidadã de 1988. Mas esse direito de todos não é obrigação exclusiva do Estado. É dever compartilhado com a família e com a sociedade. Explícita a opção fundante do artigo 205 da Carta política.

O Estado de São Paulo investe cerca de 30% de seu orçamento – 30% do orçamento do Estado-membro considerado o mais poderoso em termos econômicos em todo o Brasil – na escola pública. Ainda assim, os resultados poderiam e devem ser melhores se houver aproximação familiar e da sociedade e seu autêntico interesse em aperfeiçoar a formação das novas gerações.

O primeiro objetivo é tornar a escola sedutora. Atraente. Interessante. Por que a geração “nem-nem” persiste em sua opção pelo nada? Não estuda porque a escola é desinteressante e aborrecida. Não trabalha porque não encontra algo que o satisfaça como indivíduo desperto para o mundo novo. O “mundo maravilha” de algumas excelentes campanhas publicitárias, em confronto com o “mundo vazio” da vida real.

O mergulho irreversível na vida digital impõe a adoção de todas as fórmulas para instigar a curiosidade intelectual do jovem. Não é substituir pela máquina, pela tecnologia, aquilo que está condicionado a um impulso vital: a vontade de conhecer. Mas é servir-se das possibilidades abertas por esta profunda mutação para alicerçar uma busca mais consciente e direcionada do conhecimento. Nunca houve tanta possibilidade de acessar a sabedoria amealhada pelo ser humano neste sofrido planeta. Afirma-se que a cada 18 meses dobra a quantidade de informações disponíveis. Há um tesouro incalculável a permitir que o nosso jovem – bem orientado, mas a partir de sua determinação – seja um sábio muito mais completo do que qualquer figura legendária da História Universal.

Todos são chamados a implementar uma nova tática para despertar o interesse da mocidade pelo estudo. A família é motor insubstituível. Mãe que participa da vida escolar do filho é um fator de aceleração no processo permanente de absorção do domínio de qualquer assunto. A proximidade familiar da escola alicerça os seus sólidos fundamentos de centro de irradiação de tudo o que é bom para converter a sociedade numa comunidade de interesses sadios.

A sociedade tem papel relevante. Empresas, bancos, entidades, organizações não governamentais, comércio e serviços, igrejas, clubes, associações e pessoas físicas com vontade de mudar o Brasil. Todos são chamados a pensar e a agir. Oferecer oportunidades ao jovem estudante. Propiciar-lhe, se ele estiver no ensino regular, um turno extra com atividades práticas. Incentivá-lo a pensar como se enxerga daqui a 20 anos. O que fará de sua vida? Quais as opções que gostaria que fossem oferecidas para o seu porvir?

Há muito a ser feito. Algo já se faz, mas é preciso mais. Pois a messe é grande. É urgente a multiplicação de obreiros. Acaso o convite do constituinte se mostre insuficiente a motivar consciências ainda empedernidas, que fique a advertência de que a alternativa – deixar as coisas como estão – é nefasta. Quando os bons não fazem a sua parte, o mal cuida de ocupar esse vácuo. Há sinais de que ele pode avançar, até porque se apropriou de virtudes que o bem negligenciou. Disciplina, esforço, sacrifício, hierarquia, obediência, pontualidade, assiduidade, tudo isso a serviço de causas alimentadas por aquilo que não deveria existir na cogitação dos humanos. Paradoxo para as criaturas que se consideram a única espécie racional com morada nesta Terra.

Fonte: O Estado de S. Paulo| Data: 24/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Crédito: A2Img/José Luis da Conceição
ENSINO MEDIO

 


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Liberta ou aprisiona?

Queira-se ou não, aceite-se ou não, mergulhamos irreversivelmente no universo digital. Estamos plugados, ligados, acessamos redes sociais, nos comunicamos, somos informados e conduzidos pelo som permanente das novas mensagens ou por sinais quase imperceptíveis de que informações continuam a chegar.

O lado bom é que nunca se obteve tanto conhecimento. Afirma-se que o acervo de dados dobra a cada dezoito meses. Tudo o que acontece no mundo chega imediatamente até nós. O lado ruim é que muitos se tornaram escravos do sistema. Vivem sob seu comando, alienam-se do mundo real. Já nem conseguem conversar pessoalmente. Só por whatsapp.

Um dos mais respeitados estudiosos do tema é Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro – ITSrio.org. Ele fala da reação a essa dependência que, insitamente, não é diferente de qualquer outra, como aquela que subordina a vontade humana ao álcool, ao fumo e a outras drogas, dentre as quais o sexo pervertido.

A reação viria mediante movimentos como o “slow media”, baseado no “slow food”. A tentativa seria fazer com que os ingredientes da informação venham a ser escolhidos conscientemente e preparados de forma concentrada. Começaria por abolir o hábito de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, o “multitasking”. O uso mais saudável da internet é também o objetivo do jovem designer americano Tristan Harris, que deixou seu emprego no Google para criar uma ONG chamada “Time Well Spent” (Tempo Bem Empregado). Para ele, as pessoas tiveram sua mente sequestrada pela tecnologia. Ele é considerado o que mais se aproxima a “uma consciência ética no Vale do Silício”.

Não é fácil a missão de Tristan Harris. Ele gostaria de convencer as empresas de tecnologia a criar produtos que respeitem o livre-arbítrio dos usuários. Não é o que ocorre. O smartphone, por exemplo, nos mantém prisioneiros. Seu dono, quando não está olhando para a tela, tem a sensação angustiante de que está perdendo alguma coisa muito importante. Haveria alguma condição para se criar um smartphone que, depois de algumas horas de uso, nos mandasse descansar ou dissesse que era hora de dormir? Por enquanto não se vislumbra tal vereda. A tecnologia das informações nos liberta ou nos mantém prisioneiros?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 23/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Quem é que pensa no Brasil?

Alguns fantasmas bem concretos nos rondam: mais de 14 milhões de desempregados, apenas considerados os que procuram empregos; violência crescente: mais de 60 mil homicídios por ano; sucateamento da indústria; desmatamento acelerado; infraestrutura insuficiente. Tudo a culminar por descrédito no sistema político e no governo.

Enquanto isso, a profundidade das discussões no Parlamento, com intensa repercussão na mídia, é a de um pires. Não se reclama urgente e profunda reestruturação do Estado brasileiro. Que precisaria começar com uma reforma política séria. Nenhum País pode merecer quase quarenta propostas de governo. Uma política que aceita quarenta partidos é o testemunho da falência da política. Inexiste tanta definição do que deva ser a coordenação do poder para atender ao povo.

Os partidos políticos no Brasil têm sido reflexo dos sindicatos. São agremiações que existem para disputar recursos financeiros do Fundo Partidário. Precisam resgatar seu valor, seu respeito e sua importância.

Mas não é só. A reforma da Previdência é urgente. Não adianta vociferar se a conta não fecha. Tivemos aposentadorias muito precoces. Pessoas que ainda podiam permanecer na frente de trabalho preferiram o chamado “ócio com dignidade”. Se as coisas continuarem como estão, precisão desistir do ócio ou conviver com a indignidade. Pois proventos e pensões não cabem no PIB brasileiro.

É uma questão atuarial, menos do que jurídica ou política. Ninguém quer tirar direito adquirido a ninguém. Só que a conta não fecha. O que fazer?

Mas há outras questões também sérias. Como disciplinar o Estado brasileiro, que conta com 6 mil municípios, dos quais muitos não têm condições de subsistência autônoma? Criar município é fácil, pois só se consulta a população interessada na autonomia. E depois? Viver do Fundo de Participação? Isso é falacioso. É preciso ter coragem de rever a sistemática. Se não há condições de arrecadação suficiente para a manutenção dos serviços essenciais, é pensar em voltar a ser distrito. Garanto que muitos prefeitos não se oporiam, eis que ameaçados constantemente de improbidade e outros epítetos, seja pelo Tribunal de Contas, seja pelo Ministério Público ou defensoria, sempre atentos aos direitos e muitos próximos ao Poder Judiciário.

O sistema tributário precisa ser revisto para que a União seja a mera aliança entre as entidades federadas, desnecessário o carreamento de recursos que penalizam Estados membros e Municípios. Se o constituinte quis fazer do Município uma parte da Federação, é preciso conferir dignidade para que a condição de ente federado tenha lugar e consequência.

O sistema judiciário também precisa de revisão. Não pode dar certo um País que tem mais faculdades de Direito, sozinho, do que a soma de todas as demais existentes no restante do planeta. A judicialização da vida brasileira é um custo muito dispendioso e já provou que não dá certo. Além de afugentar o capital externo, temeroso dos passivos trabalhistas e judiciais embutidos nas empresas brasileiras.

Só depois disso é que se poderá pensar no governo que vier. Vamos refletir em termos de Brasil, não conforme as próximas eleições. Hoje os prognósticos são sombrios. Se não houver comprometimento efetivo com a verdade, mais a vontade inabalável de fazer o Brasil do discurso coincidir com o Brasil real, o amanhã poderá ser nefasto. E o risco que todos corremos é o de que é tão célere a passagem do tempo, que logo mais o amanhã será ontem

Fonte: Correio Popular | Data: 21/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Ada Pellegrini Grinover

A geração que estudou direito nas últimas décadas do século XX aprendia a identificar os ícones que sinalizavam a excelência de nossa produção doutrinária e jurisprudencial. Dentre eles se destacava a figura de ADA PELLEGRINI GRINOVER.

Pioneira, corajosa, audaciosa em suas teses revolucionárias. Aulas disputadíssimas na graduação e na pós-graduação. Imersa em todos os grupos que pretendiam redesenhar a Justiça brasileira. Atuante no alargamento da legitimidade para acessar o Judiciário, até então encurralado pelas lides interindividuais.

Fui seu aluno no Mestrado. Suas propostas eram instigantes. Logrei chamar sua atenção porque então, na 1ª Vara de Registros Públicos da Capital, aceitara a legitimação de interessados na obtenção de um provimento judicial de regularização fundiária. Ela considerou um passo importante para a futura admissão das ações coletivas e inseriu o caso num livro.

Desde então, passamos a conviver. Inúmeras vezes estive em sua casa para debater a elaboração de propostas legislativas, sobretudo no âmbito dos direitos difusos, das ações coletivas, de novos instrumentos processuais que enfrentassem o flagelo da judicialização e as leis ambientais.

Foi uma das integrantes de minha Banca no Mestrado. Criticou-me porque não havia conferido a devida atenção à Argentina, enquanto contemplara outras nações no tema recrutamento e preparo de magistrados. Mas me aprovou.

Convivemos fraternamente na Academia Paulista de Letras. Era uma voz quase sempre discordante. Ainda recentemente, lamentou que não fôssemos assertivos para recuperar confrades que se afastaram magoados com alguma política interna. Guardo com respeito o fato de ter escolhido uma obra que ela coordenou para o maior prêmio Jabuti de 2015. Obviamente, sem ela saber, pois integrar o Júri obrigava a um compromisso de confidencialidade.

A cada quinta-feira ela me recebia com um sorriso e um indefectível “Querido Renato”! Sei que vou sentir muito sua falta, até nos reencontrarmos no etéreo. Mas o seu lugar na História está garantido. Foi a mulher mais importante para o Direito Processual no Brasil e uma das maiores em todo o mundo.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 20/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

crédito imagem: OAB/PR

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Redescobrir o melhor de São Paulo

No vendaval de más notícias que assola o país, há espaços para bonança. Uma delas é a iniciativa do Instituto PROA, que promoverá algo oportuno e inovador em benefício do estudante da escola pública. A ideia é incentivar o alunado jovem a redescobrir São Paulo no aspecto cultural. A partir do intenso uso dos “mobiles”, um aplicativo indicará ao aluno qual a atração mais próxima a sua localização física. Ele será convidado a conhecer esse equipamento – seja museu, biblioteca, prédio histórico ou atração arquitetônica, por exemplo. Dentro do espaço indicado, será desafiado a resolver um pequeno “quis” e a responder uma das questões formuladas no formato de múltipla escolha.

Cada fase terá uma retribuição estabelecida em “proacoin” para se servir da moeda digital em cursa e já conhecida pelos frequentadores da web: o bitcoin. Esse “capital” será trocado por benefício de ordem cultural e, com isso, a juventude paulistana aprenderá a conhecer melhor a sua cidade.

Mais de 500 atrações já foram catalogadas . Muitas outras de certo existem e poderão ser acrescentadas. O importante é que o projeto levará exatamente a faixa adolescente a redescobrir o melhor de São Paulo e a se aproximar afetivamente desta metrópole desafiadora e apaixonante. São Paulo sempre esteve à procura de amor. E nunca esteve tão carente dele.

É alentador verificar que parcela diferenciada do empresariado oferece apoio à educação estatal assume o dever explicitamente descrito no artigo 205 da Constituição da República e faz sua parte. O protocolo de intenções assinado com o Instituto PROA, que tem como executivo o talentoso Rodrigo Dib e o como diretor Marcelo Barbará, foi um momento de reforçar a esperança em dias melhores para a escola pública.

Sem uma aproximação afetiva e efetiva da educação em todos os níveis, por parte de todos e não apenas do governo, o Brasil não alcançará os níveis civilizatório desejáveis. E sem eles, os prognósticos são aqueles plúmbeos que ninguém quer e nem gosta de pensar.

Fonte: Diário de S. Paulo| Data: 20/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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É para ontem!

Quem pensava que sobraria tempo até que o clima se alterasse em virtude da crueldade do homem para com a mãe natureza se enganou. Eventos meteorológicos previstos para ocorrência em 2050 já estão acontecendo. Até os céticos estão convencidos de que algo muito grave espera a humanidade. Não é surpresa, mas resultado de omissão, negligência ou, pior ainda, de premeditada atuação contrário ao ambiente.

As Nações Unidas levam a sério a questão e promovem inúmeras conferências sobre mudança de clima. A última ocorreu em Marrakesh, Reino do Marrocos, de 7 a 19 de novembro de 2016. A sustentabilidade é uma ideia muito mais antiga. Há quem vislumbre no clérigo inglês John Donne, autor do célebre pronunciamento “Homem nenhum é uma ilha” a advertência fatalista: “Não pergunte por quem os sinos dobram” Eles dobram por você!”.

O aumento médio da temperatura do Planeta começou a ser medido em 1732, mas só em 1830 as medições passaram a ser mais precisas. Em 1995, houve um sinal de alerta: esperava-se aumento de 0,8% e ele foi registrado como 1,02%. Essa tendência é perigosa e sinaliza para situações nefastas. O aumento das emissões de gases do efeito estufa é letal a qualquer espécie de vida. Inclusive a humana.

É incrível que toda a comunidade científica sustente a certeza de qual algo há de ser feito para tentar refrear o célere avanço do comprometimento do clima e os Estados Unidos voltem atrás em relação ao Acordo de Paris.

Para conforto dos que se preocupam e se angustiam com essa decisão, vários Estados norte-americanos continuarão em seus esforços e, principalmente, a empresa privada permanecerá na direção correta. Pois a tutela ambiental e o combate ao consumismo desenfreado não são incompatíveis com o progresso material. Ser ambientalista dá lucro do que ser dendroclasta ou insensato destruidor de tudo o que a natureza oferece gratuitamente e vê exterminado da face da Terra.

Também na mão contrária do que é saudável, o Brasil flexibiliza licenciamento ambiental, reduz a proteção do verde  e já recebe puxão de orelhas da Noruega, que deixará de destinar recursos para a preservação da Amazônia. Quando é que o homem terá juízo? Não há mais tempo. O que deveria ser feito era para ontem, não para um amanhã que poderá sequer existir.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 16/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Deus ajuda?

A tomografia computadorizada está descobrindo que rezar, meditar, pensar em Deus é uma ferramenta poderosa para garantir vida saudável. Andrew Newberg, professor da Universidade da Pensilvânia, enveredou pelos estudos da neuroteologia, esfera da investigação científico-multidisciplinar que integra conhecimentos de Psicologia, da Religião, da Espiritualidade e da Neurociência par explicar como o cérebro e o “eu” espiritual se vinculam.

A estratégia é utilizar diversas abordagens da tomografia computadorizada por emissão de fóton único, para obtenção de imagens do cérebro em funcionamento. Entre as mais conhecidas, estão a ressonância magnética funcional, que se serve de um grande ímã. Sob esse campo magnético, obtém-se imagens do cérebro enquanto a pessoa medita ou reza.

A constatação do cientista Newberg é instigante: “Se você considerar Deus por tempo suficiente, algo surpreendente acontece no cérebro. O funcionamento neurológico começa a se modificar. Circuitos diversos são ativados, enquanto outros são desativados. Formam-se novos dendritos, são feitas novas conexões sinápticas, e o cérebro se torna mais sensível aos domínios sutis da experiência”. A conclusão é a de que Deus modifica o cérebro. E não importa a fé ou a falta dela.

Apurou Andrew Newberg que o ser humano é dotado de áreas cerebrais especialmente destinadas à comunicação com o Divino. As experiências religiosas podem promover, para quem as vivencia, saúde, bem-estar e felicidade. As experiências espirituais são alguns dos processos mais complexos executados pelo cérebro. A descoberta é fascinante. O sistema límbico e o lobo parietal atuam quando se eleva o pensamento para Deus. Quem experimenta sentimentos religiosos fortes e exercita práticas intensas, entre as quais a meditação, tudo que está separado na mente passa a ser indistinto. A sensação é de unidade, o ser humano tornando-se uma coisa só, com Deus e com o Universo.

No livro “Como a iluminação pode mudar sua mente”, Andrew Newberg relata, cientificamente, o que ocorre com a meditação. A concentração inicial é muito intensa e primeiramente ativa o lobo frontal. Ao se atingir o momento de êxtase, de iluminação, a atividade cai. Tem-se a sensação de entrega e por isso quem medita sente que é Deus falando por ele. É algo perceptível no todo orgânico: o coração acelera, a pressão arterial aumenta ou diminui, adentra-se a um espaço de calma e felicidade suprema. Ao longo do tempo, o próprio cérebro se altera. A meditação “Kirtan Kriya” é muito simples: leva doze minutos por dia e, após oito semanas, os lobos frontais estão mais ativos, mesmo em repouso, e não apenas enquanto ocorre a meditação.

Também se pesquisou e se constatou que o cérebro de quem medita há muito tempo é maior e mais espesso do que os demais. É exatamente como fazer exercícios musculares. Meditar é levantar pesos e tornar o cérebro mais consistente.

Meditar e orar produzem efeitos benéficos. Reduz-se o nível de cortisol, ou seja, o sistema imunológico funciona melhor. Diminuiu o grau de estresse e de ansiedade. As dores de alívio. A pressão arterial se autorregula, assim como a frequência cardíaca e os hormônios. A memória melhora, assim como a eficiência na capacidade de processar informações.

Enfim, até  na concepção dessa obra de arte complexa que é o corpo humano, Deus colocou fórmulas naturais, embora sofisticadas, para aprimorar continuamente sua criação. Está aberto o caminho em busca da perfectibilidade.

Fonte: Correio Popular | Data: 14/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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