Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Horror sem fim

3 Comentários

O Financial Times considerou a situação brasileira um horror sem fim e isso reflete ao menos uma parcela do conceito desta Nação perante a comunidade internacional. A policrise é das mais sérias e, ao que parece, o Poder Público ainda não acordou para ela.

Diante da queda de arrecadação, da falta de investimentos, do aumento do desemprego, da recessão e da estagflação, do aparente descontrole nas finanças, era urgente uma reação do governo. Mas tudo continua como antes. Setores fundamentais não se deram conta de que a conta não fecha!

O momento é de verdadeira reconstrução do Brasil, de refundação desta República e de um grande movimento coordenado pelas lideranças do pensamento, ante o descrédito das demais lideranças.

Há luzes na Universidade, nos Institutos de Pesquisa, nos inúmeros talentos individuais que, mercê de sacrifício próprio, de um protagonismo heroico, prosseguem a produzir ciência, tecnologia e alternativas para uma nau sem rumo.

Diante da falibilidade dos esquemas tradicionais de mando, não é o caso de a cidadania assumir a discussão? Mergulhar na História de um Brasil que já possuiu uma civilização invejável e refletir sobre os motivos que a conduziram a este melancólico impasse. Meditar sobre o Brasil que se pretende para daqui a 50 anos, quando nossos netos estiverem na maturidade plena e aptos a consumir os bens da vida que terão construído numa Pátria fraterna e acolhedora.

Como investir na infância e na juventude, para que metade dos pesquisados há alguns dias, só na cidade de São Paulo, deixem de pensar em abandonar esta Nação que, ao que tudo indica, ficou velha antes de ficar rica? Como devolver confiança a um povo desalentado pelos desmandos, convencido de que a corrupção é invencível e de que a política virou um refúgio dos desprovidos de ética?

Essa a responsabilidade de quem tem juízo. Material em falta na República Federativa do Brasil, ao menos o que transparece da leitura dos jornais.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 30/07/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Horror sem fim

  1. “Como devolver confiança a um povo desalentado pelos desmandos, convencido de que a corrupção é invencível e de que a política virou um refúgio dos desprovidos de ética?”

    Se houvesse justiça aos casos, teríamos um pouco de confiança de que nem tudo está perdido. Além do justo e punições devidas, teríamos uma prevenção aos casos futuros.

    Pouco sempre esperei do Governo para ter o país do meu sonho. Lutava sozinha para que as melhorias alcançassem ao menos minha família e os mais próximos que os meus braços suportassem. Mas, hoje, o quadro é diferente. Com a má administração terei que lutar 1000 vezes mais para alcançar o básico, e ainda, correndo o risco de sair derrotada! O país está falido. Mas os culpados por isso, não.

    Posso dizer que minha fé tem me salvado! Nela encontro esperança. Do contrário, em meio a tudo isso, talvez não suportaria a intensidade desse furacão!

    No mais, amo meu país! A estrutura física em si e alegria desse meu povo, mas… Não há como julgar os que querem construir uma vida honesta fora dele. Tenho duas tias que vivem morrendo de saudades de nossa Terra e cidadãos, mas, têm uma vida justa e tranquila fora de nosso país. Pense na delícia que deve ser isso? Eu que prezo tanto pelo correto e brigo por um equilíbrio; já bem me imaginei por lá, sem gastrite, sem tensões musculares, sem enxaquecas etc.

  2. Caro amigo,
    Presidente,
    Vossa Excelência,
    Eu tenho escrito, meditado, e lido muito sobre este quadro muito bem descrito, e posse dizer, com toda a certeza de observação própria, sem me deixar levar por pessimismos ou realismos fantásticos, o qual vem nos contaminando dia a dia nos noticiários televisivos, na imprensa escrita, internet, e televisiva. Por que? Ora, todos sabemos, Eu, Vossa Excelência, aliás, o trabalhador mais humilde e simples que está como todos nós enfrentando tudo isso.
    O Brasil já enfrentou situações muito mais graves que esta. Eu que sou mais novo que o Presidente, fui seu aluno de Direito Processo Penal, foi uma honra ter sido seu aluno, nós sabemos porque tudo isto é pequeno frente o golpe de 1964.
    Façamos uma superficial comparação entre o que aconteceu naqueles últimos dias da democracia popular instalada na constituinte de 1946, sob a Presidência do General Eurico Gaspar Dutra e este governo assistencialista que se instalou na pátria brasileira a partir da eleição de um Presidente que nasceu das camadas mais humildes da nação e, depois, de três derrotas seguidas, em 2003, foi eleito, governou por oito anos e ainda conseguiu eleger por duas vezes seu sucessor.
    Não é nem um décimo o que se passou em março de 64 com o que estamos passando agora. Naquela época a situação estava muito mais grave, nem vou ficar descrevendo o que já está tão bem registrado na história deste país sobre as turbulências acontecidas. O fato é que aqueles embates ideológicos foram decisivos, hoje há ausência de rumo ideológico, estamos perdidos em um deserto de ausência de ideias ou de ideais. Talvez este seja o pano de fundo de tudo isso.
    Programas de partidos políticos não dizem mais nada hoje. Nenhum jovem se sente representado por partidos políticos. O mundo ideológico foi sepultado a partir da queda do Muro de Berlim, 1989. Com a globalização a partir da década de última década do século 20 o mundo virou de ponta cabeça, em uma velocidade transcendental. Uma vez Mario Covas disse: a nossa tosse aqui pode ser ouvida lá na china. Não há mais privacidade em nada. Recatos? Educação? Isto é a França que já se foi no século XIX e fim da segunda grande guerra, 1945.
    O mundo todo hoje está em crise, não somente o Brasil.
    Mas não é verdade que são nas crises que nascem as melhores idéias?
    E talvez não exista maior desafio que estar presidindo o maior tribunal de justiça do mundo?
    Aí está a questão!
    Dizem que quando todos concordam é sinal que ninguém está pensando? Então devemos propor cada vez mais o debate, a transparência e incentivar, chamar para o debate a todos para que não se escondam atras desta crise e que cada um possa a sua maneira saber sair dela?
    Mas sabe o que acredito que está acontecendo hoje, cada um está preocupado em resolver o seu problema para se salvar disto tudo.
    Conselhos, formadores de opinião, uma visão geral de tudo isso parece perda de tempo.
    Por outro lado se não há espaços de debate.
    Por outro lado se não existem pessoas como o Imortal da Academia Paulista de Letras como podemos incentivar os jovens a escreverem, a saberem se expressar, a saberem se dialogar?
    Portanto serei sempre um provocador, um participante às vezes críticos, às vezes pedante em elogios neste espaço tão raro hoje em dia, e que mesmo assim, o sendo, é por se-lo que é precioso, é muito necessário.
    Se a crise é geral, muito além da economia, são espaços como este que todo estudante, pesquisador deveria e deve ocupar, mas não vejo muitos aqui.
    As pessoas tem medo de expor seus pensamentos? Dificuldade?
    Não querem se expor?
    Por que se escondem tanto?
    Há uma falta de confiança disseminada entre todos nós, onde emitir uma opinião sobre qualquer assunto, principalmente quando se trata de economia, política, é conversa chata e que afasta e nos afasta?
    E a filosofia então? Pode até ser que entre vocês que estão no mundo das decisões judiciais o mundo da principiologia e da ética o debate filosófico se faz presente, mas será que fora do meio jurídico é um tema constante, do cotidiano das pessoas?
    Nos sempre voltamos ao mesmo ponto, e chegamos as mesmas conclusões, vivemos em uma sociedade onde o incentivo à Filosofia, à Ética é “demode”, fora de moda. Pode ter sido até 1968, “o ano que não acabou”, mas é que eu acho que acabou sim, em 13 de dezembro de 1969, com o Ato Institucional n. 5.
    Não considero que tudo que aconteceu na política social, econômica do regime militar tenha sido tudo injustificado, mas a justificação do “perigo vermelho”, do comunismo fez de nossa nação uma americanização exagerada, perdemos totalmente aquele “glamour” Europeu, Francês que existia em nossas escolas, universidades e etc? Penso que sim.
    Gostaria de ter estudado nas escolas de ensino médio dos anos antecessores ao golpe de 1964. Aquilo não foi uma Revolução, foi um golpe. A revolução veio depois mudando toda a estrutura educacional, cultural do Brasil, formando um país capitalista de estado.
    Mas há quem defenda que se isso não acontecesse teríamos virado uma Cuba continental.
    Nunca há de se chegar a um denominador comum.
    Quero dizer que os mesmo embates daqueles tempos podem ser ressuscitados como vulcões adormecidos que entram em atividade nos surpreendendo a todos? Penso também que sim.
    E acho que seria salutar começarmos a meditar.
    O que aconteceu com os alemães ocidentais e orientais quando voltou a se tornar uma nova nação. Ali não seria um campo rico para pesquisarmos, fazendo uma projeção do semelhante do que acontece no mundo?
    O comunismo se espalhou e levou um caldo de globalização, mas será que ele morreu?
    Dizem que só existe três ou quatro países comunistas, mas o que aconteceu com o mundo quando ele deixou de ser a corrida armamentista para ser a corrida terrorista? Vamos pensar.
    E mais uma vez obrigado pelo espaço, onde sinto-me a vontade e sem medo algum de expor, dentro dos temas que apresenta, a oportunidade de fazer aqui um expaço de minhas reflexões. E refletir hoje, confesso, não está fácil, neste mundo maluco e acelerado que ao menos eu estou presenciando.
    Que Deus nos abeçoe com a sua paz, só assim podemos continuar seguindo.

  3. Meu querido mestre e amigo Zé Renato, como reagir quando, brasileiro que ama seu pais e que, ainda moço, voluntariamente, transferiu-se para a fronteira do pais para lecionar gratuitamente para os meninos que não tinham possibilidade de ter professores de qualidade, começa se sentir traído pela perda de sensibilidade para o absurdo que tomou conta de toda a sociedade brasileira? Você não imagina o esforço feito para continuar na luta pela democracia e pelo bem comum (finalidade do Estado, lembra?). Talvez não vejamos, mas isso terá que acabar como todo mal que sempre acaba. Abraços e beijos nesse coração brasileiríssimo de menino do GDS dos anos 1950. Nossa luta continua.

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